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Suprema injustiça, abominável idiotice

julho 2, 2011

Não sei se você sabe, mas não fosse um sujeito nascido em 1912, talvez você não estivesse lendo este post. Porque talvez não existisse computador, nem internet. Estou falando de Alan Turing, considerado, mais de vinte anos depois de sua morte, o pai da computação. Mas ele era um gênio escondido, pois trabalhava em contraespionagem para os ingleses. Sob sua liderança, foi desenvolvida a máquina eletromecânica que quebrou o código secreto do enigma, o aparelho usado pelos nazistas para codificar suas mensagens.

Então, também devemos a ele o fim mais rápido da Segunda Guerra Mundial. E qual foi a recompensa que o governo inglês concedeu a este homem brilhante que só fez o bem em toda sua vida?

Alan era homossexual, um crime na Inglaterra da década de 50. Mas além de ser um crime, a homossexualidade de Alan era considerada uma ameaça à segurança nacional. Ele foi condenado, contudo, aceitou uma “castração química”, em substituição à prisão. Injetaram-lhe hormônio feminino, estrogênio, que modificou seu corpo, tendo o humilhante efeito colateral de lhe fazer crescer seios. Mas o hormônio também lhe modificou a mente. E a alma.

Aos quarenta e dois anos de idade, Alan foi encontrado morto ao lado de uma maçã mordida. Fora envenenado por cianeto. As circunstâncias de sua morte não foram bem esclarecidas. Especula-se que ele tenha ingerido o veneno que fora injetado na maçã. Não seria coincidência. O conto de fadas preferido de Alan era Branca de Neve.

É incerto se realmente Alan suicidou-se e se esta cena foi proposital. Mas uma certeza há. Alan foi assassinado pela bruxa do preconceito, uma bruxa abominavelmente idiota. Alan perdeu a vida jovem. A humanidade perdeu um gênio que ainda poderia contribuir muito para o bem de todos.

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As muitas formas de amar

setembro 10, 2009
Gabrielle D'estrees e uma de suas irmãs (1595)

Gabrielle D'estrees e uma de suas irmãs (1595)

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(por calcinha de cristal)

Eu fico pensando em como o ser humano se preocupa com besteira. Vejam a classificação das pessoas quanto à sexualidade: existiriam os heterossexuais, os bissexuais, os homossexuais, os pansexuais, e, quase esqueço, os assexuais. A coisa fica meio como torcer para um time. Um gay provavelmente ficará tão ofendido se você disser que ele é capaz de transar com alguém do sexo oposto, quanto  um hetero se você disser que ele faria sexo com alguém do mesmo sexo, dependendo da circunstância.

Alguém até cunhou o termo monossexualidade, para se opor à bissexualidade.

Digo isso para mostrar o que me parece uma coisa muito idiota. Por que algumas pessoas se preocupam tanto com o que as outras fazem em geral quando estão em suas casas, ou quartos de motel, ou escurinho, ou seja lá onde for, mas provavelmente longe do olhar de outras pessoas? Por que isso é tão importante?

egípcios

Talvez a mais antiga ilustração de um casal gay

Claro, todo mundo sabe que a perseguição contra a homossexualidade começou como um assunto religioso. Sabe-se lá por que, Deus se preocuparia muito com esta questão. Durante a idade média, homens e mulheres  foram queimados sob a acusação de práticas homossexuais.  As mulheres lésbicas eram consideradas bruxas.  O principal motivo religioso, acho, é que se o sexo não for feito para procriação, é luxúria e, portanto, deve ser reprimido. Aliás, não é só a homossexualidade que é reprimida com este argumento.  Sexo, em geral, passou a ser um assunto satanizado. Da religião, passou para o inconsciente das pessoas e até para quem não segue nenhuma religião o assunto tem (imerecida) relevância.  A sexualidade de cada um deveria dizer respeito  apenas ao indivíduo. Mas a coletividade se intromete de forma irracional. Pra quê?

As quatro bruxas de Albrecht Dürer (1497)

As quatro bruxas de Albrecht Dürer (1497)