Archive for março \29\UTC 2010

Lady Gaga, de volta para o futuro

março 29, 2010

(por calcinha comestível)

I want your psycho Eu quero tua insanidade
Your vertical stick Tua vara vertical
Want you in my rear window Te quero na minha janela dos fundos

Nada mais anos 80 que a Lady Gaga. Nada mais século XXI do que a Lady Gaga. Ela própria nasceu na década de 80 (1986). Então a sua óbvia influência dos músicos pop desta década, como  Cher, Cyndi Lauper, Madonna e Michael Jackson, não foram apreciados em primeira mão. Como muitas outras pessoas, os vazios anos 90 fizeram-na dar um passo atrás, para chegar ao século XXI, de volta para o futuro. Mas sua música não tem gosto de comida requentada. O verso “quero sua insanidade, sua vara vertical, na minha janela dos fundos” não poderia ser mais explícito, e ao mesmo tempo não poderia ser mais pudico, pois usa expressões indiretas para falar de uma sexualidade ousada. Acho o clipe da música “Bad Romance” erótico e ao mesmo tempo sarcástico. Claro, o cliente que compra a mulher no leilão acaba transformado em cinzas, com as mãos sobre o pau.  É uma vingança da mulher que teve que se expor em trajes eróticos, como uma calcinha fio dental, para ser vendida pelo melhor preço. O clipe diz muito sobre a própria Lady Gaga, que usa seu apelo sexual e o próprio corpo para vender seu produto musical. Ai de quem levar a sério a oferta, e esquecer que a Lady Gaga é pura fantasia, uma personagem criada por Stefani Joanne Angelina Germanotta com a ajuda de produtores competentes.

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Complemento

março 22, 2010

(por calcinha exocet)

Depois de escrever o post “Quando nossos pais envelhecem”, a revista Seleções fez uma matéria a respeito de Alzheimer e pude obter mais informações, como, por exemplo, quais sintomas são sinais de alerta:

  • Prejuízo da memória recente;
  • Confusão e desorientação;
  • Ansiedade, agitação, alucinações, desconfiança sem motivos reais;
  • Mudança da personalidade;
  • Perda do senso crítico;
  • Dificuldades com as atividades da vida diária: alimentar-se, tomar banho;
  • Dificuldade em reconhecer familiares e amigos;
  • Dificuldade em tomar decisões;
  • Perder-se em ambientes conhecidos;
  • Dificuldades com a fala e a comunicação;
  • Fala repetitiva;
  • Mudanças no humor e no comportamento;
  • Perda de iniciativa.

Conheço um professor de Educação Física que me narrou que a mãe dele começou a perder-se no caminho que fazia sempre para buscar o neto. Ela ficava confusa e não encontrava o caminho. Os sintomas foram ficando mais evidentes quando ela passou a não mais o reconhecer.

O diagnóstico dessa demência é um processo meticuloso: os exames da memória nem sempre captam as mudanças sutis dos primeiros estágios da doença e é fácil confundir os sintomas de Alzheimer com depressão e ansiedade. Clínicas especializadas em memória, com acesso a psicólogos, terapeutas ocupacionais e modernos exames por imagem, têm taxa de exatidão em torno de 90%. Mas, segundo a revista, a maioria das pessoas tem a doença bem avançada quando recebe o diagnóstico.

A matéria informa como devemos evitar a doença com sete dicas:

  1. Cuide da mente: mantenha o cérebro ativo, aprendendo; leia; faça trabalhos manuais e aprenda coisas novas; se envolva em atividades sociais.
  2. Cuide da alimentação: reduza as gorduras saturadas e coma alimentos ricos em vitaminas e antioxidantes.
  3. Cuide do corpo: faça pelo menos 30 minutos de exercício por dia.
  4. Faça exames médicos regularmente para verificar a pressão arterial, o nível de colesterol e a glicose no sangue.
  5. Construa relações sociais.
  6. Durma bastante, não beba demais e não fume.
  7. Evite lesões da cabeça, usando cinto de segurança e evitando quedas.

A beta-amiloide é uma proteína agregadora que existe no cérebro. Mas, por motivos que não compreendemos, nas pessoas com Alzheimer ela se acumula e forma placas que destroem os neurônios.  A maioria dos cientistas têm encaminhado seus pesquisas para a eliminação dessa proteína, assim, acreditam que talvez seja possível reverter a enfermidade.

Há várias terapias novas  que utilizam anticorpos monoclonais para encontrar e impedir os acúmulos da proteína. Outro remédio promissor é o Dimebon, anti-histamínico, que age nas mitocôndrias, as minúsculas “pilhas” que dão energia aos neurônios, impedindo que morram. Caso tenham mais curiosidade sobre o assunto, a revista Seleções é do mês de março, 2010.

