Posts Tagged ‘liberdade’

Libertem o Pussy Riot!

agosto 13, 2012

Talvez pouca gente no Brasil esteja ligado no que acontece na Rússia. Se você não sabe, vou contar. Três meninas de uma banda punk de Moscow foram presas, em fevereiro de 2012, depois de supostamente cantarem músicas contra o Presidente Vladimir Putin. Mas a acusação não é ofender o Presidente e sim a alegada ofensa à religião, ou blasfêmia, já que o protesto ocorreu na Catedral de Moscow, e pedia para a Virgem Maria virar feminista e expulsar o espião da KGB.

Veja o vídeo do protesto:

As meninas, que já estão a meses presas, correm o risco de ficar mais alguns anos. Um abuso. Assine uma petição contra a prisão aqui.

A sentença sai dia 17 de agosto. Vamos todas apoiar as meninas do Pussy Riot.

Assista à declaração de Yekaterina Samutsevich durante o julgamento:

Ou você pode ler a íntegra da declaração, em inglês, aqui.

LIBERTEM A BANDA

PUSSY RIOT!!!

Lady Gaga II

setembro 4, 2010

Por Calcinha Comestível

Ninguém leva a sério quando digo que sou fã da Lady Gaga, nem eu mesma. Nem ela se leva a sério, e acho que boa parte do sucesso dela vem daí. Assisti a um pedacinho de uma  entrevista à Oprah. Não tenho muita paciência para assistir mais que uns segundos de Oprah. Mas nesses segundinhos vi uma Lady Gaga quase sem maquiagem (comparado ao que ela usa) e, de exótico, só a peruca porco-espinho. Mas encontrei a mulher muito doce que se esconde por baixo de uma fantasia SDM. Depois vi que a entrevista foi há uns meses, daí a preocupação dela com o Haiti. Tinha ficado sensibilizada que ela ainda estivesse preocupada com as vítimas quando a mídia já não dá mais atenção ao tema, mas foi só mais uma ilusão.

De qualquer forma, ela não me parece de forma nenhuma burra ou superficial. Pelo contrário. Apesar do apelo comercial do produto “Lady Gaga”, eu acredito que ela estava sendo sincera quando na entrevista disse que, com seu trabalho, ela quer que as pessoas se libertem:  “Quero que elas tenham orgulho de ser quem são, quero que elas celebrem todas as coisas de que não gostam em si mesmas, assim como eu fiz, e ser verdadeiramente felizes por dentro”, disse uma Lady Gaga cheia de lágrimas nos olhos, referindo-se a uma platéia de “monstrinhos”, como disse a Oprah, fãs (homens e mulheres) fantasiados de Gaga.

Achei curiosa a mensagem final: “sejam bons com os seus pais, tenham uma ótima relação com eles”, e se derreteu em elogios ao próprio pai.  Algo incomum para celebridades. Aliás, ela disse que não se enturma muito com as outras celebridades e se sente meio isolada.

A mensagem dela é realmente uma mensagem de liberdade, de que você pode ser o que for, exótica, sexy, brega, sofisticada, rebelde.

Espero que o sucesso continue e que ela mantenha a cabeça sobre os ombros, apesar do peso das perucas e acessórios.

Depois dos 30

julho 24, 2009
Mulheres correndo na praia, de Picasso

Mulheres correndo na praia, de Picasso

Como é bom ter mais de 30! As de 20 nem imaginam!

Depois dos 30, somos bem mais livres, menos manipuláveis, menos confusas, mais tranquilas. Depois dos 30, assumimos nossos estilos de roupa, cabelo, tipo físico. Damos adeus aos modismos e assumimos nossa própria identidade. Claro!, não podemos generalizar, pois existem mulheres e mulheres de mais de 30. Mas conheço várias assim, com esse perfil.

Depois dos 30, comemos pizza, sorvete, chocolates sem culpa alguma. Nos cuidamos, sim: academia, dermatologista, massagens, salão de beleza. Mas tudo sem excessos, com uma boa dose de equilíbrio. Somos vaidosas na medida certa, sem querer ser uma tábua, ou melão, melancia e essas frutas todas aí.

Passeio, de Chagal

Passeio, de Chagal

Usamos esmalte vermelho e damos o foda-se! ao fato de os homens odiarem esmalte vermelho. Podemos ter cabelo curto, comprido, vermelho, roxo, usar salto alto, odiar salto alto e não ter problemas com isso, viver de all star. Depois dos 30, já viajamos, já conhecemos um pedaço do mundo, falamos idiomas, temos cultura, sabemos discutir os mais variados assuntos.

Nos masturbamos sem culpa alguma, compramos lingeries, vamos aos sex shops, nos entregamos de verdade quando encontramos o parceiro certo, podemos fazer sexo por sexo ou ser românticas incorrigíveis, esperando o amor certo para a noite certa de sexo fenomenal. Conhecemos nossos corpos, gostamos de vê-los, de tocá-los. Os respeitamos. E sabemos: antes sozinha do que mal acompanhada.

Assistimos a filmes água com açúcar, daqueles bem bonitinhos, sem o menor medo de sermos criticadas, pois já vimos a maior parte dos intelectuais, que também amamos. Tomamos cerveja, vinho, pinga, ou nada, e danem-se os preconceitos. Somos vegetarianas, carnívoras, os dois ao mesmo tempo. Se não somos casadas, temos nosso canto, nossa vida. Dizemos, em alto e bom som: Não!, eu não quero ter filhos ou Sim!, ainda quero ter uns cinco ou Sim, ainda quero me casar ou Não, escolhi estar só.

Abrazo amoroso, Frida Kahlo

Abrazo amoroso, Frida Kahlo

Para mim, estar na casa dos 30 é ser livre. Livre de nós mesmas, de nossos traumas e neuras, ou, pelo menos, de alguns deles. O tempo nos ensina, e muito, é um perfeito professor, o melhor de todos. Uma amiga, na casa dos 50, diz que tudo fica ainda melhor aos 40, depois aos 50.

Deve ser a sensação de ter vivido, a certeza de que passamos boa parte do tempo correndo atrás de ilusões e de futilidades, tratando e atendendo nosso ego, nos enganando, não sendo nós mesmas e que, enfim, encontramos o verdadeiro sentido da vida: paz, estar perto dos que amamos e nos amam, estar bem consigo mesmo, entender que o melhor da vida é ser simples, é viver livremente. As opiniões? Ao menos a mim elas não importam nenhum pouco. Opiniões e preconceitos são diferentes de críticas construtivas. Essas, sim, são acatadas.

Cena de Thelma e Louise

Cena de Thelma e Louise

Nos 30, foram-se os desejos de fama, sucesso, de ser reconhecida, pois já sabemos que tudo isso é pura ilusão. Queremos somente paz, um amor gostoso para curtir, estar próximas dos que amamos, ter um bicho de estimação ou um jardim, escrever um blog, publicar um livro em uma pequena editora, sonhar, viajar, fazer algo por amor. Aos 30, começamos a trilhar o caminho do equilíbrio.