Archive for setembro \30\UTC 2009

A ideia do descrescimento

setembro 30, 2009

(por calcinha exocet)

foto: Adriana Franciosi, Jornal de Santa Catarina

foto: Adriana Franciosi, Jornal de Santa Catarina

Semana passada viajei com um grupo de pessoas para Miami e ficou martelando na minha cabeça como um grupo de 12 pessoas passou 8 dias falando em coisas supérfluas, como a vida dos outros e de compras. Tudo bem, podemos afirmar que estávamos descansando da rotina e nada melhor do que falarmos sobre temas leves. Mas, mesmo de volta, a realidade cotidiana não é muito diferente. Sinto falta de conversas a respeito de assuntos com conteúdo mais profundo. Hoje ao descer com minha cachorrinha Shitzu, me surpreendi ao ver a preocupação do porteiro com o calor da cidade e a mudança climática do sul do nosso país.  Ficamos conjecturando soluções que aliviariam o calor e questionando por que as autoridades são indiferentes às catástrofes “naturais” ocorridas nesses últimos tempos em razão da mudança climática no mundo.

descrescimentoLembrei-me de que li um artigo de Eric Dupin, “A felicidade como uma questão política”, da Revista Le Monde Diplomatique Brasil, agosto 2009. O assunto é a respeito da ideia do descrescimento. Em 14 de outubro de 2008, Yves Cochet, deputado dos Verdes, defendeu essa ideia, em plena Assembleia Nacional da França, sob protestos da direita. Diagnosticou uma “crise civilizacional” e afirmou que “agora a busca pelo crescimento passaria a ser antieconômica, antissocial e antiecológica”.

É uma ideia que vai de encontro a tudo o que se construiu com a política do neoliberalismo. Diante do agravamento da recessão econômica, esse assunto parece ter entrado de vez na pauta dos franceses. De repente, os pensadores do descrescimento passaram a ser ouvidos com mais atenção. A ideia não é nenhuma novidade e foi mais disseminada nos anos 70.  Naquela época, contudo, não tinha forças para influenciar a esquerda. Hoje, apesar desse pensamento estar em evidência, ainda há dificuldades para estruturá-lo politicamente.

Em 2006, foi fundado o Partido em Prol do Descrescimento (PPLD), por Vicent Cheynet.  O  caráter inovador e as querelas internas nunca permitiram que essa organização saísse do papel.  Ele lamenta que “constituir um partido político é muito difícil em meios que tendem a ser anarquistas”. Houve tentativas recentes de relançar o PPLD, mas o processo para retomar a agremiação ainda está hesitante.

E no Brasil, alguém se habilita a defender a ideia de viver melhor com menos?

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Um monstro sagrado do teatro brasileiro

setembro 28, 2009

Dulcina de Moraes

(por calcinha exocet)

Nos anos 90, fiz graduação de educação artística na Fundação Brasileira de Teatro – FBT, cuja fundadora foi Dulcina de Moraes. Mesmo não sendo aluna de teatro tive a oportunidade de vê-la ensinando seus atores a interpretar e fiquei encantada com a sua técnica e profissionalismo. Naquele momento, tive vontade de ser atriz. Entrei escondida no teatro pois ela detestava ser incomodada e passei momentos emocionantes nessa condição.

A atriz foi uma mulher enigmática, extremamente inteligente. Parecia-me estar sempre interpretando uma personagem mesmo fora de seu campo de atuação. Foi uma líder. Amigos, como o dançarino Fernando de Azevedo, saíram do Rio de Janeiro e juntaram-se a ela na aventura de realizar seu sonho: transformar Brasília na capital das artes cênicas. Infelizmente, isso não aconteceu. Brasília, desde seu nascimento, era mais uma cidade política do que artística. As artes cênicas continuaram mesmo nos grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo.

Foi uma das maiores atrizes do teatro brasileiro, nasceu em berço artístico, sendo seus pais os atores Átila e Conchita de Moraes. A atriz estreou nos palcos na década de 20, e nos anos seguintes tornou-se um dos maiores nomes do nosso teatro, cuja companhia, Dulcina-Odilon, com seu marido e ator Odilon Azevedo, assinou grandes montagens. Protagonizou a peça Amor (1933), do comediógrafo Oduvaldo Viana. O sucesso da atriz atingiu as camadas mais altas da sociedade e Dulcina fez moda: os vestidos que usava em cena serviam como modelo para o público feminino (tive a oportunidade de conhecer seus vestidos quando houve uma exposição em seu teatro). Ganhou medalha do mérito da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, como melhor atriz do ano de 1939 pelo conjunto de trabalhos.

