Onde encontrar a verdade?

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Por calcinha exocet

É incrível como perto das eleições as pessoas contam as histórias mais cabeludas sobre os candidatos. Penso até onde essas histórias podem chegar. Na sexta-feira, fui ao salão de beleza e, como sou curiosa,  perguntei à manicure qual seria seu candidato à presidência. Surpreendi-me ao saber que ela ia anular o voto. Compartilhei com ela minha frustração com os candidatos. Aí ela se sentiu à vontade e disse-me que a candidata Dilma era uma assassina.

Na aula de Direito Penal, o professor fez referência à ela como terrorista que joga bomba em banco. Pesquisando na internet, encontrei todo tipo de boato. Um que chama a atenção é “Mário Kosel foi assassinado por Dilma Roussef” e  teria sido escrito por um Almirante chamado Kleber Luciano de Assis. Dilma, segundo o post, seria uma das duas mulheres que estavam dentro de um carro que jogou a bomba em cima do soldado Kosel, que teria morrido sem a menor chance de se defender, porque estaria de costas averiguando uma veículo que colidiu com um poste.

Encontrei comentários sobre essa informação  no Portal Luís Nassif. Um texto de Paschoal Fiscal critica a onda de boatos a respeito da candidata Dilma e linka o texto do blogueiro da revista Veja, Reinaldo Azevedo, para relatar que até pessoas razoavelmente informadas caíram na história de difamação da Dilma. Reinaldo Azevedo relaciona as organizações das quais a candidata fez parte com a morte do soldado do Exército, Mário Kosel Filho, em 26/06/68; de Noel de Oliveira Ramos, civil, em 27/06/68; de Charles Rodneu Chandler, Capitão do Exército, em 12/10/68; entre outros.

Em um país democrático, o mínimo que deveria ser feito seria o Estado promover a verdade. Acho um absurdo matérias como essas, que confundem o eleitor. Para votarmos, precisamos saber a verdade. É urgente que todos os documentos dessa época sejam abertos ao público, precisamos saber a verdadeira história. A criação de uma “comissão da verdade” foi proposta pela própria administração do PT na Secretaria de Direitos Humanos, o que foi muito criticado por uma parte da imprensa e por alguns militares. Seria, por outro lado, importante que autores de matérias falsas sofressem duras sanções. E que alguma instituição, com credibilidade, tivesse o compromisso de expor a verdade sobre os fatos por meio de documentos, provas etc. Isso é possível ou estou alucinando?

Talvez parte da verdade pudesse ser encontrada se finalmente fossem liberados os arquivos e documentos secretos produzidos pelos órgãos de repressão durante a ditadura militar. Estes documentos estiveram sob a responsabilidade da Casa Civil da Presidência, ou seja, da própria então Ministra Dilma Rousseff. Mas parece que não há vontade política para que a verdade seja divulgada, como se vê em matéria da revista Carta Capital. Os documentos deram uma grande volta para acabar de novo nas mão dos militares.

Não vou votar na candidata Dilma, mas não é por causa dessas histórias. Ainda que fossem verdadeiras, teria apenas mais um motivo para não votar nela. Também não votarei no Serra. Ainda vejo a possibilidade de votar em outro que não sejam estes. A verdade é que nunca fiquei tão sem opção.

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