Archive for the ‘comportamento’ Category

Comédia = tragédia + tempo

outubro 9, 2012

Um amigo ouviu no rádio uma entrevista com a comediante americana Tig Notaro. Três dias depois de saber que estava com câncer em ambos os seios, ela resolveu contar isso num show de stand up comedy. “Isto é uma coisa muito pessoal, gente, relaxem. Eu tenho câncer, obrigado, eu tenho câncer”, disse ela ao som de gargalhadas. Ela contou que a ideia veio quando estava tomando banho e pensando em como contaria ao público. Quando se imaginou contando no meio da comédia, riu às gargalhadas. Então, sem pensar muito, resolveu que seria assim. “Fiz uma biópsia, uma terrível experiência, dolorosa, invasiva, cheguei em casa com muita dor, sem poder me mexer, e pensei: é melhor que seja câncer!” Novas gargalhadas, um pouco de constrangimento, algumas pessoas sérias. “Relaxem, pessoal, vai ficar tudo bem. Isto é, vai ficar tudo bem com vocês, comigo não sei o que vai acontecer”. Mais gargalhadas. Contando, não dá para entender como foi um show maravilhoso. Um trechinho dele pode ser ouvido aqui. E o show inteiro (áudio) pode ser comprado aqui.  Ela descobriu que estava com câncer um ano depois de perceber algo diferente nos seios, mas demorou para se submeter à mamografia. Ela conta que o médico a apalpou e disse “isso parece um caroço”, e ela respondeu “não doutor, isso é meu seio”. “Bom, parece que tem um outro caroço neste aqui também”. “Não doutor, isto é o meu outro seio”. Apesar da natureza agressiva do tumor, após a mastectomia dupla a comediante está confiante na recuperação e, aparentemente, o câncer não se espalhou.

Decisão da Justiça sobre estupro envergonha o país

abril 7, 2012

Assino embaixo. Estou indignada!!!!

Em nosso nome

Miriam Leitão, O Globo

É tão asqueroso que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) absolva um homem acusado de estupro de três meninas de 12 anos com o argumento que elas se “prostituíam” que tentei evitar o assunto.

Nós nos acostumamos a ver abusos assim pela Justiça de países distantes, como no Afeganistão, onde uma mulher foi presa pelo delito de ter sido estuprada. Esse ato nos igualou aos piores países para as mulheres.

Estupro é estupro senhores ministros e senhoras ministras do STJ. Isso é crime. Sexo de adultos com menores é crime. Nesse caso, há os dois componentes de uma perversidade. Quando um tribunal “superior” aceita atos tão inaceitáveis é o país como um todo que se apequena.

Há momentos em que não reconhecemos o país em que vivemos. Este é um deles.

Não reconheço nesta decisão o país que aprovou a Lei Maria da Penha criminalizando a violência dita “doméstica”.

Não reconheço aí o país em que governo e ONGs, sociedade e imprensa, se uniram num pacto não escrito contra a exploração sexual infantil. Não reconheço o país que aprovou o Estatuto da Criança e do Adolescente e o preservou contra todas as críticas. Não reconheço o país que instalou, em inúmeras cidades, delegacias da mulher, nas quais, com a ajuda de psicólogos e policiais, a vítima tem sido ajudada no doloroso processo de falar sobre a humilhação vivida.

O argumento de que elas se prostituíam, e, portanto, o réu pode ser absolvido, é preconceituoso. A prostituta mesmo adulta não pode ser forçada ao que não aceitou.

Meninas que se prostituem aos 12 anos comprovam que o país errou, a sociedade não as protegeu, as escolas não as acolheram, o Estado fracassou. É uma falha coletiva e não apenas das famílias.

Elas são vítimas por terem se prostituído, são vítimas porque foram violentadas, são vítimas porque um tribunal superior deu licença ao criminoso.

O Brasil está sendo condenado internacionalmente. Na quinta-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos criticou o Brasil por estar “revogando” os direitos humanos das menores. Merecemos o opróbrio.

