Archive for the ‘música’ Category

Lady Gaga, de volta para o futuro

março 29, 2010

(por calcinha comestível)

I want your psycho Eu quero tua insanidade
Your vertical stick Tua vara vertical
Want you in my rear window Te quero na minha janela dos fundos

Nada mais anos 80 que a Lady Gaga. Nada mais século XXI do que a Lady Gaga. Ela própria nasceu na década de 80 (1986). Então a sua óbvia influência dos músicos pop desta década, como  Cher, Cyndi Lauper, Madonna e Michael Jackson, não foram apreciados em primeira mão. Como muitas outras pessoas, os vazios anos 90 fizeram-na dar um passo atrás, para chegar ao século XXI, de volta para o futuro. Mas sua música não tem gosto de comida requentada. O verso “quero sua insanidade, sua vara vertical, na minha janela dos fundos” não poderia ser mais explícito, e ao mesmo tempo não poderia ser mais pudico, pois usa expressões indiretas para falar de uma sexualidade ousada. Acho o clipe da música “Bad Romance” erótico e ao mesmo tempo sarcástico. Claro, o cliente que compra a mulher no leilão acaba transformado em cinzas, com as mãos sobre o pau.  É uma vingança da mulher que teve que se expor em trajes eróticos, como uma calcinha fio dental, para ser vendida pelo melhor preço. O clipe diz muito sobre a própria Lady Gaga, que usa seu apelo sexual e o próprio corpo para vender seu produto musical. Ai de quem levar a sério a oferta, e esquecer que a Lady Gaga é pura fantasia, uma personagem criada por Stefani Joanne Angelina Germanotta com a ajuda de produtores competentes.

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A voz de Cássia Eller

novembro 12, 2009


cassiaCássia Rejane Eller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10 de dezembro de 1962.

Com um timbre de voz grave, por opção, pois não era limitada a este tom, e com ecletismo musical, interpretou canções de grandes compositores do rock brasileiro, como Cazuza e Renato Russo, além de artistas da MPB como Caetano Veloso e Chico Buarque, passando pelo pop de Nando Reis e o incomum de Arrigo Barnabé e Wally Salomão, até sambas de Riachão e rocks clássicos de Jimi Hendrix, Mutantes, Beatles e Nirvana.

Teve uma trajetória musical bastante variada, porém curta, com algo em torno de dez álbuns próprios no decorrer de doze anos de carreira. Despontou no mundo artístico em Brasília, em 1981, ao participar de um espetáculo de Oswaldo Montenegro. Nesse mesmo período, apresentava-se também como cantora de um grupo de forró, fez parte (durante dois anos) do primeiro trio-elétrico de Brasília, denominado Massa Real, trabalhou na Capital Nacional cantando e tocando em vários bares – um deles era o Bom Demais.

Sua versatilidade artística era ainda mais abrangente: cantou ópera, tocou surdo em um grupo de samba. Contudo, apenas em 1989 sua carreira decolou. Cássia, ajudada por um tio seu, gravou uma fita demo com a música “Por enquanto” da autoria de Renato Russo. Este mesmo tio levou a fita à PolyGram, resultando na contratação de Cássia pela gravadora e sua primeira participação em disco foi em 1990, no LP de Wagner Tiso intitulado “Baobab”.

Cássia Eller sempre teve uma presença de palco bastante intensa, assumia a preferência por álbuns gravados ao vivo e ela era convidada constantemente para participações especiais e interpretações sob encomendada, singulares, personalizadas.

Outra característica importante é o fato de ela ter assumido uma postura de intérprete declarada, tendo composto apenas três canções das que gravou: “Lullaby” (parceria com Márcio Faraco) em seu primeiro disco chamado Cássia Eller (1990 – LP / vendagem: 60.000 cópias, devida ao sucesso da faixa “Por Enquanto” de Renato Russo), “Eles” (dela com Luiz Pinheiro e Tavinho Fialho) e “O Marginal” (autoria dela com Hermelino Neder, Luiz Pinheiro e Zé Marcos) no segundo disco intitulado O Marginal (1992). Morava com a parceira Maria Eugênia Vieira Martins, com a qual criava o filho Francisco (chamado carinhosamente de Chicão).

