Posts Tagged ‘mulher’

Anaïs Nin – uma noção do mundo artístico da mulher.

dezembro 26, 2010

Por calcinha exocet

Anaïs Nin foi uma figura literária única. Romancista francesa, eroticista apaixonada e contista, que ganhou fama internacional com seus Diários. Abrangendo os anos 1931-1974, eles dão um relato da viagem de uma mulher para a autodescoberta. “Tudo bem se uma mulher for, acima de tudo, humana. Eu sou uma mulher, antes de tudo.” (O Diário de Anaïs Nin, vol. I, 1966)  Anaïs Nin foi amplamente ignorada até a década de 1960. Hoje ela é considerada uma das principais escritoras do século 20 e fonte de inspiração para as mulheres que desafiam o papel convencional do gênero.

“Eu esperava um homem para a demonstração das sessenta e seis maneiras de fazer amor. Henry negocia  o preço. As mulheres sorriem. A maior tem características ousadas, cabelo preto, cacheado, que quase esconde o rosto. A menor delas tem um rosto pálido, com cabelos loiros. Elas são como mãe e filha. Usam sapatos de salto alto, meias pretas com ligas nas coxas, e quimono aberto solto. Levam-nos para cima. Andam à frente, balançando os quadris. ” (dos Diários 1931-1934)

Uma figura literária obscura  na maior parte  de sua vida. Quando seus diários – mantidos desde 1931 – começaram a ser publicados em 1966, Anais Nin chegou aos olhos do público. Desde então, os dez volumes do diário de Anaïs Nin têm permanecido populares. São mais do que simples diários, cada volume tem um tema, e provavelmente foram escritos com a intenção de que fossem publicados posteriormente. Cartas que ela trocou com amigos íntimos, incluindo Henry Miller, também foram publicadas. A popularidade dos diários despertou o interesse em seus romances publicados anteriormente. O Delta de Vênus e Little Birds, escritos originalmente em 1940, foram publicados após sua morte (1977, 1979).

Anaïs Nin é conhecida, também, por seus amantes, que incluem Henry Miller, Edmund Wilson, Gore Vidal e Otto Rank. Foi casada com Hugh Guiler, de Nova York, que tolerava suas escapadas. Também teve um segundo casamento, bígamo, com Rupert Pole, na Califórnia. O casamento foi anulado quando ficou mais famosa. Estava morando com Pole no momento da sua morte, e ele viu a publicação de uma nova edição de seus diários, com trechos antes omitidos.

As ideias de Anaïs Nin sobre as naturezas de “masculino ” e “feminino”  têm influenciado parte do movimento feminista conhecido como “feminismo da diferença”. Ela se dissociou no final de sua vida das formas mais políticas do feminismo, acreditando que o autoconhecimento através do diário era a fonte da libertação pessoal.

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Ela casou-se consigo

novembro 21, 2010

(por Calcinha Exocet)

 

Deu na mídia no final de outubro. Uma mulher de Taiwan casou-se consigo. Cansada de esperar um pretendente, contratou bufê, convidou gente e realizou uma cerimônia de casamento. A Lua de Mel será na Austrália.

Eu e umas amigas morremos de rir ontem, imaginando os desdobramentos deste casamento. Primeiro problema que surge: Como se divorciar de si? Aliás, antes disso, se a gente brigar consigo: Hoje você dorme no sofá! ou então: não quero nem saber vou para casa da mamãe, e não me siga!

Mas aí, em vez de ir para a casa da mãe, encontra com as amigas num bar e, ao se olhar no espelho para passar baton, grita: O que você está fazendo aqui! Me deixa em paz! Eu não aguento mais olhar na sua cara, me esquece!

A relação vai piorando até que, com base na Lei Maria da Penha, você consegue uma liminar determinando que não pode se aproximar mais do que duzentos metros de si. E acaba presa, por desrespeitar a ordem judicial.

É, casar-se consigo é muito arriscado.

