Archive for janeiro \31\UTC 2010

Credulidade humana

janeiro 31, 2010

Aviso: Isto não existe!!

(por calcinha comestível)

Aposto que você, como todo mundo, tem um amigo que entope* sua caixa postal com e-mails idiotas. Vale tudo, desde piadas, vídeos cretinos, lendas urbanas do tipo alarmista e outros, e muitos power points. Eu tenho uns dois ou três amigos assim. Olho algumas mensagens por amostragem e me irrito com a infinita capacidade humana de acreditar em qualquer besteira. Às vezes é repassada uma informação tão mentirosa que eu não resisto e respondo desmascarando a farsa. Não adianta nada. São e-mails com conteúdos falsos que circulam por anos no ciberespaço e sempre tem alguém que ainda se dá ao trabalho de mudar datas para parecer que foram escritos ontem. Essa semana recebi um power point com imagens “incríveis da natureza”, como um elefante ou mãos feitos de pedra. Será que a pessoa não percebe que é tudo falso, tudo photoshop? Por favor, se você tiver um amigo assim, vamos começar uma campanha que pode ser chamada “minha caixa postal não é penico!” E sabe o que me deixa mais chateada? Esses amigos inconvenientes nunca mandam um e-mail pessoal perguntando como eu tenho passado.

* o verbo entupir aceita entope ou entupe. Mas ao pesquisar na internet, achei um site que ensina apenas a forma entupe.  Cuidado nunca é demais com as informações do ciberespaço.

Sol, mar e receita

janeiro 27, 2010

piscina e deck da Pousada Le Deauville

(por calcinha exocet)
Minhas férias foram de 10 dias, 6 dias passados em Búzios e  4 passados na Barra da Tijuca. Em Búzios, consegui descansar. Ficamos em uma pousada chamada Le Deauville, que aceitou nossa Shi Tzu, Jolie. Pousada de um casal francês, muito simpática. Lá, na pousada, pudemos comer comida francesa a um preço acessível. Pedimos Ratatouille e Boeuf Bourguignon, pratos divinos. O Ratatouille ficou famoso com o filme de animação sobre um ratinho que queria ser cozinheiro. E o Boeuf Bourguignon (neste link encontramos a receita original) é um dos pratos que a Julie do filme “Julia e Julie” preparou. Quem viu o filme lembra que o segredo é enxugar a carne com papel toalha, o que realmente está na receita da Julia Child. Ela também diz que o prato fica mais gostoso no dia seguinte, o que o casal francês confirmou.

Na hora da sobremesa, pedimos Crepe Suzete e Profiteroles, feitos pelo “Chef” Stephan. O casal é parisiense e consegue administrar a pousada por conta própria, sem empregados.

Também comemos muito bem no Bar do Zé, que apesar do nome é um restaurante relativamente sofisticado. Aliás, o Zé, proprietário do restaurante, é um surfista gatíssimo de menos de 30 anos, que aprendeu a cozinhar enquanto lavava pratos e surfava na Austrália. O apelido Zé não tem nada a ver com seu nome real, Estevão.

Conhecemos as Praias Brava, João Fernandes e Geribá, que são maravilhosas. Aproveitamos mais a de Geribá por causa das ondas. As praias João Fernandes e Brava ficam bem perto da pousada. O mar de Búzios é uma delícia, embora seja bem frio, principalmente para quem está acostumado com as águas do nordeste.

Já na Barra da Tijuca tivemos uma surpresa. O mar, normalmente agitado, estava super tranquilo, parecia uma piscina em que só de vez em quando ligavam as ondas. A água estava cristalina e cheia de peixinhos. Uma maravilha!

Todo mundo solta

janeiro 22, 2010

(Por calcinha exocet)

Há algum tempo atrás um acórdão do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo deu ganho de causa a uma empregada que havia sido demitida por justa causa. Qual a justa causa? soltar pum no trabalho. É uma situação muito ridícula, e ainda fica mais quando a gente lê a decisão com termos tão rebuscados, como só o judiciário sabe produzir:

“Apesar de as regras de boas maneiras e elevado convívio social pedirem um maior controle desses fogos interiores, sua propulsão só pode ser debitada aos responsáveis quando deliberadamente provocada. A imposição dolosa, aos circunstantes, dos ardores da flora intestinal, pode configurar, no limite, incontinência de conduta, passível de punição pelo empregador. Já a eliminação involutária, conquanto possa gerar constrangimentos e, até mesmo, piadas e brincadeiras, não há de ter reflexo para a vida contratual.”

Em resumo, você pode peidar no trabalho, se for sem querer.