Ganhou novamente o Prêmio ABCT, em 1943, mas naquele momento como melhor direção por Mulheres, de Claire Boothe.

Em 1952, Dulcina já era a primeira atriz do teatro brasileiro. Voltou a ser criticada pela interpretação desmedida em A Doce Inimiga, de André-Paul Antoine, em 1953, ano em que ganhou o Prêmio Municipal de Teatro de melhor direção por O Imperador Galante, de Raimundo Magalhães Júnior.

No final dos anos 50, convencida da importância de revestir a profissão de ator de uma preparação técnica,  cria a Fundação Brasileira de Teatro, FBT, onde realiza cursos e espetáculos. Transferiu sua fundação para a capital federal em 1972.

A atriz só voltou ao palco carioca a convite e sob direção de Bibi Ferreira, em 1981, encenando a peça especialmente  escrita para ela: O melhor dos pecados, de Sérgio Viotti. Faleceu em Brasília, em 1996, cidade onde se radicou e se dedicou à FBT, sem as láureas que merecia pela sua importância nas artes cênicas brasileiras.

Sopa Russa de Beterraba (Borsch)

setembro 26, 2009

Sopa de beterraba(por calcinha exocet)

Nas férias de julho fui à Teresópolis-RJ e tive a oportunidade de almoçar no Dona Irene, restaurante russo. Lá nos serviram 17 entradas frias e 5 quentes. Ficamos à tarde toda comendo. Tudo foi uma delícia: as entradas, a vodka artesanal, a sobremesa, a conversa do dono que nos contou a história de Dona Irene, já falecida.

A sopa de beterraba estava divina!

  • 8 xícaras ( 2litros) de água;
  • 1 1/2 colher de chá (7ml) de sal;
  • 2 folhas de louro;
  • 6 pequenas batatas, descascadas e cortadas em cubos de 2 cm;
  • 3 xícaras (750 ml) de repolho ralado;
  • 4 colheres de sopa (80ml) de ghi ou óleo;
  • 2 beterrabas médias, descascadas e raladas no ralo grosso;
  • 3 colheres de sopa (60ml) de suco de limão;
  • 1 colher de chá (5ml) de coentro em pó;
  • 1 colher de chá (5ml) de pimenta-do-reino em pó;
  • 1/2 colher de chá (2ml) de assafétida amarela em pó;
  • 1 xícara (250ml) de cenouras raladas no ralo grosso;
  • 2 colheres de sopa (40ml) de extrato de tomate;
  • 1/4 colher de chá ( 1ml) de cravo em pó;
  • 1 colher de chá (5ml) de açúcar mascavo;
  • 2 colheres de sopa (40ml) de salsa fresca cortada;
  • 2 xícaras (500ml) de creme de leite.

Ferva 7 xícaras ( 1,75 litros) de água em uma panela em fogo alto. Adicione sal, as folhas de louro, as batatas emcubos e o repolho. Volte a ferver, diminua o fogo e deixe cozinhar, tampado, por 20 minutos ou até os vegetais ficarem macios.

Aqueça 1 colher de sopa (20ml) de ghi ou óleo em uma pequena frigideira em fogo médio. Refoque a beterraba ralada por 2 a 3 minutos e adicione uma xícara (250ml) de água. Aumente o fogo e ferva a beterraba. Diminua o fogo e cozinhe, tampado, por 15 minutos ou até a beterraba ficar macia.

Adicione o suco de limão na beterraba e ajunte-a à batata cozida e ao repolho. Continue a cozinhar, tampado.

Aqueça 3 colheres de sopa (60ml) de ghi ou óleo em uma frigideira pequena em fogo baixo. Adicione no ghi quente o coentro em pó, a pimenta-do-reino, assafétida e as cenouras raladas. Aumente o fogo e refogue por 3 a 4 minutos ou até as cenouras ficarem macias. Acrescente o extrato de tomate e misture com a sopa.  Em seguida, o cravo em pó e o açúcar. Deixe a sopa ferver por mais 2 minutos. Adicione a salsa. Sirva a sopa quente em tigelas individuais. Coloque uma colher de sopa de creme de leite em cada porção.