No ano passado, uma mulher de 29 anos casou-se, em Ghana, com um cachorro. Disse que há muitos anos procurava um homem com as qualidades do pai: ser gentil,  fiél e leal à sua mãe, a quem nunca abandonou. Parece que todos os homens que passaram pela vida da noiva fizeram cachorradas. Então ela descobriu que seu cachorro seria o parceiro ideal. Pelo menos, neste caso, o divórcio será mais fácil. Mas discutir a relação…

Peito de silicone vai sair de moda

novembro 1, 2010

Próteses para aumentar os seios deformam o corpo e causam vários problemas de saúde. Em alguns anos, essa mania vai ficar para trás

Ellen Shing

Em nome da obsessão dos homens americanos por seios gigantescos, as mulheres já fizeram de tudo para aumentar suas mamas. Cirurgias prometiam a felicidade com injeções de parafina, bolas de vidro, borracha, cartilagem, alguns tipos de poliéster e gordura retirada de outras partes do nosso próprio corpo. Estima-se que só entre as décadas de 1950 e 1960, 50 mil mulheres dos EUA enxertaram algumas dessas substâncias nos seios, ou ainda as problemáticas próteses de silicone. Tudo isso está mudando. No prazo de uma década, os seios gigantes vão estar completamente fora de moda.

Todos os anos, 300 mil americanas ainda colocam implantes. No Brasil, foram mais de 140 mil somente em 2009. Mas esta é uma atitude que caminha para alcançar o auge que precede a queda — entre os americanos, o total de cirurgias plásticas desse tipo cresce menos a cada ano. A tendência, identificada pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos, é que o número de implantes atinja o auge em 2012, comece a cair a partir daí e cheguemos a 2020 com 150 mil implantes, metade do valor atual para uma população 9% maior. A venda de sutiãs já indica essa mudança. Em minha loja de lingerie, voltada para seios pequenos, as vendas aumentaram 45% em dois anos. Na Inglaterra, a consultoria Mintel identificou uma tendência ainda mais clara: a empresa prevê que o auge no número de cirurgias do tipo vai acontecer no ano que vem, e que o declínio começa já em 2012.

Seios siliconados são vulgares e deformam o corpo. Mesmo quando não causam efeitos colaterais por si só, grandes próteses causam dores nas costas, nos ombros, no pescoço e na cabeça. Nos Estados Unidos, 53% das mulheres que colocam silicone registram algum problema desse tipo depois de seis meses de fazer a cirurgia. Em alguns casos, como o da atriz Heidi Montag, do seriado The Hills, provocam a perda de elasticidade da pele. Heidi, que tem 23 anos e já fez dez plásticas, colocou 800 cm3 de silicone. Se arrependeu, quer retirar os implantes, mas os médicos não sabem que marcas a nova cirurgia deixará. Enquanto isso, para suportar a dor nas costas, ela passava os dias à base de analgésicos, até que parou de tomá-los porque não faziam mais efeito.

Tenho observado que as mulheres, em especial as que estão na casa dos 20 e 30 anos, não se conformam mais com essa atitude submissa de carregar quilos extras só para se sentirem socialmente desejáveis. Em minha loja, encontro diariamente clientes que já fizeram implantes e acabaram por entender que chamar mais a atenção na rua não valia a pena. Essa nova cultura de valorização da mulher pelo que ela é chegou ao ponto de que tenho comercializado cada vez menos sutiãs com recheio de espuma, daqueles que dão a impressão de que quem a usa tem seios maiores do que na realidade. Do ano passado para cá, as vendas desse tipo de produto caíram 15%.

O lema “pequeno é lindo” já se difundiu em várias grifes de roupas da Califórnia. As vendas para outros estados, e mesmo países, via internet, crescem e algumas dessas lojas começam a abrir filiais de sucesso na costa oeste do país. É o caso da Eves Apples Lingerie, da Itty Bitty Bra, da Lailides e da Lula Lu. Na Inglaterra, a Little Women faz sucesso em Londres e já começa a exportar para o restante da Europa. Homens, preparem-se para uma nova realidade: nas próximas décadas, as mulheres vão ter a liberdade de serem bonitas do jeito que realmente são. Com ou sem peitões.

