Posts Tagged ‘envelhecer’

Quando nossos pais envelhecem…

março 10, 2010

(por calcinha exocet)

O ano de 2010 está sugando minhas energias e meu tempo. Por isso ando sumida do blog. Poucas receitas, pouco assunto e muito trabalho. Hoje consegui retornar para falar de como a vida passa rápido. E, de repente, temos nossa mãe precisando da gente. E é um prazer imenso ser-lhe útil. Gostaria tanto de ter mais tempo para ficar conversando, recordando nosso passado juntas, ouvindo suas histórias da mocidade, ler para ela os livros maravilhosos que li, contar-lhe o que a vida me ensinou e como foi difícil aprender.

Ah, por que a nossa vida em sociedade exige tanto da gente? O tempo está cada vez menor! Tantas tarefas em nossa vida! Como posso retribuir o amor, a dedicação e a paciência que ela teve? Ter uma mãe é uma experiência fantástica em minha vida. Também sou mãe e por isso aprendi a valorizar a minha. Hoje mais madura posso vê-la como um ser humano que cometeu erros por imaturidade e que acertou muitas vezes por experiência e intuição.

Esta senhora nos seus 80 anos sempre foi independente e autossuficiente e agora precisa de mim! E não pensem que está gostando dessa ideia. Ao contrário, mesmo com diabete, hipertensa, teima em morar sozinha. Reclama que ligo todos os dias para saber como está. Semana passada se não fosse à sua residência não saberia que estava deitada o dia todo e sem comida em casa porque a glicemia estava alta. Tornou-se uma filha turrona, portanto, estou aprendendo a exercitar a compreensão e a paciência.

Minha amiga, calcinha romântica, passou há uns três anos atrás pela experiência de cuidar do pai que está doente. Não foi fácil para ela porque ele está com a doença Demência com Corpus de Levy. Dessa experiência nasceu um conto muito sensível que me fez chorar e que participou de um concurso de contos do Rio, promovido pelo jornal O Globo, em 2007. Chama-se A Primeira Vez.

Conversando com essa mesma amiga sobre a fase que vivencio com minha mãe e a situação do pai dela, ela me falou do filme argentino “O filho da noiva”. No filme o protagonista é um quarentão em crise, cuja mãe sofre de alzheimer.  Peguei o filme para ver neste final de semana e me dei conta de que já o tinha visto. Embora seja uma história marcante, só agora vendo pela segunda vez me tocou mais profundamente. A memória é um dos assuntos principais do filme. Chamou-me a atenção a cena do casamento em que o filho pergunta para a mãe se ela o ama, e ela responde que sim, e se ela ama o pai, ao que ela também diz sim. Embora ela muitas vezes não reconheça sua família, é como se o amor fosse mais forte e inesquecível. Mas fiquei pensando que isso é um pouco de romantismo.  Talvez a doença possa apagar completamente o sentimento de amor. E isso é uma das coisas que me angustia, pensar que podemos esquecer o imenso amor que sentimos por alguém. Isso realmente seria ainda pior do que esquecer o nome ou não reconhecer esse alguém. Um outro filme, canadense, também é sobre o alzheimer, “Um amor mais forte que o esquecimento“, e fala sobre o efeito desta doença no sentimento de amor, no caso o amor de uma esposa pelo seu marido, que é esquecido por ela. Mas o amor pelo marido, por mais forte que seja, não se compara ao amor pelo filho.

Infelizmente, acredito, esta terrível doença não faz distinção e é capaz de também fazer sumir este sentimento direcionado. Penso que a capacidade geral de amar e a necessidade de ser amado não desaparece. Então podemos reconquistar a cada minuto o amor da pessoa vítima de alzheimer e fazê-la se sentir amada. Como os personagens Nino e o filho, do filme argentino, e o personagem Grant, do filme canadense.

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O caminho para fora da floresta passa por dentro

agosto 13, 2009

floresta-2

“No meio do caminho da minha vida, me vi numa floresta escura, e me perdi”.

Inferno – Dante Alighieri

(por calcinha exocet)

Alguém já ouviu algum comentário sobre um amigo bem casado, com filhos, que  se separou da mulher para viver um romance com uma bem mais jovem? Ou, que um amigo tinha tudo para ser feliz, uma linda mulher, filhos maravilhosos, uma mansão e uma carreira brilhante e se encontra deprimido? Ou, ainda, que esse amigo dilapidou todas as economias e voltou a se comportar como um adolescente?

Quando o homem chega à metade da vida sente uma angústia e se pergunta se fez tudo o que queria.  Segundo a reportagem da revista Seleções de agosto de 2009, o homem sente mais a crise da meia-idade que a mulher porque a valorização deles está mais ligada ao trabalho do que a das mulheres. Assim, se a vida profissional não faz mais sentido, isso  pode levá-lo a uma verdadeira queda livre.

Ter consciência de que se é mortal pode reforçar a crise. Essa consciência surge quando se tem contato com algum fato, como a morte de um parente, a dissolução do casamento, uma mudança no trabalho, aposentadoria, uma doença grave etc. Outro fator que influencia a  crise na meia-idade é a queda de 1% a 2% do nível de testosterona. A queda da testosterona é considerada responsável pela redução da força muscular e do impulso sexual, pelo aumento da gordura corporal, da letargia, da irritabilidade e da depressão.

Vejamos alguns sinais que precisam de atenção:

1. Mudança de emprego.

Quando ele revelar o desejo de largar seu trabalho de 30 anos para abrir um novo negócio.

2. Comportamento que põe a vida em risco.

Quando ele anuncia que vai participar de esportes radicais: bungeejump, surfe em mar revolto, mergulho em cavernas etc.

3. Cuidados com a aparência.

Quando ele resolve depilar as costas, abandonar o barbeiro e  ir ao cabelereiro para fazer reflexos, comprar roupas modernas etc.

4. Retorno ao comportamento dos 20 anos.

Quando ele decide  recuperar a juventude perdida  indo a festivais de música que duram 3 dias, beber demais, se alimentar mal, exagerar em exercícios físicos etc.

5. Paqueras.

Quando ele questiona se ainda consegue conquistar ninfetas. Esse pensamento torturante leva muitos homens de certa idade a se comportar diferente: engrossar a voz, inclinar-se sobre a mesa da recepção, jogar para trás o cabelo que acabou de receber reflexos e dizer coisas como “Que tal uma balada hoje?”

6. Busca de antigos amores.

Quando ele resolve procurar a namoradinha da escola na Internet, redescobrir a emoção de andar de skate ou desenterrar o velho baixo elétrico com amplificador e reunir os amigos da antiga banda de rock para um ensaio.

A passagem do meioAlguns desses exemplos revelam a insatisfação com a vida profissional, conjugal e consigo mesmo. De repente,  tem-se a sensação de peso e vazio.  Segundo o psicólogo James Hollis, no livro “A Passagem do Meio”, os sintomas desta crise de meia-idade começam bem antes dos quarenta ou cinquenta anos.  O autor  mostra alguns caminhos que podem ser saídas da floresta escura. Mais do que isso, mostra que existem belas paisagens para além desta. O caminho para fora da floresta passa por dentro, ou seja, o autoconhecimento. A meia-idade pode ser uma oportunidade de crescer e ser feliz.