Bananas Celestiais

setembro 19, 2009

Bananas celestiais(por calcinha exocet)

Tendo sua origem na Índia Ocidental, esse doce opulento realmente mostra a versatilidade da humilde banana.

Tempo de preparo e cozimento: aproximadamente 30 minutos.

Rendimento: suficiente para 4 a 6 pessoas.

  • 185g de requeijão cremoso;
  • 1/4 xícara (60ml) de açúcar mascavo;
  • 3/4 colher de chá (3ml) de canela em pó;
  • 4 colheres de sopa (80ml) de manteiga sem sal;
  • 4 bananas grandes ou 8 pequenas, maduras, descascadas e cortadas ao comprimento.
  • 3 colheres de sopa (60ml) de creme de leite de consistência líquida.

Bata bem o requeijão cremoso, açúcar e 1/2 colher de chá (2ml) de canela. Reserve.

Aqueça a manteiga em frigideira de fundo grosso e refogue as bananas cortadas até dourarem ligeiramente em ambos os lados.

Disponha a metade das bananas em tigela rasa que possa ir ao forno, untada com manteiga. Espalhe a metade da mistura do requeijão sobre as bananas e coloque as bananas restantes por cima. Espalhe o resto da mistura do requeijão. Coloque o creme de leite por cima de tudo.

Asse em forno pré-aquecido (180º C) por aproximadamente 15 minutos ou até a mistura do requeijão dourar.

Salpique com a canela restante (1/4 colher de chá (1ml) e sirva imediatamente.

Mulheres supergolpistas

setembro 17, 2009
Dina Reis e sua cúmplice Suzanne Carico

Dina Reis e sua cúmplice Suzanne Carico

(por calcinha comestível)

Esta semana foi notícia a prisão de uma quadrilha formada só por mulheres. A líder, Dina Reis, foi presa em sua mansão avaliada em US$ 30 milhões. Nos corredores da casa, haviam obras de Modigliani e Andy Warhol no valor de US$ 35 milhões. Ela teria doado US$ 10 milhões a entidades beneficentes, inclusive para a assistência à saúde de órfãos e para a reforma de um hospital infantil.

Qual a arma delas? A inteligência contra a estupidez de executivos. Não se relacionavam sexualmente com as vítimas, mas os seduziam. Muitos acabavam percebendo algo errado e caiam fora. Mas alguns não resistiam.

A encenação era elaborada. Dina e suas cúmplices pareciam  mulheres muito bem sucedidas (na verdade, eram, mas pelo caminho do crime). Depois de muito  papo e sedução, as vítimas vendiam para as golpistas produtos da empresa para a qual trabalhavam a preços mínimos. Estes produtos eram revendidos pelo preço de mercado. Ou seja, os executivos participavam do golpe em suas empresas e, portanto, se percebiam ter sido enganados, não podiam denunciar.

Mas uma das mulheres sentiu-se humilhada após ser dispensada do grupo e denunciou as colegas. Após uma longa investigação, todo o esquema foi desvendado. Dina deve pegar pelo menos dez anos de prisão.

Mulheres criminosas mostram, pelo lado inverso, é claro, o mesmo que mulheres de sucesso. As mulheres são tão humanas quanto qualquer um e não há diferença nem para o bem nem para o mal.

Mas, com licença do eticamente correto, não consigo deixar de sentir uma espécie de simpatia por estas mulheres. Claro, claro, o crime não compensa, etc e tal. Mas os  crimes praticados por elas têm muitos atenuantes. Primeiro, não usaram da violência e nem mesmo do sexo concretizado para praticar os golpes. Os empresários enganados também foram desonestos e pensaram em se dar bem (aliás, a maioria das vítimas de estelionato é movido pela possibilidade de ganhar alguma coisa). Não roubaram as mercadorias, compraram barato. Distribuiram parte do lucro para instituições de caridade. Provaram como alguns homens agem como uns retardados anancefálicos quando recebem a atenção feminina. E, cá entre nós, seus crimes foram cinematográficos. Aliás, tenho certeza de que a história vai virar filme, com a Angelina Jolie fazendo papel de Dina Reis e Scarlet Johansson fazendo o papel de Suzanne Carrico. Os executivos bobões e babões poderão ser o George Clooney e o Brad Pitt.