Ellen Shing é socióloga e estilista. Abriu na Califórnia uma loja especializada em lingerie para mulheres com seios pequenos

(fonte: Revista Galileu)

Os milagres e os estelionatos

dezembro 18, 2009

Já escrevi sobre o tema no post Depois dos 40 . Mas volto a ele por conta das matérias publicadas recentemente na imprensa sobre o abuso do fotoshop na publicidade e sobre a beleza sem retoques. Para lê-las, basta clicar nas imagens. Há duas questões envolvidas, pelo menos. A primeira é a pressão da publicidade, que apenas reproduz uma pressão social, pela eterna juventude ou um padrão determinado de beleza. Claro, todo mundo olha superficialmente a primeira imagem, retocada, da modelo Twiggy e pensa, “como ela ficou bonita!” Mas vamos olhar a segunda figura, a mulher real apenas com maquiagem e produção normal. Uau! que mulher linda! Uma modelo de sessenta anos! Pra quê o retoque? Um creme que me garantisse chegar aos sessenta anos tão bonita assim, eu compraria! Mas, chegando à segunda questão, a publicidade, e aí é nada mais nada menos que um estelionato, quer vender algo que não se pode comprar, quer vender a volta ao passado. Quer deletar a história de vida da modelo Twiggy que ralou muito para chegar aos sessenta anos ainda modelo de beleza. Nós simplesmente não precisamos disso, nós temos direito à maturidade.

Quanto à segunda figura, na propaganda da Ralph Lauren, não vou nem perder tempo comentando muito. O emagrecimento no fotoshop criou um monstro. E aí a terceira figura que criou polêmica, a modelo Lizzie, só de calcinhas e com a sua beleza naturalmente exposta. Só posso dizer uma coisa: Que delícia! Das três, quem está mais feliz?

“Surpresa”: mulheres bonitas prejudicam as mentes masculinas

outubro 21, 2009

bradDeu em vários jornais e foi repercutido em vários blogs:

“Um estudo realizado pela Universidade de Radboud, na Holanda, e publicado no Journal of Experimental Social Psychology sugere que os homens “perdem a cabeça”, quando estão na presença de uma mulher bonita. De acordo com os cientistas, o público masculino usa uma porcentagem tão grande da sua função cerebral ou de seus recursos cognitivos para impressionar a mulher que ficam restritos para realizar outras tarefas, por mais simples que elas sejam.

“A pesquisa aconteceu com voluntários heterossexuais que precisavam soletrar um grupo de letras o mais rápido possível. Depois do teste, eles ficavam 7 minutos, em média, conversando com uma mulher bonita e atraente e então repetiam o teste em frente à mulher.

“De acordo com os cientistas, quanto mais os homens tentavam impressionar a companheira, menor era a pontuação e a rapidez com que desenvolviam o teste, chegando a um número 30% menor na pontuação. De acordo com os pesquisadores, é possível afirmar que os homens apresentam um forte declínio cognitivo quando estão na presença de uma mulher bonita.

“O mesmo teste também foi realizado com o público feminino. Porém, elas não apresentaram uma queda na pontuação e nem na velocidade das respostas dadas na hora do teste.”

