Archive for the ‘política’ Category

Por quê?

fevereiro 17, 2011

Choca-me todo acontecimento de estupro! Não consigo entender essa raiva que os homens têm das mulheres! Por que um grupo de 200 homens ameaçariam jornalistas estrangeiros e escolheriam apenas uma vítima, a mulher,  para espancar e violentar sexualmente?

E mais, expliquem-me por que ela foi salva por um grupo de mulheres, acompanhadas de 20 soldados? E não pelos homens que ali estavam passivos?

Supremo Poeta

setembro 22, 2010

(calcinha de cristal)

Hoje vi uns pedacinhos do julgamento do recurso do Roriz no STF. Ouvir o poeta Carlos Ayres Britto é sublime. Ele disse claramente: a probidade não pode esperar. E quem fizer a probidade esperar é cumplice.

Mas os Ministros que horRORIZam não se envergonharam. O Cesar Peluso apelou geral. Disse que a Lei da Ficha Limpa seria inconstitucional, por vício formal no processo legislativo. Não satisfeito em liberar a candidatura do  Roriz, agora quer liberar geral, quer acabar com a ficha limpa. Revoltante.

“É um salto triplo carpado hermenêutico” disse o poeta para se referir ao malabarismo jurídico do colega. A maioria riu.

Mas infelizmente a voz do poeta não é ouvida por quem só tem ouvidos para a grana.

“Ao direito não basta levantar cerca para as ovelhas, é preciso gradear os lobos” disse o Ministro. Mas eles estão lá, soltos, pertinho dele.

Onde encontrar a verdade?

agosto 16, 2010

Por calcinha exocet

É incrível como perto das eleições as pessoas contam as histórias mais cabeludas sobre os candidatos. Penso até onde essas histórias podem chegar. Na sexta-feira, fui ao salão de beleza e, como sou curiosa,  perguntei à manicure qual seria seu candidato à presidência. Surpreendi-me ao saber que ela ia anular o voto. Compartilhei com ela minha frustração com os candidatos. Aí ela se sentiu à vontade e disse-me que a candidata Dilma era uma assassina.

Na aula de Direito Penal, o professor fez referência à ela como terrorista que joga bomba em banco. Pesquisando na internet, encontrei todo tipo de boato. Um que chama a atenção é “Mário Kosel foi assassinado por Dilma Roussef” e  teria sido escrito por um Almirante chamado Kleber Luciano de Assis. Dilma, segundo o post, seria uma das duas mulheres que estavam dentro de um carro que jogou a bomba em cima do soldado Kosel, que teria morrido sem a menor chance de se defender, porque estaria de costas averiguando uma veículo que colidiu com um poste.

Encontrei comentários sobre essa informação  no Portal Luís Nassif. Um texto de Paschoal Fiscal critica a onda de boatos a respeito da candidata Dilma e linka o texto do blogueiro da revista Veja, Reinaldo Azevedo, para relatar que até pessoas razoavelmente informadas caíram na história de difamação da Dilma. Reinaldo Azevedo relaciona as organizações das quais a candidata fez parte com a morte do soldado do Exército, Mário Kosel Filho, em 26/06/68; de Noel de Oliveira Ramos, civil, em 27/06/68; de Charles Rodneu Chandler, Capitão do Exército, em 12/10/68; entre outros.

Em um país democrático, o mínimo que deveria ser feito seria o Estado promover a verdade. Acho um absurdo matérias como essas, que confundem o eleitor. Para votarmos, precisamos saber a verdade. É urgente que todos os documentos dessa época sejam abertos ao público, precisamos saber a verdadeira história. A criação de uma “comissão da verdade” foi proposta pela própria administração do PT na Secretaria de Direitos Humanos, o que foi muito criticado por uma parte da imprensa e por alguns militares. Seria, por outro lado, importante que autores de matérias falsas sofressem duras sanções. E que alguma instituição, com credibilidade, tivesse o compromisso de expor a verdade sobre os fatos por meio de documentos, provas etc. Isso é possível ou estou alucinando?

Talvez parte da verdade pudesse ser encontrada se finalmente fossem liberados os arquivos e documentos secretos produzidos pelos órgãos de repressão durante a ditadura militar. Estes documentos estiveram sob a responsabilidade da Casa Civil da Presidência, ou seja, da própria então Ministra Dilma Rousseff. Mas parece que não há vontade política para que a verdade seja divulgada, como se vê em matéria da revista Carta Capital. Os documentos deram uma grande volta para acabar de novo nas mão dos militares.