Leia mais sobre o caso na revista Época ou, em inglês, na matéria original publicada na revista Fortune.

Maria Bonita: Uma mulher brasileira

setembro 16, 2009

mariabonita(Por calcinha bordada)

Minha mãe foi criada onde Lampião e Maria Bonita foram assassinados, no Município de Poço Redondo, Sergipe. Quando eles morreram, ela tinha 11 anos. Eu, quando também era criança, fui muitas vezes à pequena cidade de Poço Redondo, onde meu avô morava. Talvez por isso me sinta, de alguma forma, ligada à história deste famoso casal. Nesta cidadezinha não lembro de ter visto nenhuma referência à Lampião, embora eu tenha ouvido, na infância, minha mãe dizer que todos tinham medo dele. Sei que ele é bandido para alguns e herói para outros. Isto dependerá do ponto de vista. Mas sei também que ele entrou no cangaço para vingar a morte do pai, um homem pacífico, por um delegado de polícia. A revolta dele contra as autoridades tem um motivo muito forte para existir. Precisamos lembrar que, então, o nordeste era um território praticamente sem lei, ou melhor, em que a lei só valia para alguns, chamados coronéis. Esta herança perversa sobrevive até hoje. Não acredito que ele fosse um bandido comum, acho que suas razões eram políticas, embora ele tenha apelado para a luta armada.

As roupas características do grupo, inspiradas em heróis e guerreiros, como Napoleão Bonaparte, eram desenhadas e confeccionadas pelo próprio Lampião. Os chapéus, as botas, as cartucheiras, os ornamentos em ouro e prata, mostram sua habilidade como artesão. Aliás, Lampião era tão habilidoso que era ele quem fazia os partos das mulheres no seu grupo. Não é impossível, mas acho difícil imaginar que um homem com este comportamento cometesse assassinatos por pura crueldade. Para mim, ele respondia à violência com violência, estava em guerra contra as autoridades.

Mas eu me sinto especialmente ligada à história de Maria Bonita. Ela nasceu no dia 08 de março de 1911, coincidentemente o dia internacional da mulher. Já era casada quando conheceu o homem que a levaria para viver no sertão, na caatinga, em meio àquela paisagem agreste. Sentiu-se atraída por Virgulino Ferreira assim que o conheceu. E a mãe de Maria Bonita contou para Lampião o sentimento da filha. Após um ano de namoro, Lampião a chamou para a dura vida do cangaço. Ela abandonou, sem pensar, o marido que a maltratava. Foi uma pioneira. Após a sua entrada para o grupo, outras mulheres a seguiram:

“A partir daí, outras mulheres também entraram para o cangaço. Seria uma verdadeira revolução feminista, uma vez que se emanciparam e impuseram respeito. Muito embora não participassem dos combates, de forma direta, elas eram preciosas colaboradoras, tomando parte das brigadas e/ou empreitadas mais perigosas, cuidando dos feridos, cozinhando, lavando, e, principalmente, dando amor aos companheiros. Fosse representando um porto seguro, ou funcionando como um ponto de apoio importante, para se implorar algum tipo de clemência junto aos cangaceiros, as representantes do sexo feminino contribuíam para acalmar e humanizar os homens, limitando-lhes os excessos de desmandos. Muitas portavam armas de cano curto (do tipo Mauser) e, em caso de defesa pessoal, estavam sempre prontas para atirar. Excetuando-se Lampião e Maria Bonita, os casais mais famosos do cangaço foram: Corisco e Dadá; Galo e Inacinha; Moita Brava e Sebastiana; José Sereno e Cila; Labareda e Maria; José Baiano e Lídia; e Luís Pedro e Neném.”

“Cabe ressaltar que, apesar de receberem a proteção paternalista dos cangaceiros, a vida das mulheres era bastante difícil. Levar a termo as gestações no desconforto da caatinga, por exemplo, significava sofrimento; e, muitas vezes, logo após o parto, elas eram obrigadas a fazer longas caminhadas, fugindo das volantes. Caso não possuíssem uma resistência física incomum, não conseguiam sobreviver àquele cotidiano inóspito.”

