Archive for setembro \28\UTC 2010

Brasília poluída

setembro 28, 2010

Por calcinha exocet

Quem mora em Brasília há muito tempo sabe que, embora todo ano a gente conviva com um período de névoa seca, nunca ficou como neste ano, uma fumaça encobrindo o horizonte há vários dias. Hoje o cenário ficou horrível de vez. Uma verdadeira tempestade de poeira (aqui não tem areia) encobriu boa parte da cidade. Eu vi e fiquei muito assustada, apesar do Instituto de Meteorologia ter-se negado a reconhecer o fato como uma verdadeira tempestade de poeira.

Não bastasse a poluição política…

O fenômeno de hoje lembrou o acontecido na década de 30 nos Estados Unidos, que ficou conhecido como Dust Bowl (taça de poeira). Anos de desmatamento desenfreado para ceder espaço à agricultura resultou em dez anos de seca e tempestades de poeira. A tragédia só acabou, depois de um tempo, quando foi executado um gigantesco plano de recuperação da cobertura vegetal. Quando vamos nos dar conta de que o mesmo pode acontecer por aqui?

Outros países emergentes, como a China, estão enfrentando problema semelhante.

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Supremo Poeta

setembro 22, 2010

(calcinha de cristal)

Hoje vi uns pedacinhos do julgamento do recurso do Roriz no STF. Ouvir o poeta Carlos Ayres Britto é sublime. Ele disse claramente: a probidade não pode esperar. E quem fizer a probidade esperar é cumplice.

Mas os Ministros que horRORIZam não se envergonharam. O Cesar Peluso apelou geral. Disse que a Lei da Ficha Limpa seria inconstitucional, por vício formal no processo legislativo. Não satisfeito em liberar a candidatura do  Roriz, agora quer liberar geral, quer acabar com a ficha limpa. Revoltante.

“É um salto triplo carpado hermenêutico” disse o poeta para se referir ao malabarismo jurídico do colega. A maioria riu.

Mas infelizmente a voz do poeta não é ouvida por quem só tem ouvidos para a grana.

“Ao direito não basta levantar cerca para as ovelhas, é preciso gradear os lobos” disse o Ministro. Mas eles estão lá, soltos, pertinho dele.

Lady Gaga II

setembro 4, 2010

Por Calcinha Comestível

Ninguém leva a sério quando digo que sou fã da Lady Gaga, nem eu mesma. Nem ela se leva a sério, e acho que boa parte do sucesso dela vem daí. Assisti a um pedacinho de uma  entrevista à Oprah. Não tenho muita paciência para assistir mais que uns segundos de Oprah. Mas nesses segundinhos vi uma Lady Gaga quase sem maquiagem (comparado ao que ela usa) e, de exótico, só a peruca porco-espinho. Mas encontrei a mulher muito doce que se esconde por baixo de uma fantasia SDM. Depois vi que a entrevista foi há uns meses, daí a preocupação dela com o Haiti. Tinha ficado sensibilizada que ela ainda estivesse preocupada com as vítimas quando a mídia já não dá mais atenção ao tema, mas foi só mais uma ilusão.

De qualquer forma, ela não me parece de forma nenhuma burra ou superficial. Pelo contrário. Apesar do apelo comercial do produto “Lady Gaga”, eu acredito que ela estava sendo sincera quando na entrevista disse que, com seu trabalho, ela quer que as pessoas se libertem:  “Quero que elas tenham orgulho de ser quem são, quero que elas celebrem todas as coisas de que não gostam em si mesmas, assim como eu fiz, e ser verdadeiramente felizes por dentro”, disse uma Lady Gaga cheia de lágrimas nos olhos, referindo-se a uma platéia de “monstrinhos”, como disse a Oprah, fãs (homens e mulheres) fantasiados de Gaga.

Achei curiosa a mensagem final: “sejam bons com os seus pais, tenham uma ótima relação com eles”, e se derreteu em elogios ao próprio pai.  Algo incomum para celebridades. Aliás, ela disse que não se enturma muito com as outras celebridades e se sente meio isolada.

A mensagem dela é realmente uma mensagem de liberdade, de que você pode ser o que for, exótica, sexy, brega, sofisticada, rebelde.

Espero que o sucesso continue e que ela mantenha a cabeça sobre os ombros, apesar do peso das perucas e acessórios.