Não foi uma decisão impensada. Foi a confirmação pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça da decisão tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que confirmava a sentença de um juiz. Era a terceira instância. No voto, a relatora ministra Maria Thereza de Assis Moura diz que as vítimas não eram “ingênuas, inocentes, inconscientes a respeito de sexo”.

Diante da repercussão nacional e internacional do assunto, o STJ, na quinta-feira, soltou uma nota dizendo que a decisão “não institucionaliza a prostituição infantil”. Pois parece. Por mais que em jurisdiquês se tente minimizar ou relativizar a decisão, em algum momento na frente, algum juiz, ou tribunal, recorrerá a este caso como jurisprudência.

Na nota, o STJ diz que não aceita as críticas que “avançam para além do debate esclarecido sobre questões jurídicas, atacam de forma leviana a instituição, seus membros, sua atuação jurisdicional”.

Que debate “esclarecido sobre questões jurídicas” poderia justificar tal disparate? Uma sociedade civilizada que sabe que é responsável pela proteção de pessoa vulnerável, que reconhece a violência que desde sempre se abate sobre mulheres, que combate a pedofilia, não pode aceitar uma decisão como esta.

Perder-se em questiúnculas jurídicas é o caminho mais rápido para não ver a dimensão da escolha que está sendo tomada em nome da sociedade brasileira. Eu, brasileira, confesso, me envergonho dela.

Como hoje é dia do jornalista, quero comentar nesse espaço outra decisão — com nenhuma relação com o caso acima — que foi tomada em nome da sociedade. Desta também me envergonho. O Brasil ficou contra um plano de ação da ONU contra mortes de jornalistas. O projeto era criar um sistema de vigilância e alerta para os profissionais em risco.

É óbvio que é preciso proteger os jornalistas que acabam morrendo em conflitos nos quais estão registrando os fatos. Há outras circunstâncias, mesmo quando não há um conflito, em que o jornalista vira vítima por incomodar alguém, ou um grupo, com o que noticia. O Brasil se juntou à Índia e ao Paquistão para derrotar a aprovação do plano de ação da ONU.

A notícia foi divulgada na semana passada, mas tomada numa reunião do dia 22 e 23 de março, em Paris. Como os três países não deram seu apoio imediato, a implantação do programa de proteção aos jornalistas ficou para 2013. Quase mil jornalistas foram mortos nos últimos 20 anos.

O Itamaraty costuma embrulhar decisões equivocadas em tortuoso diplomatês. Afirma que não discorda do mérito, mas da forma que foi negociado, ou de alguma vírgula, ou de algum termo.

Nesse caso, disse que não é contra o plano para proteger jornalistas, apenas não concordou com certas palavras e expressões usadas no texto.

Que os diplomatas então tirem a dúvida durante o processo de negociação, que saibam separar o essencial do supérfluo e que escolham o que parece natural.

O país no qual comecei a exercer a profissão tinha censura à imprensa e jornalistas podiam morrer sob tortura por discordar do regime. Hoje, felizmente, isso é passado. Exatamente pelo avanço das últimas décadas, o Brasil tem que estar ao lado de países que querem dar mais — e não menos — proteção aos jornalistas.

Os dois casos estão em esferas diferentes, mas neles se vê o mesmo erro. Autoridades se perderam em firulas — jurídicas, num caso; diplomáticas, no outro — e não viram toda a dimensão da decisão que tomaram em nome dos brasileiros.

A decisão cabe a elas

abril 2, 2012

por Calcinha de Cristal

Fiquei um tempão sem escrever por aqui. Blog é uma coisa que envolve muito e, por falta de tempo, a gente acaba priorizando outras coisas. Mas tem um assunto que me motivou a voltar. Semana que vem está marcado, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento de uma ação proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde – CNTS em favor do direito das mulheres optarem por não continuar a gravidez no caso de anencefalia, uma má formação do feto, que não desenvolve as estruturas cerebrais.

Acho uma crueldade, uma violência, uma indignidade obrigar a mulher a levar a gestação até o parto de um feto que, inclusive legalmente, já está morto. A morte cerebral é considerada a morte do indivíduo, autorizando a doação dos órgãos, conforme a Resolução 1480/1997 do Conselho Federal de Medicina. Este é o raciocínio de Carlos Ayres Britto em seu voto, no qual lembra o trecho da música Pedaço de Mim, de Chico Buarque: “A saudade é o revés de um parto. É arrumar o quarto do filho que já morreu”.