Mas, pelo menos para mim, Maria Bonita foi especial. Uma mulher extremamente forte e determinada, jamais demonstrou arrependimento por ter seguido Virgulino, foi sua companheira em todos os momentos. Era tratada por Lampião e por todos os homens do grupo com muito respeito. Era uma mulher incomum. Foram assassinados juntos. Dizem que ela foi degolada viva. A maneira bárbara como foram tratados, decaptados, o corpo deixado para os urubus e as cabeças colocadas em exposição em praça pública, mostra os tempos sem lei então vividos. Se eles foram bárbaros, o Estado não era nada diferente. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram estudadas para ver se encontravam alguma coisa que diferenciasse “bandidos” das pessoas comuns. Nada se encontrou. Depois destes “estudos”, as cabeças ficaram ainda trinta anos expostas em um museu na Bahia, apesar da luta das famílias para que eles tivessem um enterro digno, o que só aconteceu em 1969.

Lampião e Maria Bonita deixaram uma filha, Expedita, que teve filhos e netos. Seus pais foram mortos quando ela tinha cinco anos, mas ela diz que ainda guarda recordações deles. Reclama da discriminação que sua família sofre e diz que não há respeito pela história deles. Afirma também que não há respeito pela imagem do casal, ou pelos direitos de uso dessa imagem. Muitos filmes foram feitos e livros foram escritos sem que a família fosse consultada. Maria Bonita é um nome tão forte que virou marca de roupa. Mas a família não recebe nada pelo uso do nome. A confecção não pode alegar que o nome não tem nenhuma relação com a Maria Bonita histórica. A coleção deste ano tem inspiração regional, com o uso de linho pintado à mão e tecidos de algodão, além de sandálias de couro.

Sexo Tântrico: Prazer multiplicado

setembro 14, 2009

sexo tantrico e neotantrico(por calcinha de cristal)

Tenho um amigo que sempre falava em sexo tântrico, uma forma de treino sexual, surgida na Índia antiga, que permitiria ao homem ter orgasmos “secos”, ou seja, sem ejaculação. O sexo, assim, duraria horas. Mas, por causa dele, sempre imaginei esta técnica como algo masculino. A mulher seria beneficiada em consequência do desempenho do parceiro.

Mas, na verdade, o sexo tântrico não é praticado só por homens, as mulheres podem treinar de forma a ter orgasmos múltiplos, prolongados e muito intensos. Naveguei um pouco na rede e encontrei muitos textos com as origens do sexo tântrico:

“O termo Tantra significa net, rede, tecido ou teia, ou a trama do tecido; regulado por uma regra geral; o encordoamento de um instrumento musical.

“Tantra é o nome dos antigos textos de transmissão oral (param-pará) do período pré-clássico da Índia, portanto, de mais de 5.000 anos. Mais tarde, alguns desses textos foram escritos e tornaram-se livros ou escrituras secretas do hinduísmo. Naquela recuada época de origem do Tantra, a Índia era habitada pelos drávidas, cuja sociedade e cultura eram matriarcais, sensoriais e desrepressoras. Por isso, passaram à história como um povo tântrico, já que essa filosofia é caracterizada principalmente por aquelas três qualidades. Aliás, isso é uma noção amplamente divulgada e universalmente aceita.” (leia mais aqui)

Dois textos que encontrei me chamaram a atenção, pois são de duas jornalistas que foram experimentar os prazeres do sexo tântrico numa clinica especializada, chamada Metamorfose, que fica em São Paulo.

khajuraho7A jornalista Ailin Aleixo, da revista TPM, conta que, inicialmente, ao ter a vagina invadida por um dedo protegido por uma luva de borracha, com muito lubrificante, que a vasculhava em busca do ponto G, teve vontade de levantar e sair correndo. Mas se segurou e, depois, com o auxílio de um vibrador habilmente manuseado, teve realmente vários deliciosos orgasmos. Mas o prazer foi tão intenso que, depois de um tempo, quis novamente que aquilo acabasse logo e voltou a sentir vontade de ir embora porque “até gozar demais dá no saco”.

