O preço da paixão

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Há momentos em que o preço da paixão é alto! Li a história de Anna de Assis e, mesmo admirando sua coragem e força, refleti que dosar decisões importantes, com sentimento e razão, pode amenizar as desilusões e mesmo as tragédias. Imagino que mulheres assim como Anna de Assis, que jogam tudo para o alto por uma paixão, são raridades hoje em dia. Será? Doce ilusão a minha, ainda temos moças muito românticas que são capazes de arriscar carreira, estabilidade, emprego, família e até a própria vida para serem felizes.

Vamos adentrar na história de Anna de Assis ou Anna da Cunha….

Anna de Assis foi ex-esposa de Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, engenheiro civil, jornalista e autor de Os Sertões (1902). Euclides da Cunha é considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa. Neste ano de 2009, comemoramos o centenário de sua morte.

A história do escritor tem um fim trágico, morre aos 43 anos de idade, em 1909, quando decide medir forças com um rival vinte anos mais moço, e além disso campeão de tiro. Euclides cai morto numa troca de tiros com o amante de sua mulher, numa casa da Estrada de Santa Cruz, junto à estação da Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro. O escritor até acertou alguns tiros no amante e no irmão deste, mas pela destreza de Dilermando, que era campeão de tiros no Exército, é ferido mortalmente. O amante não é condenado pela justiça por alegar legítima defesa.

Em razão de Euclides estar sempre ausente do lar – era engenheiro civil e jornalista-, sua esposa, à epoca com 30 anos, apaixona-se por Dilermando de Assis, um rapaz de 17 anos. O marido ao voltar para casa, depois de uma ausência de mais de um ano, encontra Anna grávida de alguns meses e sua casa frequentada pelos irmãos Dilermando e Dinorá de Assis, amigos de Solón, seu filho mais velho.  Sua reação a princípio é de fechar os olhos diante da evidência. Registra como seu o filho, mas impede que a mãe o amamente, matando-o por inanição depois de nascer. Mesmo casada com Euclides, Anna tem mais um filho de Dilermando, que também é registrado pelo marido.

Em 1916, Euclides da Cunha Filho, aos 19 anos de idade, decide vingar a morte de seu pai e mais uma tragédia ocorre na família, Dilermando de Assis alvejado pelas costas ao sair do Cartório do forum do Rio de Janeiro, reage mesmo ferido e mata o filho de Euclides. Mais uma vez sobrevive, alega legítima defesa e é absolvido.

Por sua paixão, Anna enfrentou todos, o marido, a sociedade e a família. Sua mãe escreve para a irmã de Euclides dizendo: “Você chora a morte de seu irmão e eu choro por ter tido essa infeliz”. Anna de Assis não se importou em ficar estigmatizada como adúltera. Para a época, é considerada uma mulher ousada. Depois da morte de Euclides da Cunha, ela casa-se com Dilermando e tem mais 5 filhos.

Anna, aos 50 anos, descobre que Dilermando a estava traindo e decide separar-se. Alerta os filhos que estava  indo embora e quem quisesse poderia ficar com o pai ou ir com ela. Os filhos logo estavam com suas malinhas prontas para seguirem ao seu lado. Sabe-se que Anna quando separou-se de Dilermando passou necessidade. Antes de sair definitivamente de casa, confessou sua desilusão ao marido, afirmando que depois de tudo que ela passou para viver ao seu lado, nunca imaginara que ele fosse traí-la. Ele tentou evitar a separação, mas não obteve sucesso. Sabe-se que antes de Anna morrer de câncer, ele foi visitá-la e pedir perdão. Saiu sem ouvir o que queria. Dizem que antes de ele morrer, pedia perdão à falecida, diante dos filhos.

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11 Respostas to “O preço da paixão”

  1. luci Says:

    nossa! que historia! se eu visse isso num filme, ia achar que o diretor teve imaginacao demais… lembro que eu escutei essa historia nas aulas de literatura quando eu era “colegial”. mas nem lembrava quem tinha matado quem.

    achei bonita a historia dela, de ir contra todos e, como ela, me decepcionei ao ver o final.😦

  2. luci Says:

    infelizmente eh assim: a gente faz merda, perde a cabeça, trai, e, quando leva um pe na bunda, eh que acorda… e se arrepende… mas aih, ja era.

  3. calcinha exocet Says:

    Luci, o final é triste mesmo! Acho que a maioria de nós é romântica mesmo. Mas toda história de amor tem seu lado bom e ruim porque não existe essa história de “viveram felizes para sempre”. Acho que a vida é feita de momentos e temos que reconhecer que em alguns somos felizes.

  4. calcinhasnarede Says:

    Quero aproveitar para dizer que assisti a estreia do Papo Calcinha no Multishow, segunda-feira passada. O programa dura 15 minutos e começa às 23h 45m. São 4 mulheres na faixa etária de 20 a 30 anos que falam sobre sexo. Para mim faltou direção porque em determinados momentos elas falavam ao mesmo tempo e ficava difícil entender. Confiram!

  5. Bia Says:

    Acredito no amor e mesmo desiludida acho que ele pode vir a encontrar-me um dia. Li o livro sobre a Anna de Assis e só tenho que aplaudi-la porque levantou a cabeça, seguiu em frente sem, em momento algum, manisfestar-se. Achamos-nos vítimas do preconceito ainda em plano século vinte e um, quem dera uma mulher no século dezenove? Mulher corajosa, romântica, batalhadora e acima de tudo fiel aos seus sentimentos. Que Deus a tenha e que sirva de liçao para muitas mulheres.

  6. ursula Says:

    Pagou a vagabundice na própria vida e com certeza tá penando no fogo do inferno.

  7. angela Says:

    Como as pessoas tem mania de julgar os outros!! Acham que estão acima do bem e do mal!! Sou fã numero 1 dessa mulher!! Ursula só quem pode julgar é Deus!!
    Tenho certeza que ela está num bom lugar…pois merece!!

  8. Elaine Says:

    essa e uma historia que so tem vitimas, da paixao, do orgulho, do ciumes todos erraram mas com intencao de fazer a coisa certa, como julgar…

    • calcinhasnarede Says:

      Elaine, os gregos consideravam o apaixonado uma espécie de louco, como se ele fosse um incapaz civilmente. Também concordo que não dá para julgar, principalmente, porque estamos de fora, como espectadores, não estamos vivendo o turbilhão de sentimentos que o ser apaixonado está. Muito fácil criticar. Às vezes esse sentimento é tão intenso que nos cega, causando-nos danos financeiros e emocionais.

  9. yasmin Says:

    Bom, eu creio que para tudo na vida deve existir bom senso, e nao admiro a coragem desse mulher, acho que ele deveria pensar em todo o sofrimento e traumas que causou a seus filhos, um pouco de dignidade seria muito bom para essa moca, que ao meu ver era ingënua, romäntica e totalmente descompensada.

  10. Helena sousa Says:

    que ela ficasse com o amante mas…colocar os filhos de euclides em uma situação de sofrimento por ex:eles ficaram espalhados em colegios internos e com as familias do mesmo eles tinham total respeito pelo pai eles foram as maiores vitimas desta história.
    não podiam mesmo aceitar o dilermando e sendo o assassino pior ainda.
    acho que ainda deveria ter um outro fim mas uma cabeça apaixonada é cega não consegue ver os fatos e nada que esta em sua volta por isso deu no que deu.

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