A ideia do descrescimento

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(por calcinha exocet)

foto: Adriana Franciosi, Jornal de Santa Catarina

foto: Adriana Franciosi, Jornal de Santa Catarina

Semana passada viajei com um grupo de pessoas para Miami e ficou martelando na minha cabeça como um grupo de 12 pessoas passou 8 dias falando em coisas supérfluas, como a vida dos outros e de compras. Tudo bem, podemos afirmar que estávamos descansando da rotina e nada melhor do que falarmos sobre temas leves. Mas, mesmo de volta, a realidade cotidiana não é muito diferente. Sinto falta de conversas a respeito de assuntos com conteúdo mais profundo. Hoje ao descer com minha cachorrinha Shitzu, me surpreendi ao ver a preocupação do porteiro com o calor da cidade e a mudança climática do sul do nosso país.  Ficamos conjecturando soluções que aliviariam o calor e questionando por que as autoridades são indiferentes às catástrofes “naturais” ocorridas nesses últimos tempos em razão da mudança climática no mundo.

descrescimentoLembrei-me de que li um artigo de Eric Dupin, “A felicidade como uma questão política”, da Revista Le Monde Diplomatique Brasil, agosto 2009. O assunto é a respeito da ideia do descrescimento. Em 14 de outubro de 2008, Yves Cochet, deputado dos Verdes, defendeu essa ideia, em plena Assembleia Nacional da França, sob protestos da direita. Diagnosticou uma “crise civilizacional” e afirmou que “agora a busca pelo crescimento passaria a ser antieconômica, antissocial e antiecológica”.

É uma ideia que vai de encontro a tudo o que se construiu com a política do neoliberalismo. Diante do agravamento da recessão econômica, esse assunto parece ter entrado de vez na pauta dos franceses. De repente, os pensadores do descrescimento passaram a ser ouvidos com mais atenção. A ideia não é nenhuma novidade e foi mais disseminada nos anos 70.  Naquela época, contudo, não tinha forças para influenciar a esquerda. Hoje, apesar desse pensamento estar em evidência, ainda há dificuldades para estruturá-lo politicamente.

Em 2006, foi fundado o Partido em Prol do Descrescimento (PPLD), por Vicent Cheynet.  O  caráter inovador e as querelas internas nunca permitiram que essa organização saísse do papel.  Ele lamenta que “constituir um partido político é muito difícil em meios que tendem a ser anarquistas”. Houve tentativas recentes de relançar o PPLD, mas o processo para retomar a agremiação ainda está hesitante.

E no Brasil, alguém se habilita a defender a ideia de viver melhor com menos?

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4 Respostas to “A ideia do descrescimento”

  1. Dinossaurio Says:

    bla, bla, bla…. tanta demagogia junta…. nossa !!!🙂

    • calcinha exocet Says:

      Oi, Dino! Estava sumido. Me explica melhor seu ponto de vista. O post foi escrito para gerar polêmica mesmo. É bom ter gente participando.

  2. calcinha exocet Says:

    No Brasil, essa ideia passa longe pois estamos em crescimento. Acho realmente difícil os países desenvolvidos optarem pelo descrescimento, há muita resistência. Mas refletir e criar soluções sobre a escassez de recursos do planeta e sobre as mudanças climáticas é sempre preciso.

    • calcinhacomestivel Says:

      O problema da ideia do descrecimento é que ninguém quer abrir mão de nada, mesmo sabendo que o mundo já não suporta 1 bilhão de carros, imagine 6 bilhões, como se prevê para os próximos anos. A natureza simplesmente não tem mais mineirais disponíveis, e a busca de novas minas causa enormes estragos. Montanhas inteiras são desmanchadas para virar aço.

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