Não vou votar na candidata Dilma, mas não é por causa dessas histórias. Ainda que fossem verdadeiras, teria apenas mais um motivo para não votar nela. Também não votarei no Serra. Ainda vejo a possibilidade de votar em outro que não sejam estes. A verdade é que nunca fiquei tão sem opção.

Jogue a primeira pedra

agosto 4, 2010

Por calcinha exocet


Está no alcorão:

“Quanto à adúltera e ao adúltero, vergastai-os com cem vergastadas, cada um; que a vossa compaixão não vos demova de cumprir a lei de Deus, se realmente credes em Deus e no Dia do Juízo Final. Que uma parte dos fiéis testemunhe o castigo.”

A pena é para homens e mulheres. E não se fala em apedrejamento. Como muita gente sabe, a pena de apedrejamento era comum no tempo de Cristo, como mostra o episódio com a Madalena, o famoso “atire a primeira pedra”. Depois que Cristo falou isso, muita gente na época se tocou e parou de jogar pedra nos outros. Mas no Irã ainda acontece, não porque está no texto religioso mulçumano. Está no Código Penal. (Para saber mais).

O Presidente Lula andou falando muita bobagem sobre isso. Primeiro disse que seria uma avacalhação se todo mundo se metesse nas leis dos outros países. Mas o respeito aos direitos humanos está acima das leis locais, merecendo críticas qualquer país que ignora estes direitos, principalmente se por meio de leis cruéis. Depois o Lula ofereceu asilo à condenada do Irã, se a “moça estivesse incomodando”. Fez piada, como se o assunto não fosse sério. Finalmente, disse que era contra a pena de apedrejamento por ser Cristão. Tudo bem que Cristo também foi contra o apedrejamento, mas falando desse jeito, parece que é uma questão religiosa. Não é. Como vimos, isso não está no texto sagrado dos muçulmanos. Está na cabeça doentia de alguns homens que odeiam mulheres.  E que incitam o fanatismo na mente do povo apenas para se manter no poder, por meio da força, do medo.

Show da Rita Lee

dezembro 15, 2009

( por calcinha exocet)

No sábado passado fui ao show da Rita Lee em Brasília. Fiquei impressionada com sua disposição e postura artística. São 64 anos de praia! Isso é maravilhoso! Estava acompanhada do filho e do marido no palco. Cantou músicas antigas (Doce Vampiro, Mania de Você, Lança Perfume, Ovelha Negra etc) e duas novas (O bode e a cabra, versão da música “I wanna hold your hand”, dos Beatles e Tão). Falou sobre política, o que achei muito bom! Gosto quando um artista se posiciona a respeito do país. Por outro lado, havia uma mulher atrás da minha poltrona que gritava: ” Pára de falar merda! Canta! Que saco, mulher doida! Canta!”

Se temos liberdade de expor nossas opiniões, temos também que saber ouvir as outras. Em um curso que estou fazendo, escuto alguns professores dando sua opinião sobre o melhor candidato para a Presidência da República. Discordo deles, mas não os mando calar a boca, muito menos exijo que voltem a dar aulas. Afinal, este é ou não é um país democrático?

O que posso imaginar sobre a opinião da mulher atrás de mim é que ela ficou sentida quando a Rita Lee criticou o Arruda e perguntou se nós íamos permitir que ele ficasse  no governo. É óbvio que ouvimos o coro do NÃO da maioria. Graças a Deus! Ainda existem pessoas que optam pela moralidade e legalidade.

Rita Lee também criticou os atuais candidatos à presidência: Dilma, Serra e Marina. E lamentou o fato de não termos um candidato bom. Sobre a Dilma, ela falou que parecia a sua antiga professora de piano, que lhe dava tapas na mão quando errava a lição; quanto ao Serra,  ela fez o seguinte comentário: “enquanto estamos morrendo afogados em São Paulo, o cara fica proibindo o fumo; e sobre a Marina Silva, ela comentou: “quando fala parece que vai desmaiar de tão fraquinha!” Todos rimos, não havia como não rir.