Ouvi sobre esse caso numa aula de direito do trabalho. Achei que o professor tinha inventado como recurso didático e fui verificar. Era verdade. O pior é que uma colega do meu lado ainda falou assim: “sabe que eu também tenho esse problema?” Depois se deu conta e ficou vermelhinha.

É incrível como uma coisa que é tão natural é tão tabu.

Mas na internet a gente acha até uma enciclopédia do peido com muita informação sobre o fenômeno, inclusive refererências a artistas perfomáticos do passado, como o francês Le Petomane, que ganhou dinheiro no final do século XIX fazendo o quê? soltando pum no Moulin Rouge. Agora tem um outro sujeito, Mr. Methane, que se apresentou no American Idols tocando Danúbio Azul com o orifício inferior.

Mas também achei um desenho animado sobre o hábito de soltar pum no trabalho. Adorei:

De batom vermelho e sem medo

janeiro 19, 2010

(por calcinha de cristal)

Assisti no GNT a um filme chamado Lipstick. É baseado no livro de Geralyn Lucas, “Why I Wore Lipstick To My Mastectomy“, que conta a vida da autora, no período em que teve câncer nos seios com apenas 27 anos.

Várias coisas me chamaram atenção no filme. A primeira delas, que justifica obviamente o título do livro, é que a protagonista passava batom vermelho para sentir coragem. Usou durante a mastectomia e depois, superado o câncer, durante o parto.

Achei legal isso, porque o batom vermelho andou meio estigmatizado, tinha gente (ainda tem) que achava (ainda acha) vulgar ou muito erotizado e aí muitas mulheres acabaram optando pelos tons mais claros, pra não arriscar. Eu adoro batom vermelho. Acho  uma afirmação da feminilidade. Uso sem medo. Daí porque entendo perfeitamente que a autora use o batom para se sentir corajosa.

a foto é da atriz do filme, não da escritora

Ela também usa o batom para ter coragem de posar para fotos em que mostrará, numa revista, o seio mastectomizado. Na cirurgia foi preciso remover o mamilo. A frase junto com a foto é muito bonita: “eu coloquei a tatuagem no fim da cicatriz porque ela termina onde meu coração (a minha coragem) começa.”

Um dos momentos mais interessantes do filme vem dessa questão da ausência do mamilo. Ela se pergunta por que está tão incomodada. Se é por ela mesma ou se é pelos outros, principalmente o marido. Neste momento me lembro dos milhões de mulheres que colocam implantes de silicone para se sentirem bem. Elas deveriam fazer a mesma pergunta. Afinal, a quem se quer agradar?

O câncer de mama é um fantasma que nos assombra muito, por ser um dos mais freqüentes, mas também por ser um câncer que ameaça nossa aparência de fêmea. É um tipo de câncer que atinge principalmente as mulheres, embora possa afetar uma pequena parte dos homens (mas isso não tem nada a ver com ser gay, como sugeriu o idiota do Roberto Requião).

Parece, como muitos outros tipos de câncer, haver um fator genético. No ano passado repercutiu o caso da atriz  Christina Applegate – estrela da série de TV “Samantha Who?”, exibida no Brasil pelo canal por assinatura Sony –  que passou por uma mastectomia dupla depois de ter sido diagnosticada com um câncer em um dos seios. Sua mãe havia lutado contra o câncer e sofrido muito e ela mesma possui o gene relacionado, provavelmente, à doença. Por isso decidiu fazer uma mastectomia preventiva do seio que ainda não tinha apresentado sinais de câncer.

A mensagem geral do filme “Lipstick”, e possivelmente do livro, é de que a vida continua apesar das cicatrizes. Uma mensagem bonita, do tipo auto-ajuda, e que realmente foi válida no caso de Geralyn Lucas. Mas isso me lembra um outro livro, de uma pessoa que também sofreu e foi curado do câncer. Neste, o autor afirma que manter-se “positivo” pode ser extremamente penoso quando se tem a legítima vontade de chorar e ter pena de si mesmo.

A atitude do tipo “não tenho mais os bicos dos seios, e no lugar ficou uma enorme cicatriz, mas foda-se!” tem que ser conquistada, para chegar a isso precisa percorrer um caminho, apontado pelos vários anjos de que fala Geralyn. E não são psicólogos (podem ser também), mas gente comum, como a drag queen ou o tatuador que ela encontrou durante seu sofrimento.

A propósito da tatuagem, também foi legal ver que esta tem sido usada para compensar a remoção do mamilo. A recriação de um “mamilo”, por meio de tatuagem, ou outra técnica, tem sido rejeitada.

Mas procurando por imagens para ilustrar este post deparei-me com a dura realidade. Muitas cirurgias deixam cicatrizes bastante deformantes, nada comparáveis com a fotografia da atriz na revista.

Férias!!

janeiro 3, 2010

As calcinhas estão de férias. Voltam logo!