Archive for the ‘poesia’ Category

Solidão

agosto 2, 2009

Por Calcinha Romântica

Bjork, All is full of love

Bjork, All is full of love (Vhttp://www.youtube.com/watch?v=EjAoBKagWQA)

Meus pensamentos de carne

(Vulgares andarilhos desnudos,

Inquietos na boca da mente,

Essa infame faminta de corpos)

Percorrem meus dedos

De pele solidária.

Caminhantes dedos

Desérticos

A matarem a sede minha

Em mim mesma,

Poço nu.

Cora Coralina

julho 17, 2009

(por Calcinha Romântica)

Amigas, deixo aqui uma homenagem a todas as mulheres na voz de Cora Coralina, essa que foi à frente de seu tempo, que enfrentou preconceitos e é um símbolo de mulher forte, de coragem. Mulher.

Cora, doce Coralina

Cora, doce Coralina

Todas as Vidas

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…

Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola,
quitute bem feito.
Panela de barro,
taipa de lenha,
cozinha antiga,
toda pretinha,
bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária,
bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca grossa,
de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto da terra,
meio casmurra,
trabalhadeira.
Madrugadeira,
analfabeta.,
de pé no chão.
Bem parideira,
bem criadeira,
seus doze filhos,
seus vinte netos.

Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
Tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo alegre seu triste fado.

Todas as vidas dentro de mim:
na minha vida –
a vida mera das obscuras

Sexo Casual

julho 13, 2009

(por Calcinha Romântica)

Se meu corpo falasse, se meus dedos falassem, se minha língua se contivesse! É noite. Estou só. Tomo uma taça de vinho. Ouço feminina voz rouca em espanhol vindo… de mim, de não sei onde, do aparelho de som. Minha mente derruba grades, paredes… avança mares, ultrapassa espaços. Mãos são línguas agora, o que mais podem ser? Nada me impede de me dar a quem eu quiser neste exato momento. Meus dedos percorrem curvas e montes. Sou minha e de todos na solidão da sala. Sinto meu gosto em meus dedos impregnados de mim mesma, me possuo. Grito incontido sem nomes, com todos os nomes, com um nome final… Mas estou só… e me deleito com todas as possibilidades.

Mulher feita de palavras

julho 6, 2009

(por Calcinha Exocet)

As palavras invadem minha vida
Irrompem em meu peito
De tal forma
Até me fecundar de emoção

As palavras circulam em minhas veias
Irrigam meu cérebro
Deixam-me enrubescida
Ao se inscreverem em minha pele

Transpiro interrogações, exclamações, reticências
Alimento-me de pronomes, substantivos, verbos, adjetivos, advérbios, conjunções
Encontro-me completamente aberta
Entregue e sem medo de críticas

E pensei que isso aconteceria apenas uma vez em minha vida
Quando me metamorfoseava em borboleta