A casa das Belas Adormecidas

by

Kawabata

(por calcinha exocet)

Yasunari Kawabata foi o primeiro escritor japonês a ser agraciado pelo Prêmio Nobel de Literatura, em 1968, e é considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa do século XX.

Teve uma infância marcada por uma sucessão de mortes na família. Primeiro, foi seu pai, quando tinha três anos,  e um ano depois, sua mãe, indo morar com seus avós. Ao completar 8 anos, sua avó faleceu. Depois foi  sua irmã, e na adolescência, viu seu avô morrer. Sozinho, foi acolhido na casa de um tio.

Essa vida solitária fez com que Kawabata buscasse refúgio nas obras literárias, tornando-se um ávido leitor das obras clássicas.  Estudou literatura na Universidade Imperial de Tóquio e foi um dos fundadores da Bungei Jidai, revista literária influenciada pelo movimento modernista ocidental, em particular o surrealismo francês.

Por que falar em Kawabata nesse blog? Porque ele tinha obsessão pelo mundo feminino,  pela sexualidade humana e pelo tema da morte (presente em sua vida por meio da perda de seus familiares). A casa das Belas Adormecidas é uma história de extrema delicadeza e sensibilidade. Podemos vislumbrar isso por meio das descrições dos encontros sensuais de um velho, Eguchi. Como lidar com a sexualidade na idade madura? Quais seriam as últimas imagens eróticas de Eguchi? Como reprimir o desejo  e se controlar diante da virgindade da moça? A minúcia com que o narrador descreve a alma feminina e revela o corpo da mulher e o que  sente ao deitar-se ao lado das moças que dormem profundamente são passagens deliciosas. O medo, a insegurança, a insônia, a curiosidade que sentiu nos primeiros encontros são sensações tão humanas e, ao mesmo tempo, tão poéticas.

Um escritor sempre é influenciado por outro. É válido afirmar que Gabriel García Márquez ao escrever “Memórias de minhas putas tristes”  sofreu a influência de Kawabata, tanto que o escritor abre seu romance com um prefácio de A casa das Belas Adormecidas: “Não devia fazer nada de mau gosto, advertiu a mulher da pousada ao ancião Eguchi. Não devia colocar o dedo na boca da mulher adormecida nem tentar nada parecido.” Kawabata suicidou-se em 1972 e deixou obras como O País das Neves, Kyoto e Mil tsurus,  A dançarina de Izu e Contos da palma da mão.

(KAWABATA, Yasunari. A casa das Belas  Adormecidas. Trad. Meiko Shimon. Ed. Estação Liberdade. São Paulo, 2004)

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