O País das Neves

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Hoje assistindo ao Bom Dia Brasil, soube de uma nevasca no Japão que matou umas 50 pessoas. Coincidentemente terminei a leitura do livro O País Das Neves, de Yasunari Kawabata, que trata da história de uma gueixa, Komako, que realmente existiu. Na ficção, Komako vive numa vila termal localizada nas montanhas. Muitas vezes encontramos o relato, entre os personagens principais, sobre  as nevascas e a neve que chega a 3 m de altura, tal qual a notícia afirmou pela manhã, no Bom Dia Brasil.

Parece que Kawabata escreveu esta obra na década de 1960. É impressionante a descrição da obra e o relato de hoje pelo jornal serem iguais! É como se desde 1960 nada houvesse mudado. Parece-me que as vilas do País das Neves estão paradas no tempo. As mesmas dificuldades como a desobstrução dos trilhos, o trabalho dos bombeiros e do povoado para abrir passagem na neve de 2,5m ou 3m. Vejamos um trecho da ficção:

“Shimamura continuava aquecido pelo calor do trem e ainda não sentia o frio que fazia ali fora, mas por nunca haver experimentado o inverno do País das Neves, a primeira coisa que lhe chamou a atenção foi o traje das pessoas daquele lugar.

– É tão frio assim para se vestirem desse jeito?

– É, já estamos preparados para o inverno. É muito fria a noite, após uma nevasca, que antecede um dia de tempo bom. Esta noite já deve estar abaixo de zero…

– Isso aqui é abaixo de zero? – Olhando as graciosas estalactites de gelo dos beiras do telhado, Shimamura entrou no carro com o encarregado da hospedaria. A cor da neve deixava ainda mais profundos os telhados já baixos das casas, como se a vila tivesse mergulhado silenciosamente na neve.

– Qualquer coisa que se toca é muito gelada.

– No ano passado, chegou a vinte graus abaixo de zero.

– E a neve?

– Normalmente fica entre dois metros e dois e meio, mas quando neva bastante passa de três metros e meio.”

Kawabata é um especialista ao descrever personagens reais, mesmo a gente sabendo que a maioria deles nunca existiu. São personagens complexos e misteriosos, paradoxais. Komako, sendo uma gueixa que existiu na vida real, é extremamente complexa. Algumas vezes me peguei irritada com ela, por causa de seus modos inconstantes.

A descrição da paisagem e da mulher é profundamente poética. Cada vez que leio uma de suas obras me encanto com seu estilo. Um estilo bem diferente do que estou acostumada. Ler é realmente uma descoberta.

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