“Só nos curamos do sofrimento vivenciando-o por inteiro”, Marcel Proust.

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Tem havido tanta ênfase na felicidade em nossa sociedade que está difícil alguém definir o que realmente é a felicidade. As propagandas de produtos na mídia em geral sobrecarregam nossas mentes com conceitos vazios de felicidade. E o pior que nossas crianças crescem com o conceito de que consumir traz felicidade. Muitos teóricos do século XX abordaram criticamente a sociedade do consumo, a felicidade moderna, a sociedade do espetáculo etc. Outros mais antigos como o filósofo grego, Aristóteles, também trabalhou com a ideia de felicidade, mas para ele a felicidade não se baseava nos prazeres sensoriais, e sim na integridade e completude do ser. O pensamento positivo e autoestima são outros elementos que nossa moderna sociedade busca freneticamente. Alguém já parou para pensar que só sentimos felicidade porque conhecemos a tristeza?

Conhecemos pessoas que atraem amizades, parceiros, porque sempre estão rindo, têm alto astral perante a vida, são inteligentes, informadas e comunicativas. Perfeito demais. Sabemos que as emoções positivas são mais agradáveis e é mais fácil conviver com elas, mas é normal sentirmos às vezes tristeza ou desapontamento.

Quando o tempo passa, podemos conhecer melhor as pessoas, assim a constante alegria, o pensamento superpositivo e autoestima elevada de repente desaparecem, mesmo que seja por alguns segundos. Então percebemos que são humanas tanto quanto nós! O que fazem é utilizarem-se da excessiva alegria como um artifício para esconder suas tristezas, desesperos, dúvidas ou desânimos. Todo excesso um dia transborda e então vemos a realidade. O resultado não poderia ser outro, remédios controlados, calmantes e muita terapia.

Nossa sociedade não sabe conviver com a tristeza. E se estamos com alguém que está com problemas ou que se encontra triste, nos afastamos. Hoje não mais suportamos a tristeza, o pesar do outro, talvez, porque o outro nos coloque em contato com nós mesmos.

A tristeza é uma emoção tão autêntica quanto a felicidade, de acordo com Hugh Mackay, psicólogo. Ele afirma que os momentos de alegria, de contentamento que às vezes nos inunda a alma, só fazem sentido por criarem um contraste com as experiências de desapontamento, sofrimento ou tristeza e até mesmo com os momentos que sentimos o peso da rotina tediosa.

Permita-se ficar triste, desapontado, angustiado às vezes, pois essas emoções fazem parte de nossas vidas e podem nos ensinar muito sobre nós.

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