Segundo matéria publicada na revista Galileu, de outubro de 2009, pelas mesmas razões acima, os meninos são prejudicados nas escolas mistas:

“Se os homens tinham dúvidas que mulher atrapalha os estudos, agora há provas. Uma pesquisa da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, mostrou que os meninos têm as notas mais baixas quando estudam com garotas, mas, em turmas de um sexo só, não há diferenças entre as notas. Quando tem mulher na classe, eles se distraem, deixam as melhores notas para elas e não passam no vestibular. “O problema da diferença das notas masculinas e femininas começa no primário e se reflete na faculdade”, afirma a pesquisadora Sheree Gibb, uma das responsáveis pelo estudo. Na Nova Zelândia, as garotas levam vantagem em todos os graus de ensino superior: têm 63% dos diplomas de graduação, 57% dos de mestrado e 51% dos diplomas de doutorado. Tentando descobrir o motivo, os pesquisadores foram atrás das notas de escolas mistas e de um sexo só (na Nova Zelândia há escolas públicas unissex). As provas mostraram que, quando colocados em escolas masculinas, os garotos se comportam melhor e tiram notas tão boas quanto as delas. “A diferença no rendimento pode ser explicada pelo comportamento das crianças”, diz a pesquisadora. “Os meninos tendem a ser aéreos, agressivos e agir de modo inapropriado quando estão com garotas.”

PS.: colocamos a foto do Brad para ilustrar o post, ao invés de uma mulher bonita, para não atrapalhar a concentração de nenhum homem que passar por aqui.

Inveja do pênis existe?

outubro 2, 2009

logo_topBanner(por calcinha comestível)

É incrível como um conceito científico é popularizado, simplificado, e vira outra coisa. Pelo que eu entendo, Freud não disse genericamente que toda mulher sofre de inveja do pênis. Ele teria dito que há uma fase no desenvolvimento da sexualidade feminina, nos primeiros anos de vida, em que a menina passaria por um período de complexo de castração, que envolve o pai e a mãe e… Nossa, é melhor tirar as crianças de perto. Bom, de lá pra cá as feministas chiaram, as teorias de Freud foram relativizadas, e as expressões foram sendo popularizadas e o significado foi alterado.

Mas, independente da origem, será que nós temos algum tipo de inveja do pênis? Dá para sentir inveja da força muscular maior dos homens. Há umas tarefas que realmente não sei como faria sem um homem pra ajudar. Mas a vantagem é que a gente sempre pode usar  inteligência e competência para ganhar dinheiro e contratar alguém para o serviço. Só que isso não se refere ao pênis. Quanto ao pênis mesmo, acho que muitas mulheres já se imaginaram com um. Não é bem uma inveja, é mais uma curiosidade. Mas eu não trocaria o meu equipamento por um modelo masculino. Levamos grande vantagem na hora de obter prazer sexual. Somos capazes de gozar e, segundos depois, gozar de novo e de novo. Claro, isso varia, mas tem gente que jura que é uma habilidade que pode ser desenvolvida.

Inveja mesmo, acho que só tenho na hora de fazer xixi, em certas circunstâncias, em que seria melhor ficar de pé. Mas seus problemas se acabaram porque com o pipizeitor Tabajara você pode fazer xixi em pé, usando uma mão só, enquanto coça a bunda com a outra. É sério, achei um produto na internet que promete isso, é o GoGirl:

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E se você não acredita ainda na qualidade do produto, veja como ele é perfeito para você, mulher moderna, que não quer se preocupar se vai molhar as calças num banheiro imundo ou na beira da estrada:

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Apesar da minha declarada (mas específica) inveja do pênis, acho não levaria um treco desses na minha bolsa. E você?

Um monstro sagrado do teatro brasileiro

setembro 28, 2009

Dulcina de Moraes

(por calcinha exocet)

Nos anos 90, fiz graduação de educação artística na Fundação Brasileira de Teatro – FBT, cuja fundadora foi Dulcina de Moraes. Mesmo não sendo aluna de teatro tive a oportunidade de vê-la ensinando seus atores a interpretar e fiquei encantada com a sua técnica e profissionalismo. Naquele momento, tive vontade de ser atriz. Entrei escondida no teatro pois ela detestava ser incomodada e passei momentos emocionantes nessa condição.

