Posts Tagged ‘filhos’

Quando o inimigo é o ex

dezembro 5, 2009

(por calcinha exocet)

Há fatos próximos a mim e alguns contados que me fazem pensar que precisamos reaprender a amar.

Ouvi recentemente no Pet Shop perto de minha residência que uma mulher estava querendo dar seu cachorrinho porque estava recebendo ameaças do ex de tirar a guarda de sua filha. A razão é que a bebê de 1 ano estava tendo alergia ao pêlo do cachorrinho. O cachorro já estava na família há tempo e a mulher sofreu quando tomou a decisão de procurar um novo dono. Felizmente, deu sorte de encontrar um cliente no Pet Shop que se interessou em ter mais um em casa. O cara é tão gente boa que deixa ela ir visitar o cachorro e, segundo a dona do Pet, ficaram amigos. Uma história com final feliz.

Conheço uma outra história em que o ex pertuba de todas as formas a ex-mulher. Esse caso é difícil de entender. A mulher se separou por que descobriu que ele a estava traindo. Ele transmitiu o vírus HPV para ela. Felizmente ela se tratou e está bem. Depois da canalhice dele, ela ainda sentia que o amava. Ele a procurava e ela não resistia, encontravam-se escondidos. Um belo dia, cansada de ficar na posição de amante, resolveu colocar as cartas na mesa e fez a proposta fatídica: Ou ela ou eu! Ele preferiu a outra! E ela tem filhos com ele!

Nem precisa dizer como ela ficou arrasada. A partir daí desistiu dele e foi à luta. Namorou muito, inclusive rapazes mais jovens que ela. Foram anos procurando um parceiro ideal. E o ex pertubando por meio dos filhos. Ele sempre procurando uma brecha para atrapalhar a vida da moça. Ameaças de tirar a guarda e o não cumprimento da entrega dos filhos no dia marcado são exemplos do início do inferno que ela está vivendo. Ela já passou o Dia das Mães sem os filhos!

Em muitas vezes em que o pai trazia os filhos de volta, ela notou que os meninos se encontravam muito sonolentos e indispostos. Por eles serem sempre ativos, decidiu levá-los ao pediatra. O médico pediu um exame de sangue e foi diagnosticado a presença de uma substância sonífera. Ela descobriu que o ex dava remédios para os meninos dormirem quando iam para a casa dele. Entrou na justiça contra ele, mas as provas que colheu não foram suficientes para retirar a guarda do pai.

Os namoros sérios que teve não resistiram a pertubação do ex. Felizmente, encontrou um homem, cabra macho, que casou com ela. Não sei se ele vai segurar essa onda por muito tempo porque o ex dela, mesmo tendo uma posição social privilegiada na sociedade, não passa de um bandido engomado.

E estas são duas histórias de famílias separadas que conheço, em que os pais são capazes de usar os filhos para atingir um ao outro. E quando tudo começou existia o amor. E quando termina, o que fica?  Será que nos anos de convivência mútua não se construiu nada? Nem um pouquinho de amizade?

E vocês, leitoras, conhecem alguma história de ex que queiram nos contar?

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O valor dos pequenos

outubro 7, 2009

(por calcinha exocet)

Hoje, felizmente, nossas crianças brasileiras têm um estatuto que lhes dá dignidade e direitos.  O Estatuto da criança e do adolescente (ECA) proíbe o trabalho infantil, garante o acesso à escola, as protegem da violência, dá-lhes direitos etc.crianças

Ao ler um post no Cogitamundo e ver a imagem de uma criança sendo pisada por um adulto sobre cacos de vidros, fiquei tocada. Isso me fez lembrar de um livro:  História das Crianças no Brasil, organizado por Mary Del Priore, Editora Contexto, São Paulo, 2004.

O livro conta a história das crianças que foram trazidas para cá na época do descobrimento.  Há passagens do texto que narram que as crianças judias eram arrancadas à força de seus pais pelos navegadores portugueses. Esse procedimento foi adotado pela Coroa portuguesa, em 1486,  com a intenção de obter mão-de-obra e de manter sob controle o crescimento da população judaica em Portugal.  Já as crianças pobres eram alistadas entre a tripulação dos navios, como grumetes, pelos seus pais, como forma de aumentar a renda familiar. Os pais tanto podiam, dessa forma, receber os soldos de seus filhos, mesmo que estes viessem a perecer em alto mar, quanto teriam menos uma boca para alimentar. Era, de alguma forma, um bom negócio na visão deles.

Durante os naufrágios, as crianças que embarcavam, seja como passageiras, seja como mãos-de-obra, vivenciavam um drama. Quando os navios partidos de Lisboa enfrentavam adversidades do tempo, ataques de piratas, imperícia dos pilotos, excesso de carga, o afundamento era inevitável. Na iminência de um naufrágio, o desespero fazia com que até mesmo pais aparentemente zelosos acabassem esquecendo seus filhos no navio, condenando-os ao sepultamento no mar.  As crianças dificilmente tinham prioridade de embarque no caso de naufrágio. Optava-se quase sempre por fazer subir no batel apenas os membros da nobreza, oficiais das embarcações e tudo e todos que pudessem ser úteis à sobrevivência em terra, deixando as crianças à própria sorte.

E, mesmo que os navios não naufragassem, as condições em que viajavam eram péssimas. A alimentação era racionada, a higiene, precária. Surgiam as doenças comuns agravadas pela inanição e insalubridade. Doenças hoje típicas da infância, como sarampo e caxumba, eram frequentes a bordo das naus do século XVI ao XVIII. As crianças órfãs do Rei, as judias e as pobres sofriam todo tipo de abuso. Estupros coletivos eram praticados contra elas pelos marinheiros ou soldados, e o trabalho infantil era explorado igual ao trabalho de um adulto. Não posso afirmar que isso não exista mais em nosso mundo, mesmo porque seria muita ingenuidade. Todos os dias a mídia entra em nossas casas por meio de jornais, rádio, tv e internet, escancarando a capacidade de perversidade do ser humano.criancas_mundo

Nossas crianças, mesmo com leis que as protegem, não estão salvas dos maus tratos dos adultos, sejam eles os próprios pais ou desconhecidos. Não sei se tratar as crianças como seres insignificantes é cultural ou próprio do ser humano, mas nós, que as amamos, temos que lutar para que tenham proteção, direitos e dignidade. Entre a Lei escrita e a efetivação dos direitos das crianças há um longo caminho, mas que precisa ser percorrido para garantirmos um futuro saudável para os pequenos.