Em 13 de janeiro de 2001, Cássia Eller apresentou-se no Rock In Rio III, num show em que baião, samba e clássicos da MPB foram cantados em ritmo de rock. Neste dia, o organograma de apresentação foi o seguinte: R.E.M., Foo Fighters, Beck, Barão Vermelho, Fernanda Abreu e Cássia Eller; eles fizeram uma multidão de 190 mil pessoas delirarem – além da coincidência de o vocalista e guitarrista do Foo Fighters (ex-baterista do Nirvana), Dave Grohl, fazer aniversário no dia da apresentação, ser homenageado com um bolo trazido ao palco e um beijo da Cássia Eller – posteriormente, Dave Grohl declarou à imprensa que Cássia Eller e sua banda fizeram a melhor interpretação que ele conhecera até então da música “Smells Like Teen Spirit”, autoria sua com Kurt Cobain e Krist Novoselic, parceiros no Nirvana.

No ano de 2001 (de maio até dezembro) Cássia Eller fez 95 shows. Foi um ano bastante produtivo, que levou Cássia a gravar mais um grande trabalho nos moldes de sua preferência, um álbum (DVD) ao vivo: o Acústico MTV (2001), gravado em 07 e 08 de março, em São Paulo, no qual Cássia contou com o profissionalismo de uma equipe de altíssimo nível técnico e artístico, tais como [Nando Reis] (Direção Musical / Autoria, Voz e Violão em “Relicário” / Voz em “De Esquina” de Xis), os músicos da banda [Luiz Brasil] (Direção Musical / Cifras / Violões e Bandolim), Walter Villaça (Violões e Bandolim), Fernando Nunes (Baixolão), Paulo Calasans (Piano Acústico Hammond e Órgão Hammond), João Vianna (Bateria, Surdo, Ganzá, Ralador e Lâmina), Lan Lan (Percussão) e Thamyma Brasil (Percussão), os músicos convidados Bernardo Bessler(Violino), Iura(Cello), Alberto Continentino(Contrabaixo Acústico), Cristiano Alves(Clarinete e Clarone), Dirceu Leite(Sax, Flauta e Clarineta), entre muitos outros profissionais envolvidos. Este álbum foi composto por 17 faixas, acrescidas de Making Of, galeria de fotos, discografia e i.clip; as faixas são: 1. Non, je ne regrette rien (Michel Vaucaire/Charles Dumont), 2. Malandragem (Cazuza/Frejat), 3. E.C.T. (Nando Reis/Marisa Monte/Carlinhos Brown), 4. Vá Morar com o Diabo (Riachão), 5. Partido Alto (Chico Buarque), 6. 1º de Julho (Renato Russo composta em homenagem à Cássia Eller), 7. Luz dos Olhos (Nando Reis), 8. Todo Amor que Houver nessa Vida (Frejat/Cazuza), 9. Queremos Saber (Gilberto Gil), 10. Por Enquanto (Renato Russo), 11. Relicário (Nando Reis) com Participação Especial de Nando Reis, 12. O Segundo Sol (Nando Reis), 13. Nós (Tião Carvalho), 14. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (John Lennon/Paul McCartney), 15. De Esquina (Xis com Participações Especiais de Xis e Tambores da Banda Nação Zumbi), 16. Quando a Maré Encher (Fábio Trummer/Roger Man/Bernardo Chopinho) e 17. Top Top (Os Mutantes/Arnolpho Lima Filho, o Liminha)

Faleceu em 29 de dezembro de 2001 por parada cardiorrespiratória, sem que a causa tenha sido determinada. A hipótese de overdose como causa da morte, apontada inicialmente, foi descartada pelos laudos periciais do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro. Foi apontada então morte por erro médico, mas o inquérito foi arquivado pelo Ministério Público.

fonte

Eu assisti Cássia Eller, em Brasília, no Bom Demais, que ficava na quadra 700 e qualquer coisa da Asa Norte. Foi a época de ouro da música brasiliense, quando recém havia saído daqui a banda de Renato Russo, Legião Urbana, e outras bandas, como a Capital Inicial.

Quando da morte de Cássia Eller,  houve uma disputa sobre a guarda de Chicão, o filho dela com o músico Tavinho Fialho, que morreu em acidente de carro em 1993. A família de Cássia Eller acabou concordando que o menino ficasse sob os cuidados da companheira de Cássia Eller, Maria Eugênia.

Para fazer o download de discos da Cássia Eller, clique na imagem abaixo. (atualização: infelizmente o site “umquetenha” está fora do ar. Se alguém tiver notícias dele, favor compartilhar)

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A voz de Elis Regina

novembro 10, 2009

regina-elis1A segunda cantora homenageada aqui é a Elis Regina. Ela nasceu na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre,  em 1945. Começou a carreira aos onze anos de idade em um programa de rádio para crianças chamado O Clube do Guri, na Rádio Farroupilha, apresentado por Ari Rego.

