Posts Tagged ‘livros’

Troca troca

janeiro 21, 2011

Uma blogueira de Brasília está organizando mais um evento de compartilhamento literário. É o “Lá vai o livro”. Se você mora em Brasília, veja como participar:

» Leia um bom livro;

» Deixe no blog www.lavaiolivro.blogspot.com um comentário falando da obra e contando quando e onde pretende deixá-la;

» Escreva ou cole o texto abaixo indicado, na contracapa ou na primeira página do livro;

» Deixe-o em um local público;

» Se você achou um livro que foi deixado por alguém, escreva um comentário contando como foi a experiência.

Não esqueça de contar aqui no Calcinhas também!

As Calcinhas também vão participar, deixando dois livros com temas femininos.

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Aimée e Jaguar

julho 21, 2009
Cena do filme Aimée e Jaguar

Cena do filme Aimée e Jaguar

Por Calcinha Romântica

Conheço um coração intelectual, apaixonado por histórias e cultura ambulantes. Pouco importam o sexo, a idade, a situação financeira, se belo, se feio. O que vale é ser inteligente, sensível, ter charme, ser engraçado (fundamental), despojado e, claro, ser culto e viajado. Nada mais perigoso para Aimée que uma longa noite em uma mesa de bar regada a livros, filmes, viagens, infância, histórias, vida, experiências… tudo desfilando à sua frente em palavras e olhares. Paixão certa!

Foi assim que, um dia, ela caiu nos braços de uma mulher. Não, ela não é sapatão, nem mesmo bi. É hetero, ou melhor, é uma estranha espécie de pessoa com coração regado a curiosidade e fome de aprender. De resto, nada mais importa. E assim ela vai levando a vida.

O amor feminino aconteceu entre filmes, histórias de viagens, livros e… muito, mas muito tesão. O primeiro beijo foi no banheiro de um bar. É, têm essa vantagem os amores homossexuais. Frequentam os mesmos banheiros.

Cartaz do filme Aimée e Jaguar

Cartaz do filme Aimée e Jaguar

Enganados! Não foi Jaguar quem beijou Aimée. Foi Aimée, certa de sua paixão, que pegou Jaguar pelas mãos, frias pelo nervosismo, e a levou até o banheiro. E o primeiro beijo aconteceu enquanto uma fila se formava na porta. Beijos, mãos, línguas, suspiros, frases: “Você é louca, Aimée”. Saíram do pequeno espaço e viram o bar, que não era gay, já quase vazio. Somente então, deram-se conta do tempo em que mãos e bocas se demoraram lambendo e acariciando intelectualidades.

Saíram dali sem dúvida alguma de para onde iriam: motel. Adeus romantismo, mas inexistiam outras possibilidades.  Aimée segurava firme a mão de Jaguar, como se sempre tivesse namorado mulheres. Jaguar se assustava, queria esconder sua mão, como se nunca tivesse namorado mulheres.

No quarto do motel, Aimée nem pensou que estava na cama com o mesmo sexo. Foi descobrir o corpo as formas femininas arredondadas cavidades gostos seios pele cheiros. Mais uma vez Jaguar se assustou. Será mesmo que era a primeira vez que Aimée amava uma mulher? Sim, era. E teve orgasmos vários, descobertas e desejos muito além da pele.

Aimée e Jaguar namoraram por oito meses. Inexistiam medos em Aimée, porque amava o cérebro de Jaguar, não seu corpo, não seu sexo feminino, não as formas. Claro!, jamais haveria paixão se todos os hormônios não tivessem esbravejado suas fúrias. As duas fugiam do trabalho, na hora do almoço, para se almoçarem. Passavam horas desenhando uma o corpo da outra, fazendo poesias com as mãos.

Um dia, tudo acabou. Tudo acaba. Mas Aimée sabe o gosto do corpo feminino os cheiros os toques a leveza os orgasmos a energia. Mulheres nunca mais aconteceram em sua vida. Mas as paixões cerebrais, sim. Sempre. E Aimée abriria todas as suas guardas novamente para esse sexo sublime, sem medo, sem culpa, sem trauma. Cérebro não tem sexo, palavras não têm sexo, livros, filmes, fotos, viagens não têm sexo, e Aimée ama, e pronto, inteira, sem preconceitos e culpas.