Aimée e Jaguar

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Cena do filme Aimée e Jaguar

Cena do filme Aimée e Jaguar

Por Calcinha Romântica

Conheço um coração intelectual, apaixonado por histórias e cultura ambulantes. Pouco importam o sexo, a idade, a situação financeira, se belo, se feio. O que vale é ser inteligente, sensível, ter charme, ser engraçado (fundamental), despojado e, claro, ser culto e viajado. Nada mais perigoso para Aimée que uma longa noite em uma mesa de bar regada a livros, filmes, viagens, infância, histórias, vida, experiências… tudo desfilando à sua frente em palavras e olhares. Paixão certa!

Foi assim que, um dia, ela caiu nos braços de uma mulher. Não, ela não é sapatão, nem mesmo bi. É hetero, ou melhor, é uma estranha espécie de pessoa com coração regado a curiosidade e fome de aprender. De resto, nada mais importa. E assim ela vai levando a vida.

O amor feminino aconteceu entre filmes, histórias de viagens, livros e… muito, mas muito tesão. O primeiro beijo foi no banheiro de um bar. É, têm essa vantagem os amores homossexuais. Frequentam os mesmos banheiros.

Cartaz do filme Aimée e Jaguar

Cartaz do filme Aimée e Jaguar

Enganados! Não foi Jaguar quem beijou Aimée. Foi Aimée, certa de sua paixão, que pegou Jaguar pelas mãos, frias pelo nervosismo, e a levou até o banheiro. E o primeiro beijo aconteceu enquanto uma fila se formava na porta. Beijos, mãos, línguas, suspiros, frases: “Você é louca, Aimée”. Saíram do pequeno espaço e viram o bar, que não era gay, já quase vazio. Somente então, deram-se conta do tempo em que mãos e bocas se demoraram lambendo e acariciando intelectualidades.

Saíram dali sem dúvida alguma de para onde iriam: motel. Adeus romantismo, mas inexistiam outras possibilidades.  Aimée segurava firme a mão de Jaguar, como se sempre tivesse namorado mulheres. Jaguar se assustava, queria esconder sua mão, como se nunca tivesse namorado mulheres.

No quarto do motel, Aimée nem pensou que estava na cama com o mesmo sexo. Foi descobrir o corpo as formas femininas arredondadas cavidades gostos seios pele cheiros. Mais uma vez Jaguar se assustou. Será mesmo que era a primeira vez que Aimée amava uma mulher? Sim, era. E teve orgasmos vários, descobertas e desejos muito além da pele.

Aimée e Jaguar namoraram por oito meses. Inexistiam medos em Aimée, porque amava o cérebro de Jaguar, não seu corpo, não seu sexo feminino, não as formas. Claro!, jamais haveria paixão se todos os hormônios não tivessem esbravejado suas fúrias. As duas fugiam do trabalho, na hora do almoço, para se almoçarem. Passavam horas desenhando uma o corpo da outra, fazendo poesias com as mãos.

Um dia, tudo acabou. Tudo acaba. Mas Aimée sabe o gosto do corpo feminino os cheiros os toques a leveza os orgasmos a energia. Mulheres nunca mais aconteceram em sua vida. Mas as paixões cerebrais, sim. Sempre. E Aimée abriria todas as suas guardas novamente para esse sexo sublime, sem medo, sem culpa, sem trauma. Cérebro não tem sexo, palavras não têm sexo, livros, filmes, fotos, viagens não têm sexo, e Aimée ama, e pronto, inteira, sem preconceitos e culpas.

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13 Respostas to “Aimée e Jaguar”

  1. Felipe Campbell Says:

    Sensacional!!!

    • calcinharomantica Says:

      Oi, Fellipe,

      A equipe do Calcinhas na Rede agradece seu comentário.
      Seja sempre bem-vindo!

      Calcinha Romântica

  2. calcinha bélica Says:

    Muito bom o texto, parabéns.

  3. Calcinha de rendinha Says:

    Calcinha Romântica, seu texto, pra mim, representa o futuro da humanidade. Acho que pessoas evoluídas amam o cérebro, a inteligência, a alma das outras pessoas. Pouco importa o gênero. Na próxima encarnação, espero vir um espírito mais evoluído. Belo texto! Parabéns!

    • calcinharomantica Says:

      Muito obrigada,

      Também espero que a humanidade evolua para esse caminho. Já existem algumas pessoas assim por aí.

  4. calcinha exocet Says:

    Calcinha romântica, bonito texto! Não assiti ao filme, mas essas observações sensíveis é uma experiência real que aconteceu em sua vida? Desculpa ficar botando fogo…. Me deu uma curiosidade!

  5. Gilberto Says:

    Houve uma mulher que acreditava na libertação dos tabus sentimentais. Simone de Bovoir era livre. Me lembro dela quando leio os escritos de vocês. Parabéns pelo blog.

    • calcinhasnarede Says:

      Olá, Gilberto!
      Seja bem-vindo ao nosso blog! E obrigada por participar com comentários.
      Equipe Calcinhas na rede

  6. Eu Says:

    Liberdade
    Acima de tudo
    Bjks

  7. Nina Says:

    Esse blog foi uma descoberta deliciosa! Serei assídua daqui pra frente, ansiosa pelos novos textos.

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