A “Pimentinha”, o “Furacão Elis”, como era chamada, lançou compositores como João Bosco e Aldir Blanc, Renato Teixeira, Fátima Guedes. A primogênita do casal Romeu Costa e Ercy Carvalho Costa foi a primeira pessoa a inscrever sua voz como instrumento na Ordem dos Músicos.

Em 1956, passou a integrar o elenco fixo do programa, Clube do Guri, da Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Em 1959, assinou seu primeiro contrato profissional com a Rádio Gaúcha também de sua cidade natal.

Em 1965, venceu o 1º. Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior) com “Arrastão” (Edu Lobo e Vinícius de Morais). Dois dias depois, estreou no Teatro Paramount (SP) o show “Elis, Jair e Jongo Trio”, que, gravado ao vivo, se tornou o LP “Dois na Bossa”. Com sucesso do disco, ela e Jair Rodrigues estrelaram o histórico programa semanal “O Fino da Bossa”.

O programa saiu do ar em junho de 1967, porém, Elis continuou ao lado de Jair Rodrigues nos três programas da série “Frente Única – Noite da MPB” (TV Record). Em dezembro, aos 22 de idade, casou-se com Ronaldo Bôscoli, 16 anos mais velho. Logo, nasceu seu primeiro filho, João Marcelo.

O casamento terminou em 1972 e, em 1974, casou-se com o pianista César Camargo Mariano. Viveu em São Paulo, onde nasceram: Pedro, em 1975; e Maria Rita, em 1977. Em 1981, separou-se de César.

Sua carreira internacional ficou mais importante a partir de 1968, quando cantou nas TVs inglesa, holandesa, belga, suíça e sueca. De volta à TV Record, em 1969, fez a série de programas “Elis Studio”, dirigida por Miéle e Bôscoli. Em maio, viajou para Londres, onde gravou um LP com o maestro inglês Peter Knight. Em junho, na Suécia, gravou um LP com o gaitista Toots Thielemans.

“Elis & Tom”, disco com Tom Jobim, saiu em 1974. Na inauguração do Teatro Bandeirantes (SP), cantou ao lado de Chico Buarque, Maria Bethânia, Tim Maia e Rita Lee. No ano seguinte, lançou “Falso Brilhante”, em disco e nos palcos, show que assistido por 280 mil pessoas.

Pela TV Bandeirantes, em 1979, demonstrou a sua intimidade com São Paulo em um programa no qual passeava pela cidade com Adoniran Barbosa e visitava Rita Lee. E participou do Show de Maio, com renda revertida para o fundo de greve dos metalúrgicos de São Paulo, no estúdio da Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, para 5 mil pessoas.

Naquele ano, gravou “O Bêbado e a Equilibrista”, imediatamente apelidado de “Hino da Anistia”. No 13º Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, foi aplaudida por 11 minutos. Para agradecer a platéia, fez uma jam session com Hermeto Pascoal.

Em 1980, o show “Saudade do Brasil” reuniu no palco 24 músicos e bailarinos. No ano seguinte, fez o espetáculo “Trem Azul”, com cenário de Elifas Andreato.

Teve morte repentina, em 19 de janeiro de 1982, atribuída a uma overdose. Foi velada no Teatro Bandeirantes, e vestia a camiseta proibida pela ditadura militar no show “Saudade do Brasil”: a bandeira brasileira, com seu nome escrito no lugar de “Ordem e Progresso”.

A sua filha caçula, Maria Rita, que tinha cinco anos quando Elis morreu, começou a cantar aos 24 anos. Dona de um timbre de voz que lembra muito o de sua mãe, fez sucesso instantaneamente.

fontes aqui e aqui

Clique nas imagens para fazer o download de vários discos de Elis Regina (atualização: infelizmente o site “umquetenha” está fora do ar. Se alguém tiver notícias dele, favor compartilhar)

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Três vozes, três gerações

novembro 7, 2009

Queremos homenagear três cantoras brasileiras maravilhosas, que nos deixaram muito cedo. Dolores Duran, Elis Regina e Cássia Eller. Três vozes que marcaram três gerações.

doloresPela ordem cronológica, a primeira é Dolores Duran, nome artístico de Adiléia Silva da Rocha, que  nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de junho de 1930. Começou a cantar muito cedo e, aos dez anos de idade, conquistou o primeiro prêmio no programa Calouros em Desfile, de Ary Barroso. As apresentações no programa tornaram-se frequentes, fixando-a na carreira artística. Quando Adiléia tinha 12 anos o pai faleceu e, a partir de então, teve que sustentar a família, cantando em programas de calouros e trabalhando no rádio como atriz.

