Posts Tagged ‘comportamento’

Dança, conversa e diversão

setembro 11, 2009

(por calcinha exocet)

Femme au Robe Orange - Juarez Machado

Femme au Robe Orange - Juarez Machado

Eu não sei dançar. Mas bem conduzida, até que dá para enganar. Infelizmente, o meu marido não tem o menor jeito. Já fizemos cursos e continuamos tão coordenados quanto duas marionetes ao vento. Sua mão escorrega pelas minhas costas sem me dizer nada. Sem me indicar a direção. Ele diz que a culpa é minha, que as mulheres hoje em dia não aceitam ser conduzidas. Diz que a dança é o retrato da luta pelo poder e que, assim, cada um tenta seguir uma direção própria. E tome pernada.

Claro, isso é uma desculpa dele, porque se fosse verdade, eu também não conseguiria dançar com alguém que sabe conduzir. O fato é que, raras exceções, os homens, e também as mulheres, não são mais estimulados a aprender a arte da dança desde pequenos. Claro, ainda tem quem saiba dançar. Mas são poucos e cada vez menos.

Todo mundo sabe que a dança traz alegria, prazer, que é um ato de socialização, enraizado profundamente na história da humanidade. Os cientistas até descobriram uma relação da área cerebral envolvida com a dança que coincide com a área da fala (ver aqui). O que os cientistas acham é que a dança surgiu como uma forma de comunicação representativa, que evoluiu para uma conversa animada. Não é à toa que tendemos a gesticular quando falamos.

Isso pode explicar porque as pessoas têm tido dificuldade de dançar juntas. Porque a comunicação entre elas talvez também ande difícil. Pode estar havendo pouco diálogo, pouca compreensão. Quanto a mim e ao meu marido, não desistimos de aprender a dançar. Às vezes levo umas pisadas. Mas nós dois nos divertimos muito nesta tentativa. E isso nos une cada vez mais.

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As muitas formas de amar

setembro 10, 2009
Gabrielle D'estrees e uma de suas irmãs (1595)

Gabrielle D'estrees e uma de suas irmãs (1595)

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(por calcinha de cristal)

Eu fico pensando em como o ser humano se preocupa com besteira. Vejam a classificação das pessoas quanto à sexualidade: existiriam os heterossexuais, os bissexuais, os homossexuais, os pansexuais, e, quase esqueço, os assexuais. A coisa fica meio como torcer para um time. Um gay provavelmente ficará tão ofendido se você disser que ele é capaz de transar com alguém do sexo oposto, quanto  um hetero se você disser que ele faria sexo com alguém do mesmo sexo, dependendo da circunstância.

Alguém até cunhou o termo monossexualidade, para se opor à bissexualidade.

Digo isso para mostrar o que me parece uma coisa muito idiota. Por que algumas pessoas se preocupam tanto com o que as outras fazem em geral quando estão em suas casas, ou quartos de motel, ou escurinho, ou seja lá onde for, mas provavelmente longe do olhar de outras pessoas? Por que isso é tão importante?

egípcios

Talvez a mais antiga ilustração de um casal gay

Claro, todo mundo sabe que a perseguição contra a homossexualidade começou como um assunto religioso. Sabe-se lá por que, Deus se preocuparia muito com esta questão. Durante a idade média, homens e mulheres  foram queimados sob a acusação de práticas homossexuais.  As mulheres lésbicas eram consideradas bruxas.  O principal motivo religioso, acho, é que se o sexo não for feito para procriação, é luxúria e, portanto, deve ser reprimido. Aliás, não é só a homossexualidade que é reprimida com este argumento.  Sexo, em geral, passou a ser um assunto satanizado. Da religião, passou para o inconsciente das pessoas e até para quem não segue nenhuma religião o assunto tem (imerecida) relevância.  A sexualidade de cada um deveria dizer respeito  apenas ao indivíduo. Mas a coletividade se intromete de forma irracional. Pra quê?

As quatro bruxas de Albrecht Dürer (1497)

As quatro bruxas de Albrecht Dürer (1497)

A sutil diferença

agosto 31, 2009

(por calcinha exocet)

Você conhece alguém incapaz de perceber ironia, aquela pessoa que interpreta tudo literalmente? Um amigo na adolescência, Ricardo, entendia tudo literalmente. Conheci com o tempo outras pessoas que não percebiam a ironia. Recentemente ao pesquisar sobre o assunto achei algumas informações que poderiam ajudar a compreender melhor pessoas com essa e outras dificuldades. Nunca pensei que isso poderia estar relacionado ao cérebro. Em alguns casos, isso pode ser sintoma de algum transtorno mental.

RELÓGIO 2A capacidade de perceber ironias depende de complexas habilidades cognitivas localizadas em partes específicas do cérebro. Lesões nesta área podem levar à incapacidade de notar ironias. Isto foi comprovado por estudos publicados pela Associação Americana de Psicologia.

Mas, além de lesões no cérebro, alguns transtornos de comportamento, como a síndrome de Asperger, prejudicam a percepção das ironias. Segundo o blog “Eu, Autista?”, são sintomas da síndrome de Asperger:

Interpretar as palavras sempre em sentido literal: Aspergers têm dificuldade em identificar o uso de coloquialismos, ironia, gírias, sarcasmo e metáforas.

Ser considerado grosso, rude e ofensivo: propensos a comportamento egocêntrico, Aspergers não captam indiretas e sinais de alerta de que seu comportamento é inadequado à situação social.

Lidar com conflitos: ser incapaz de entender outros pontos de vista pode levar a inflexibilidade e a uma incapacidade de negociar soluções de conflitos. Uma vez que o conflito se resolva, o remorso pode não ser evidente.

Consciência de magoar os outros: uma falta de empatia em geral leva a comportamentos ofensivos ou insensíveis não-intencionais.

Necessidade crítica: Aspergers sentem-se forçosamente compelidos a corrigir erros, mesmo quando são cometidos por pessoas em posição de autoridade, como um professor ou um chefe. Por isto, podem parecer imprudentemente ofensivos.

Buscar informações sempre ajuda-nos a esclarecer alguns comportamentos e também a entender as pessoas de quem gostamos.