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Onde encontrar a verdade?

agosto 16, 2010

Por calcinha exocet

É incrível como perto das eleições as pessoas contam as histórias mais cabeludas sobre os candidatos. Penso até onde essas histórias podem chegar. Na sexta-feira, fui ao salão de beleza e, como sou curiosa,  perguntei à manicure qual seria seu candidato à presidência. Surpreendi-me ao saber que ela ia anular o voto. Compartilhei com ela minha frustração com os candidatos. Aí ela se sentiu à vontade e disse-me que a candidata Dilma era uma assassina.

Na aula de Direito Penal, o professor fez referência à ela como terrorista que joga bomba em banco. Pesquisando na internet, encontrei todo tipo de boato. Um que chama a atenção é “Mário Kosel foi assassinado por Dilma Roussef” e  teria sido escrito por um Almirante chamado Kleber Luciano de Assis. Dilma, segundo o post, seria uma das duas mulheres que estavam dentro de um carro que jogou a bomba em cima do soldado Kosel, que teria morrido sem a menor chance de se defender, porque estaria de costas averiguando uma veículo que colidiu com um poste.

Encontrei comentários sobre essa informação  no Portal Luís Nassif. Um texto de Paschoal Fiscal critica a onda de boatos a respeito da candidata Dilma e linka o texto do blogueiro da revista Veja, Reinaldo Azevedo, para relatar que até pessoas razoavelmente informadas caíram na história de difamação da Dilma. Reinaldo Azevedo relaciona as organizações das quais a candidata fez parte com a morte do soldado do Exército, Mário Kosel Filho, em 26/06/68; de Noel de Oliveira Ramos, civil, em 27/06/68; de Charles Rodneu Chandler, Capitão do Exército, em 12/10/68; entre outros.

Em um país democrático, o mínimo que deveria ser feito seria o Estado promover a verdade. Acho um absurdo matérias como essas, que confundem o eleitor. Para votarmos, precisamos saber a verdade. É urgente que todos os documentos dessa época sejam abertos ao público, precisamos saber a verdadeira história. A criação de uma “comissão da verdade” foi proposta pela própria administração do PT na Secretaria de Direitos Humanos, o que foi muito criticado por uma parte da imprensa e por alguns militares. Seria, por outro lado, importante que autores de matérias falsas sofressem duras sanções. E que alguma instituição, com credibilidade, tivesse o compromisso de expor a verdade sobre os fatos por meio de documentos, provas etc. Isso é possível ou estou alucinando?

Talvez parte da verdade pudesse ser encontrada se finalmente fossem liberados os arquivos e documentos secretos produzidos pelos órgãos de repressão durante a ditadura militar. Estes documentos estiveram sob a responsabilidade da Casa Civil da Presidência, ou seja, da própria então Ministra Dilma Rousseff. Mas parece que não há vontade política para que a verdade seja divulgada, como se vê em matéria da revista Carta Capital. Os documentos deram uma grande volta para acabar de novo nas mão dos militares.

Não vou votar na candidata Dilma, mas não é por causa dessas histórias. Ainda que fossem verdadeiras, teria apenas mais um motivo para não votar nela. Também não votarei no Serra. Ainda vejo a possibilidade de votar em outro que não sejam estes. A verdade é que nunca fiquei tão sem opção.

Jogue a primeira pedra

agosto 4, 2010

Por calcinha exocet


Está no alcorão:

“Quanto à adúltera e ao adúltero, vergastai-os com cem vergastadas, cada um; que a vossa compaixão não vos demova de cumprir a lei de Deus, se realmente credes em Deus e no Dia do Juízo Final. Que uma parte dos fiéis testemunhe o castigo.”

A pena é para homens e mulheres. E não se fala em apedrejamento. Como muita gente sabe, a pena de apedrejamento era comum no tempo de Cristo, como mostra o episódio com a Madalena, o famoso “atire a primeira pedra”. Depois que Cristo falou isso, muita gente na época se tocou e parou de jogar pedra nos outros. Mas no Irã ainda acontece, não porque está no texto religioso mulçumano. Está no Código Penal. (Para saber mais).

O Presidente Lula andou falando muita bobagem sobre isso. Primeiro disse que seria uma avacalhação se todo mundo se metesse nas leis dos outros países. Mas o respeito aos direitos humanos está acima das leis locais, merecendo críticas qualquer país que ignora estes direitos, principalmente se por meio de leis cruéis. Depois o Lula ofereceu asilo à condenada do Irã, se a “moça estivesse incomodando”. Fez piada, como se o assunto não fosse sério. Finalmente, disse que era contra a pena de apedrejamento por ser Cristão. Tudo bem que Cristo também foi contra o apedrejamento, mas falando desse jeito, parece que é uma questão religiosa. Não é. Como vimos, isso não está no texto sagrado dos muçulmanos. Está na cabeça doentia de alguns homens que odeiam mulheres.  E que incitam o fanatismo na mente do povo apenas para se manter no poder, por meio da força, do medo.