Em outros momentos do show, ela demonstrou carinho pelo filho e pelo marido! Agradeceu a paciência do Roberto de Cavarlho com ela, nos 33 anos de casados. Deu beijos na boca dele e recebeu tapinhas na bunda do filho Roberto Lee. Um espetáculo com muita harmonia musical e familiar. Outro momento especial foi quando um grupo de pessoas, talvez fãs de carteirinha, chegaram perto do palco e ofereceram a ela um buquê de rosas e um colar cheio de pedras! Ela estava cantando e pude perceber que ficou emocionada. Depois cantou “Mania de você” assim: Brasília você me dá água na boca…

A ideia do descrescimento

setembro 30, 2009

(por calcinha exocet)

foto: Adriana Franciosi, Jornal de Santa Catarina

foto: Adriana Franciosi, Jornal de Santa Catarina

Semana passada viajei com um grupo de pessoas para Miami e ficou martelando na minha cabeça como um grupo de 12 pessoas passou 8 dias falando em coisas supérfluas, como a vida dos outros e de compras. Tudo bem, podemos afirmar que estávamos descansando da rotina e nada melhor do que falarmos sobre temas leves. Mas, mesmo de volta, a realidade cotidiana não é muito diferente. Sinto falta de conversas a respeito de assuntos com conteúdo mais profundo. Hoje ao descer com minha cachorrinha Shitzu, me surpreendi ao ver a preocupação do porteiro com o calor da cidade e a mudança climática do sul do nosso país.  Ficamos conjecturando soluções que aliviariam o calor e questionando por que as autoridades são indiferentes às catástrofes “naturais” ocorridas nesses últimos tempos em razão da mudança climática no mundo.

descrescimentoLembrei-me de que li um artigo de Eric Dupin, “A felicidade como uma questão política”, da Revista Le Monde Diplomatique Brasil, agosto 2009. O assunto é a respeito da ideia do descrescimento. Em 14 de outubro de 2008, Yves Cochet, deputado dos Verdes, defendeu essa ideia, em plena Assembleia Nacional da França, sob protestos da direita. Diagnosticou uma “crise civilizacional” e afirmou que “agora a busca pelo crescimento passaria a ser antieconômica, antissocial e antiecológica”.

É uma ideia que vai de encontro a tudo o que se construiu com a política do neoliberalismo. Diante do agravamento da recessão econômica, esse assunto parece ter entrado de vez na pauta dos franceses. De repente, os pensadores do descrescimento passaram a ser ouvidos com mais atenção. A ideia não é nenhuma novidade e foi mais disseminada nos anos 70.  Naquela época, contudo, não tinha forças para influenciar a esquerda. Hoje, apesar desse pensamento estar em evidência, ainda há dificuldades para estruturá-lo politicamente.

Em 2006, foi fundado o Partido em Prol do Descrescimento (PPLD), por Vicent Cheynet.  O  caráter inovador e as querelas internas nunca permitiram que essa organização saísse do papel.  Ele lamenta que “constituir um partido político é muito difícil em meios que tendem a ser anarquistas”. Houve tentativas recentes de relançar o PPLD, mas o processo para retomar a agremiação ainda está hesitante.

E no Brasil, alguém se habilita a defender a ideia de viver melhor com menos?

Uma vencedora

agosto 27, 2009

(por calcinha de oncinha)

Marina Silva tem uma história de vida surpreendente. Aos 16 anos, o tratamento para malária (na verdade ela tinha hepatite) destruiu seu fígado. Desenganada pela primeira vez, reagiu “não morro de jeito nenhum!” Repetiu esta frase em outras três ocasiões, quando as consequências dos tratamentos errados e as doenças verdadeiras, algumas resultado da pobreza da infância, continuaram a assombrá-la. Mas tem vencido sempre. E vem revertendo as adversidades em seu favor. A doença obrigou-a a sair da pequena cidade em busca de tratamento. Durante este, finalmente teve oportunidade de estudar e ser alfabetizada. Recentemente desgastou-se no Governo ao ser atacada por agressores e  defensores da natureza. Saiu do Ministério do Meio Ambiente. Volta à cena ao se desligar do PT e possivelmente ser candidata à Presidência da República. Mereceu a capa de todas as grandes revistas e jornais. Modificou instantaneamente o cenário político que parecia polarizado entre situação e oposição.marina silva

Do trabalho nos seringais, no meio da floresta, ao trabalho de empregada doméstica, na cidade. Tornou-se aspirante à freira. Depois professora de história. O coração batia forte pela vontade de ajudar os povos da floresta, o que a levou a uma carreira política acelerada, de Deputada Estadual à Senadora. Realmente a vida de Marina Silva é quase inacreditável. Mas tem uma explicação simples: a vontade desta mulher de fazer o seu próprio destino.