Quem matou o feto não foi a mulher que o leva no ventre. Foi a natureza que falhou. A polêmica decorre de um misto de conceitos religiosos e puro desrespeito à mulher. A mulher que quiser optar por esperar o traumatizante e inútil parto é livre para fazê-lo, se assim sua consciência ou seus sentimentos religiosos determinarem. Mas aquelas que não quiserem devem ter sua vontade respeitada.

Pesquisando para este post, encontrei vários blogs de cunho religioso, com fotos apelativas e histórias de crianças que teriam sido diagnosticadas com anencefalia e que sobrevivem há vários anos.  Acontece que existem outros casos de malformação do sistema nervoso que não se confundem com anencefalia, como o de um bebê frequentemente citado pela Igreja como exemplo de um caso de anencefalia em que a criança sobreviveu. O diagnóstico de anencefalia é preciso e o prognóstico é certo: a morte do feto assim que deixar o útero da mãe. A falta de estruturas nervosas essenciais não permite que o feto respire sozinho.

Espero que as Ministras e os Ministros do STF estejam sob a luz da mesma sabedoria do processo sobre experiências com células tronco.

“Só nos curamos do sofrimento vivenciando-o por inteiro”, Marcel Proust.

novembro 27, 2011

Tem havido tanta ênfase na felicidade em nossa sociedade que está difícil alguém definir o que realmente é a felicidade. As propagandas de produtos na mídia em geral sobrecarregam nossas mentes com conceitos vazios de felicidade. E o pior que nossas crianças crescem com o conceito de que consumir traz felicidade. Muitos teóricos do século XX abordaram criticamente a sociedade do consumo, a felicidade moderna, a sociedade do espetáculo etc. Outros mais antigos como o filósofo grego, Aristóteles, também trabalhou com a ideia de felicidade, mas para ele a felicidade não se baseava nos prazeres sensoriais, e sim na integridade e completude do ser. O pensamento positivo e autoestima são outros elementos que nossa moderna sociedade busca freneticamente. Alguém já parou para pensar que só sentimos felicidade porque conhecemos a tristeza?

Conhecemos pessoas que atraem amizades, parceiros, porque sempre estão rindo, têm alto astral perante a vida, são inteligentes, informadas e comunicativas. Perfeito demais. Sabemos que as emoções positivas são mais agradáveis e é mais fácil conviver com elas, mas é normal sentirmos às vezes tristeza ou desapontamento.

Quando o tempo passa, podemos conhecer melhor as pessoas, assim a constante alegria, o pensamento superpositivo e autoestima elevada de repente desaparecem, mesmo que seja por alguns segundos. Então percebemos que são humanas tanto quanto nós! O que fazem é utilizarem-se da excessiva alegria como um artifício para esconder suas tristezas, desesperos, dúvidas ou desânimos. Todo excesso um dia transborda e então vemos a realidade. O resultado não poderia ser outro, remédios controlados, calmantes e muita terapia.

Nossa sociedade não sabe conviver com a tristeza. E se estamos com alguém que está com problemas ou que se encontra triste, nos afastamos. Hoje não mais suportamos a tristeza, o pesar do outro, talvez, porque o outro nos coloque em contato com nós mesmos.

A tristeza é uma emoção tão autêntica quanto a felicidade, de acordo com Hugh Mackay, psicólogo. Ele afirma que os momentos de alegria, de contentamento que às vezes nos inunda a alma, só fazem sentido por criarem um contraste com as experiências de desapontamento, sofrimento ou tristeza e até mesmo com os momentos que sentimos o peso da rotina tediosa.

Permita-se ficar triste, desapontado, angustiado às vezes, pois essas emoções fazem parte de nossas vidas e podem nos ensinar muito sobre nós.