Porra, Maurício!

março 14, 2010

(por calcinha comestível)

Eu cresci lendo gibis da Turma da Mônica. Às vezes achava meio esquisita a brutalidade explícita da Mônica.  Mas ria muito das historinhas politicamente incorretas. Agora voltei a rir lendo o blog Porra, Maurício. É uma deliciosa viagem ao passado, com as tirinhas originais comentadas com um humor às vezes cáustico, às vezes simplesmente bobo. O blog tem feito um enorme sucesso, em parte pelo fato de que a turma tem muitos fãs. Mas também pela sacada deliciosa de podermos fazer uma leitura coletiva das aventuras da turma.

Quando nossos pais envelhecem…

março 10, 2010

(por calcinha exocet)

O ano de 2010 está sugando minhas energias e meu tempo. Por isso ando sumida do blog. Poucas receitas, pouco assunto e muito trabalho. Hoje consegui retornar para falar de como a vida passa rápido. E, de repente, temos nossa mãe precisando da gente. E é um prazer imenso ser-lhe útil. Gostaria tanto de ter mais tempo para ficar conversando, recordando nosso passado juntas, ouvindo suas histórias da mocidade, ler para ela os livros maravilhosos que li, contar-lhe o que a vida me ensinou e como foi difícil aprender.

Ah, por que a nossa vida em sociedade exige tanto da gente? O tempo está cada vez menor! Tantas tarefas em nossa vida! Como posso retribuir o amor, a dedicação e a paciência que ela teve? Ter uma mãe é uma experiência fantástica em minha vida. Também sou mãe e por isso aprendi a valorizar a minha. Hoje mais madura posso vê-la como um ser humano que cometeu erros por imaturidade e que acertou muitas vezes por experiência e intuição.

Esta senhora nos seus 80 anos sempre foi independente e autossuficiente e agora precisa de mim! E não pensem que está gostando dessa ideia. Ao contrário, mesmo com diabete, hipertensa, teima em morar sozinha. Reclama que ligo todos os dias para saber como está. Semana passada se não fosse à sua residência não saberia que estava deitada o dia todo e sem comida em casa porque a glicemia estava alta. Tornou-se uma filha turrona, portanto, estou aprendendo a exercitar a compreensão e a paciência.

Minha amiga, calcinha romântica, passou há uns três anos atrás pela experiência de cuidar do pai que está doente. Não foi fácil para ela porque ele está com a doença Demência com Corpus de Levy. Dessa experiência nasceu um conto muito sensível que me fez chorar e que participou de um concurso de contos do Rio, promovido pelo jornal O Globo, em 2007. Chama-se A Primeira Vez.

Conversando com essa mesma amiga sobre a fase que vivencio com minha mãe e a situação do pai dela, ela me falou do filme argentino “O filho da noiva”. No filme o protagonista é um quarentão em crise, cuja mãe sofre de alzheimer.  Peguei o filme para ver neste final de semana e me dei conta de que já o tinha visto. Embora seja uma história marcante, só agora vendo pela segunda vez me tocou mais profundamente. A memória é um dos assuntos principais do filme. Chamou-me a atenção a cena do casamento em que o filho pergunta para a mãe se ela o ama, e ela responde que sim, e se ela ama o pai, ao que ela também diz sim. Embora ela muitas vezes não reconheça sua família, é como se o amor fosse mais forte e inesquecível. Mas fiquei pensando que isso é um pouco de romantismo.  Talvez a doença possa apagar completamente o sentimento de amor. E isso é uma das coisas que me angustia, pensar que podemos esquecer o imenso amor que sentimos por alguém. Isso realmente seria ainda pior do que esquecer o nome ou não reconhecer esse alguém. Um outro filme, canadense, também é sobre o alzheimer, “Um amor mais forte que o esquecimento“, e fala sobre o efeito desta doença no sentimento de amor, no caso o amor de uma esposa pelo seu marido, que é esquecido por ela. Mas o amor pelo marido, por mais forte que seja, não se compara ao amor pelo filho.

Infelizmente, acredito, esta terrível doença não faz distinção e é capaz de também fazer sumir este sentimento direcionado. Penso que a capacidade geral de amar e a necessidade de ser amado não desaparece. Então podemos reconquistar a cada minuto o amor da pessoa vítima de alzheimer e fazê-la se sentir amada. Como os personagens Nino e o filho, do filme argentino, e o personagem Grant, do filme canadense.

Dia da mulher

março 8, 2010

(por calcinha comestível)

O dia 8 de março, como todos sabem, é o dia da mulher. Não é um dia de festa, ou não é só um dia de festa, é um dia principalmente de luta contra a violência e pela igualdade de direitos.

Não é certa a origem da data escolhida. Houve um incêndio numa fábrica em Nova Iorque, em 1910, que matou 146 costureiras, vítimas de péssimas condições de trabalho.  Em geral, no imaginário popular, este fato é lembrado como a referência para a data. Mas o incêndio aconteceu no dia 25 de março.

No dia 08 de março de 1857 houve um protesto de mulheres, em Nova Iorque, por melhores condições de trabalho. Mas parece que não houve incêndio, muito menos incêndio criminoso. Não importa, o que interessa é o simbolismo. Ouço alguns homens e até mulheres dizendo que esse dia não se justifica e que deveria ter um dia do homem também. É ridículo, homens não são discriminados ou são vítimas de violência só por serem homens.