A atriz foi uma mulher enigmática, extremamente inteligente. Parecia-me estar sempre interpretando uma personagem mesmo fora de seu campo de atuação. Foi uma líder. Amigos, como o dançarino Fernando de Azevedo, saíram do Rio de Janeiro e juntaram-se a ela na aventura de realizar seu sonho: transformar Brasília na capital das artes cênicas. Infelizmente, isso não aconteceu. Brasília, desde seu nascimento, era mais uma cidade política do que artística. As artes cênicas continuaram mesmo nos grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo.

Foi uma das maiores atrizes do teatro brasileiro, nasceu em berço artístico, sendo seus pais os atores Átila e Conchita de Moraes. A atriz estreou nos palcos na década de 20, e nos anos seguintes tornou-se um dos maiores nomes do nosso teatro, cuja companhia, Dulcina-Odilon, com seu marido e ator Odilon Azevedo, assinou grandes montagens. Protagonizou a peça Amor (1933), do comediógrafo Oduvaldo Viana. O sucesso da atriz atingiu as camadas mais altas da sociedade e Dulcina fez moda: os vestidos que usava em cena serviam como modelo para o público feminino (tive a oportunidade de conhecer seus vestidos quando houve uma exposição em seu teatro). Ganhou medalha do mérito da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, como melhor atriz do ano de 1939 pelo conjunto de trabalhos.

Ganhou novamente o Prêmio ABCT, em 1943, mas naquele momento como melhor direção por Mulheres, de Claire Boothe.

Em 1952, Dulcina já era a primeira atriz do teatro brasileiro. Voltou a ser criticada pela interpretação desmedida em A Doce Inimiga, de André-Paul Antoine, em 1953, ano em que ganhou o Prêmio Municipal de Teatro de melhor direção por O Imperador Galante, de Raimundo Magalhães Júnior.

No final dos anos 50, convencida da importância de revestir a profissão de ator de uma preparação técnica,  cria a Fundação Brasileira de Teatro, FBT, onde realiza cursos e espetáculos. Transferiu sua fundação para a capital federal em 1972.

A atriz só voltou ao palco carioca a convite e sob direção de Bibi Ferreira, em 1981, encenando a peça especialmente  escrita para ela: O melhor dos pecados, de Sérgio Viotti. Faleceu em Brasília, em 1996, cidade onde se radicou e se dedicou à FBT, sem as láureas que merecia pela sua importância nas artes cênicas brasileiras.

Big Brother: privacidade e internet

setembro 8, 2009

big brother

(por calcinha de cristal)

Em 1948 George Orwell escreveu o livro 1984. Como se vê, os últimos dígitos referem-se ao ano em que ele foi escrito, de forma invertida. Naqueles anos pós-guerra o mundo vivia um otimismo, aparentemente a liberdade havia triunfado sobre a opressão nazista. Claro, a realidade era muito mais complexa. Iniciava-se a guerra fria, a caça às bruxas, leia-se aos comunistas.

George Orwell imaginou um mundo ao inverso do que ele aparentava. Um mundo vigiado, onde a individualidade cedia ante o domínio de um poder absolutista. Um mundo sem liberdade. Surgia a expressão “Big Brother”, o grande irmão, que tudo sabia, tudo via. A expressão foi vulgarizada pelos programas de televisão.

Talvez as pessoas não tenham se dado conta de que vivemos a era do Grande Irmão, fora da TV. Um exemplo recente foi o da professora que perdeu o emprego ao ter a imagem exposta na internet. Era um momento de lazer e, visto de longe, logo cairia no esquecimento pelas testemunhas. Mas dezenas de câmeras estavam apontadas para ela, ampliando os detalhes de seu rebolado, sob a música (?) “tudo enfiadinho”.

Não é só isso. Tudo pode ser facilmente monitorado, desde os e-mails até sua conta bancária, suas despesas de cartão. Nossa vida está exposta e pode cair na rede.