Beleza + inteligência: celebridades contra as plásticas

agosto 20, 2011

Três atrizes britânicas uniram-se, em Hollywood, a favor de uma campanha contra cirurgias plásticas. Kate Winslet, Emma Thompson e Rachel Weisz criaram a “Liga Britânica Contra a Cirurgia Plástica”.

Aos 35 anos, Kate disse em entrevista ao jornal inglês “The Telegraph”, que ela e as amigas resolveram tornar-se ativistas contra a pressão de Hollywood para que as mulheres façam cirurgias plásticas.

“Eu nunca cederei”, disse. “Vai contra os meus princípios, contra a maneira como os meus pais me educaram e contra o que eu considero a beleza natural. Eu sou uma atriz. Não quero congelar a expressão do meu rosto”, disse a estrela.

Emma Thompson concorda em gênero, número e grau. “Eu não vou mexer em nada no meu corpo. Nós vivemos em uma sociedade louca pela juventude, na qual todo mundo tem que parecer ter 30 anos quando tem 60.” Já Weisz afirmou que as pessoas que parecem perfeitas demais “não são sexy ou particularmente bonitas”.

fonte

Adolescência

junho 29, 2011

(Por Calcinha de Oncinha)

Diogo, meu sobrinho de 16 anos, está numa fase introspectiva. Ele se tranca no quarto e passa boa parte do dia no computador e quando finalmente sai do quarto, não conversa com os familiares. Não gosta muito de se expressar por palavras e, às vezes, se comunica por meio de gestos e expressões faciais. O pai dele, meu irmão, fica aflito porque não consegue dialogar com ele. Disse-me que sua paciência se esgota quando tenta advinhar a mímica do filho. Vendo-o sem saber como lidar com a situação, fui atrás de informação e encontrei um livro interessante sobre o assunto, Limites sem trauma, de Tania Zagury.

A filósofa e mestra em Educação dá umas dicas de como os pais podem lidar com algumas situações, como esta acima:

“Tolere seus momentos (frequentes) de mau humor, mudez absoluta, cara feia, muxoxos e resmungos, desde que não ultrapassem, de forma alguma, os limites da civilidade e do comportamento em sociedade. Dessa forma, pode-se admitir que seu filho adolescente fique mudo toda uma manhã ou trancado a tarde inteira no quarto ouvindo música desde que não descambe para agressões, intolerância ou xingamentos para com os demais. Estabeleça junto com ele as regras para os momentos “negros”. Quando ele estiver bem, calmo e de bom humor, apenas nesses momentos, aborde o assunto, mostre-lhe o quanto esse tipo de atitude incomoda e magoa a todos; no entanto, garanta-lhe esse direito, desde que as regras de civilidade (por exemplo, um bom-dia ao acordar e entrar na sala é indispensável e assim por diante) não sejam esquecidas. Esses pequenos limites ensinam o jovem a dominar seus impulsos, que, nessa fase, voltam a ser muito fortes”.

Outra dica que ela dá é: “saiba ouvir os filhos, desde que queiram falar, é claro, e nem sempre eles querem; portanto, saiba esperar; seja mais maduro que eles que são jovens e estão aprendendo. Não queira que eles falem, quando não estão realmente dispostos. Você não conseguirá nada, apenas uma situação de conflito a mais e de pouca ou nenhuma utilidade. Aguarde o momento mais favorável. Ser pai de jovem é realmente uma arte… mas que, evidentemente, tem grandes compensações. Agora, quando eles estiverem contando alguma coisa, preste atenção. Ouça com o coração e a razão juntos, se possível! Não comece logo a criticar, a falar junto ou a brigar. Aí, não vai sair mais nada…”

Caiu como uma luva para meu irmão. Espero que ele aproveite bem!

Ninguém perde com a vitória dos gays

maio 10, 2011

Uma das frases mais felizes durante o julgamento do STF na semana passada foi proferida pelo Ministro Ayres Britto:

“Quem ganha com a equiparação? Os homoafetivos. E quem perde? Ninguém perde”.

Mas eu ampliaria o rol dos vencedores. Na minha opinião, todos ganharam. Porque a decisão do STF leva a uma sociedade mais aberta ao amor e à felicidade, mais igualitária, menos preconceituosa. Porque amar alguém, igual ou diferente, nunca pode ser ruim.