A partir dos 16 anos adotou o nome artístico Dolores Duran. Autodidata, cantava em inglês, francês, italiano e espanhol. Ella Fitzgerald durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, nos anos 1950, foi à boate Baccarat especialmente para ouvir Dolores e entusiasmou-se com a interpretação de Dolores para My Funny Valentine – a melhor que já ouvira, declarou Fitzgerald.

No final da década de 1940, Dolores estreou na Rádio Nacional, tendo sido contratada para se apresentar ao lado de nomes como Chico Anysio e Ângela Maria. Em 1951, teve um relacionamento amoroso com João Donato, mas que não perdurou devido à oposição da família do rapaz, então com 17 anos, enquanto Dolores tinha 21. O namoro chegou ao fim, quando Donato foi morar no México.

A estréia de Dolores em disco foi em 1952, gravando dois sambas para o Carnaval do ano seguinte: Que bom será (Alice Chaves, Salvador Miceli e Paulo Márquez) e Já não interessa (Domício Costa e Roberto Faissal). Em 1953, gravou Outono (Billy Blanco), e Lama (Paulo Marquez e Alice Chaves). Dois anos depois, vieram as músicas Canção da volta (Antonio Maria e Ismael Neto), Bom querer bem (Fernando Lobo), Praça Mauá (Billy Blanco) e Carioca (Antonio Maria e Ismael Neto).

Em 1955, casou-se com o radioalista e músico Macedo Neto. No mesmo ano, foi vítima de um infarto, tendo passado trinta dias internada em um hospital. Dolores resolveu não seguir as restrições que os médicos lhe determinaram, agravando os problemas cardíacos que trazia desde a infância, problemas que se agravaram ainda mais com o tempo, pois abusava do cigarro (fumava mais de três carteiras por dia) e da bebida.

Em 1956, fez sucesso com a música Filha de Chico Brito, composta por Chico Anysio. No ano seguinte, um jovem compositor apresentou a Dolores uma composição dele e de Vinícius de Moraes. Tratava-se de Antônio Carlos Jobim em início da carreira. Em três minutos, Dolores pegou um lápis e compôs a letra da música “Por Causa de Você”. Vinícius ficou encantado com a letra e gentilmente cedeu o espaço a Dolores. Foi revelado, a partir daí, o talento de Dolores para a composição e grandes sucessos se sucederam, como Estrada do Sol, Idéias Erradas, Minha Toada e A Noite do Meu Bem, entre outros.

Dolores passou por uma gravidez tubária (gravidez de alto risco que acarreta esterilidade materna e perda do feto), interrompendo o sonho de ser mãe. Em 1958, desquitou-se de Macedo Neto e passou meses na Europa com o conjunto musical. De volta ao Brasil adotou uma menina negra, Maria Fernanda Virgínia da Rocha Macedo, que foi registrada por Macedo Neto, mesmo estando ele separado de Dolores e a menina não ter com ele qualquer parentesco. A mãe biológica de Maria Fernanda Virgínia havia falecido após o parto. O pai, por sua vez, foi uma das vítimas da pior tragédia em trens suburbanos do Rio de Janeiro.

A partir daí, durante os dois últimos anos de vida, compôs algumas das mais marcantes músicas da MPB, como Castigo, A Noite do Meu Bem, Olha o Tempo Passando e Estrada do Sol, entre tantas outras.

Na madrugada de 23 de outubro de 1959, depois de um show na boate Little Club, a cantora saiu com amigos para uma festa no Clube da Aeronáutica. Ao sair da festa, resolveram ‘esticar’ no Kit Club. A cantora chegou em casa às sete da manhã do dia 24. Brincou e beijou muito a filha, já com 3 anos, na banheira. Em seguida, passou os últimos cuidados à empregada Rita: “Não me acorde. Estou cansada. Vou dormir até morrer”, disse brincando. No quarto, sofreu um infarto fulminante – que, à época, foi associado a uma dose excessiva de barbitúricos e álcool.

A morte prematura de Dolores Duran, aos 29 anos, interrompeu uma trajetória vivida intensamente. A amiga Marisa Gata Mansa levou os últimos versos de Dolores para Ribamar musicá-los. Carlos Lyra fez o mesmo sobre os versos inéditos.

fonte

Ouça algumas músicas de Dolores Duran aqui, ou clique na imagem para fazer o download do CD Reconstrução, lançado em 1979. (atualização: infelizmente o site “umquetenha” está fora do ar. Se alguém tiver notícias dele, favor compartilhar)

1979DoloresDuranReconstrução