Rafaela Rigatti, da revista Nova, teve uma experiência muito parecida. Depois de cinco orgasmos, relata a jornalista, “descobri que não agüentava mais. Meu corpo estava feliz, mas exausto. Pedi a ela que parasse… e dormi por alguns minutos. A propaganda não era enganosa e os 290 reais foram pra lá de bem empregados. Fui para casa e fiquei à espera do meu amor. Em meia hora, ele abriu a porta. Eu, sem contar nada sobre a experiência sensacional que tinha acabado de viver, o recebi com um beijo cheio de segundas intenções e o levei para o quarto. E então tive o sexto orgasmo do dia. Desta vez, sem nenhum constrangimento. Só prazer.”

As duas matérias valem à pena serem lidas, porque trazem mais informações sobre esta técnica mística. Os adeptos do sexo tântrico podem dizer que a sensação delas de que, em determinado ponto, chegou a ser estafante, decorre dos condicionamentos, da resistência do corpo ao prazer ilimitado. Eles afirmam que o sexo tântrico não está restrito ao órgão sexual, este é apenas a “porta de entrada” do prazer espalhado pelo corpo todo, principalmente na mente. Por isso que, durante a estimulação sexual, eles ficam repetindo “deixa subir pra cabeça”, e coisas semelhantes. Dependeria de um tempo maior para nos libertarmos dos condicionamentos.  Segundo alguns praticantes, o sexo tântrico é muito mais do que um ato sexual:

“O verdadeiro Tantra não é uma técnica, mas o amor. Não é uma técnica, mas um estado de prece. Não é orientado pela cabeça, mas um relaxamento no coração. Por favor, lembre-se disso. Muitos livros foram escritos sobre o Tantra, e todos eles falam de técnicas, mas o verdadeiro Tantra nada tem a ver com técnicas. O verdadeiro Tantra não pode ser escrito; ele precisa ser percebido, sentido, sorvido.” Estas afirmações seriam de Osho, um polêmico guru da Yoga, que viveu nos Estados Unidos.

O sexo tântrico também foi notícia por meio do ator Estênio Garcia, que recentemente esteve representando o personagem Dr. Castanho, na novela Caminho das Índias. Ele declarou-se, aos 77 anos, adepto do sexo tântrico, afirmando ficar horas praticando sexo com sua atual esposa, Marilene Saade, 37 anos mais nova.

Parece tentadora a experiência. Quem não gostaria de sentir vários orgasmos seguidos, de forma intensa? Não sei se eu teria coragem de me submeter ao constrangimento de ter minha vagina massageada por uma pessoa que não conheço. É uma idéia que me atrai e me repulsa ao mesmo tempo. Acho interessante considerar o sexo como algo mais espiritual, místico. Na nossa cultura ele é visto de forma muito suja. Os indianos antigos, aparentemente, lidavam com a sexualidade de uma maneira mais livre do que nós. Quem sabe eu experimento? Mal não deve fazer.

Bacalhau à Gomes de Sá

setembro 12, 2009

BacalhauGomesSa

Ah, o bacalhau! Sou apaixonada por ele! Eu e muita gente mais, bem sei.

Segundo Marianinha Prado: “e não é de hoje essa paixão. Por ela, desde o século XV, naus portuguesas singram os gelados mares do norte da Europa.” Dizem que os  portugueses não sabem viver sem o bacalhau. Dizem também que uma jovem só pode casar-se depois de provar à sogra que sabe preparar pelo menos 10 receitas diversas do peixe.

Escolhi uma que faço sempre quando reúno os amigos.

Ingredientes:

1 kg de bacalhau;

1/2 k g de batata;

4 colheres (sopa) de azeite de oliva;

1 dente de alho;

2 cebolas;

2 ovos cozidos;

12 azeitonas pretas;

1 copo de leite;

Sal, pimenta e salsinha picada a gosto.

Preparo:

Deixar o bacalhau de molho na véspera, trocando a água várias vezes para perder o sal. Aferventar e desfiar. Pôr o bacalhau numa travessa refratária untada. Cobrir com a cebola e alho picadinhos. Espalhar a batata cortada em rodelas finas. Polvilhar com sal, pimenta e salsinha. Regar com o azeite e com o leite. Adicionar as azeitonas sem caroço e levar ao forno médio por 30 minutos. Servir enfeitado com fatias de ovos cozido.