É claro que este é só mais um passo, mas um passo muito importante.

Parabéns à turma LGTTB!

Sexo durante a gravidez

abril 6, 2011

Durante a gravidez ficamos mais femininas, nossos seios ficam mais avantajados, os quadris aumentam, tudo cresce!

Hum! Somos levadas por diversas sensações e desejos.

O desejo de comer uma coisa diferente ou algo que há muito não se comia. Por exemplo, uma comida típica do nordeste, como o sarapatel ou uma fruta umbu. E quando realizamos o desejo, vem sensações mais diversas, uma alegria de menina ou uma vontade de chorar. São coisas novas e confusas, que não conseguimos explicar. Quem pode entender? Somente outra grávida.

E na hora do sexo? Sempre vem à mente a incerteza, será que vai machucar o neném? Então tiramos as dúvidas com a obstetra, que aconselha diminuir a frequência no oitavo mês.

Ah, claro que cada caso é um caso.

Bom, nessa condição a libido fica mais forte, são tantas emoções! O maridão também fica receoso. Começa um chamego gostoso, beijinhos e quando estamos no ápice,  temos que encontrar uma posição confortável. Vira para cá e depois vira para lá. Não, talvez essa posição seja melhor. E, de repente, tudo se ajeita e convenhamos, que coisa mais deliciosa.

Por quê?

fevereiro 17, 2011

Choca-me todo acontecimento de estupro! Não consigo entender essa raiva que os homens têm das mulheres! Por que um grupo de 200 homens ameaçariam jornalistas estrangeiros e escolheriam apenas uma vítima, a mulher,  para espancar e violentar sexualmente?

E mais, expliquem-me por que ela foi salva por um grupo de mulheres, acompanhadas de 20 soldados? E não pelos homens que ali estavam passivos?

Cisne Negro

fevereiro 9, 2011

(por Calcinha Exocet)

Filme tocante! Revela a realidade dura que é ser uma bailarina. A pressão, a dedicação exclusiva, a cobrança de ser madura de um momento para outro, a tensão e a responsabilidade de ser solista. Todos esses ingredientes podem custar caro a uma bailarina sensível e meiga.

O amadurecimento profissional da personagem Nina é permeado de cenas de delírios. O espectador fica confuso, não sabendo o que é realidade e o que é delírio. Gostei dessa confusão, porque dá ao longa a dose certa de suspense.

A mãe de Nina, ex-bailarina, trata-a como se fosse uma menina e joga sobre ela o sonho de ser a grande bailarina que não foi. A mãe deixou de ser bailarina quando ficou grávida de Nina. Eis aí mais um elemento pesado que Nina carrega sobre os ombros.

Na Academia de Balé, sua professora reconhece o seu esforço e a sua dedicação. O coreógrafo sabe que ela tem muita técnica, porém não demonstra sentimento quando dança. Nina sofre pressão de todos os lados. Ouve comentários constrangedores como de ser frígida.

A personagem aparenta ser emocionalmente uma menina, apesar de a atriz Natalie Portman ter mais idade. Na maior parte das cenas, Nina aparece com um rostinho de choro. É um sofrimento para ela ter de ser o que não é. Para ser a primeira bailarina de “O lago dos cisnes”, ela deverá ser meiga e cruel.

Mesmo tendo dificuldade para expressar os sentimentos de destruição, que é do Cisne Negro, Nina é escolhida pelo coreógrafo como primeira bailarina. Ele aposta alto nela, ou seja, acredita que ela se transformará na mulher sedutora que ele precisa para representar o papel.

A pressão que sofre com a carreira e com a  mãe, deixa-a com distúrbios físicos e psicológicos. Ela tem sintomas de  bulimia, o que não é muito explorado pelo diretor Darren Aronofsky.  Algumas cenas nos induz a essa ideia, como o fato de automutilar-se e vomitar.  Quanto aos distúrbios psicológicos, estes estão presentes em seus delírios.

Darren Aronofsky está de parabéns pelo longa! E Natalie Portman, embora não seja uma bailarina, merece um Oscar por sua interpretação.