Dica: deixe o bacalhau com água na geladeira trocando de hora em hora para tirar o sal.

Dança, conversa e diversão

setembro 11, 2009

(por calcinha exocet)

Femme au Robe Orange - Juarez Machado

Femme au Robe Orange - Juarez Machado

Eu não sei dançar. Mas bem conduzida, até que dá para enganar. Infelizmente, o meu marido não tem o menor jeito. Já fizemos cursos e continuamos tão coordenados quanto duas marionetes ao vento. Sua mão escorrega pelas minhas costas sem me dizer nada. Sem me indicar a direção. Ele diz que a culpa é minha, que as mulheres hoje em dia não aceitam ser conduzidas. Diz que a dança é o retrato da luta pelo poder e que, assim, cada um tenta seguir uma direção própria. E tome pernada.

Claro, isso é uma desculpa dele, porque se fosse verdade, eu também não conseguiria dançar com alguém que sabe conduzir. O fato é que, raras exceções, os homens, e também as mulheres, não são mais estimulados a aprender a arte da dança desde pequenos. Claro, ainda tem quem saiba dançar. Mas são poucos e cada vez menos.

Todo mundo sabe que a dança traz alegria, prazer, que é um ato de socialização, enraizado profundamente na história da humanidade. Os cientistas até descobriram uma relação da área cerebral envolvida com a dança que coincide com a área da fala (ver aqui). O que os cientistas acham é que a dança surgiu como uma forma de comunicação representativa, que evoluiu para uma conversa animada. Não é à toa que tendemos a gesticular quando falamos.

Isso pode explicar porque as pessoas têm tido dificuldade de dançar juntas. Porque a comunicação entre elas talvez também ande difícil. Pode estar havendo pouco diálogo, pouca compreensão. Quanto a mim e ao meu marido, não desistimos de aprender a dançar. Às vezes levo umas pisadas. Mas nós dois nos divertimos muito nesta tentativa. E isso nos une cada vez mais.

As muitas formas de amar

setembro 10, 2009
Gabrielle D'estrees e uma de suas irmãs (1595)

Gabrielle D'estrees e uma de suas irmãs (1595)

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(por calcinha de cristal)

Eu fico pensando em como o ser humano se preocupa com besteira. Vejam a classificação das pessoas quanto à sexualidade: existiriam os heterossexuais, os bissexuais, os homossexuais, os pansexuais, e, quase esqueço, os assexuais. A coisa fica meio como torcer para um time. Um gay provavelmente ficará tão ofendido se você disser que ele é capaz de transar com alguém do sexo oposto, quanto  um hetero se você disser que ele faria sexo com alguém do mesmo sexo, dependendo da circunstância.

Alguém até cunhou o termo monossexualidade, para se opor à bissexualidade.

Digo isso para mostrar o que me parece uma coisa muito idiota. Por que algumas pessoas se preocupam tanto com o que as outras fazem em geral quando estão em suas casas, ou quartos de motel, ou escurinho, ou seja lá onde for, mas provavelmente longe do olhar de outras pessoas? Por que isso é tão importante?

egípcios

Talvez a mais antiga ilustração de um casal gay

Claro, todo mundo sabe que a perseguição contra a homossexualidade começou como um assunto religioso. Sabe-se lá por que, Deus se preocuparia muito com esta questão. Durante a idade média, homens e mulheres  foram queimados sob a acusação de práticas homossexuais.  As mulheres lésbicas eram consideradas bruxas.  O principal motivo religioso, acho, é que se o sexo não for feito para procriação, é luxúria e, portanto, deve ser reprimido. Aliás, não é só a homossexualidade que é reprimida com este argumento.  Sexo, em geral, passou a ser um assunto satanizado. Da religião, passou para o inconsciente das pessoas e até para quem não segue nenhuma religião o assunto tem (imerecida) relevância.  A sexualidade de cada um deveria dizer respeito  apenas ao indivíduo. Mas a coletividade se intromete de forma irracional. Pra quê?

As quatro bruxas de Albrecht Dürer (1497)

As quatro bruxas de Albrecht Dürer (1497)