Alguém pode dizer que basta não fazer nada errado. Mas existem dois argumentos fortes contra esta forma de pensar. Primeiro, podem ser criadas mentiras, que divulgadas pela rede, tem um potencial infinitamente maior de se espalhar que as “penas ao vento que não podem ser recolhidas”, na conhecida metáfora. Além disso, quem julga o que é errado? Estamos sujeitos ao controle moral de quem está interessado apenas em fofocas e maledicências. Os olhos eletrônicos estão em toda parte. Faça algo fora do padrão e você será enquadrado. Ao contrário do livro de George Orwell, o grande irmão não é uma pessoa só. Ele está diluído em uma humanidade que quer controlar cada um dos indivíduos que a compõe. Como mostra o caso da professora, e muitos outros semelhantes, é a mulher que continua sendo a mais vigiada das criaturas.

Esse fenômeno, porém, tem um outro lado. Qualquer um que não se importe em ter a sua privacidade violada, pode tranformar-se em uma celebridade com seus cinco minutos de fama. E alimentar os olhares gulosos dos voyeristas de plantão. Nesta sociedade confusa, tornar-se “celebridade” pode ter um valor maior que proteger a intimidade. Esta é a lição ensinada por programas do tipo reality show.

Mulheres supercorajosas

agosto 26, 2009

(por calcinha de oncinha)

Dizem que corajoso é aquele que age com o coração. Assim, listamos três mulheres supercorajosas, uma indiana, uma argentina e uma americana. Todas foram ameaçadas de morte por covardes. Infelizmente, uma delas foi assassinada.

Sunitha Krishnan

Sunitha Krishnan

A indiana Sunita Krishnan está à frente da ONG Prajwala, instituição dedicada a salvar meninas da exploração sexual. Ela age destemidamente, denunciando exploradores. Após muita insistência, acabou convencendo as autoridades a agir. Alguns criminosos foram presos. Foi ameaçada de morte várias vezes.

Susana Trimarco

Susana Trimarco

A filha da argentina Susana Trimarco foi raptada em 2002 por uma rede internacional de tráfico de mulheres. Desde então, enfrentando ameaças de morte, ela vem denunciando estes crimes, enquanto procura a filha. A polícia inicialmente ignorou-a. Mas, após uma campanha internacional, a polícia começou a agir. Em 2006 fundou uma instituição dedicada a prevenir, procurar vítimas e buscar a punição dos criminosos, que pode ser acessada em Fundacion Maria de los Angeles .

Dhoroty Stang

Dhoroty Stang

A americana Dhoroty Stang lutava pela dignidade dos povos da floresta amazônica. Foi assassinada a tiros em 2005, após muitas ameaças de morte.

Coco Chanel

agosto 10, 2009

(por calcinha exocet)

Cartaz do filme "Coco before Chanel"

De repente veio uma onda de filmes falando sobre a vida de Coco Chanel. A mais recente produção tem no papel principal a atriz Audrey Tautou, conhecida do grande público pela participação no filme Código da Vinci e, do pequeno público da grande arte, pela excelente interpretação da personagem Amelie Poulin. A vida de Coco Chanel realmente merece um, ou melhor, vários filmes.

À afirmação de que havia precedido o movimento feminista, ela replicara: “À instrução da mulher consiste apenas em duas lições – nunca sair de casa sem meias e nunca sair sem chapéu”. À de que teria sido pioneira na arte do design de moda, ela retrucara: “A moda não é uma arte, é um negócio”. À de que sua independência a tinha lançado num mundo antes dominado pelos homens, ela sentenciara: “Uma mulher que não é amada não é ninguém. A solidão pode ajudar um homem a se encontrar, mas destrói uma mulher”. À de que foi uma autêntica self-made woman já no início do século, ela rebatia com histórias fantasiosas e rebuscadas sobre uma infância endinheirada e um refinado pai negociante de cavalos. E, no entanto, Gabrielle Chanel aboliu os vestidos armados em favor de um jeito de vestir prático e confortável; criou roupas e acessórios que hoje se encontram expostos em museus; sempre preferiu o trabalho à conveniência de um casamento e montou, sozinha, um império equivalente a 4,5 bilhões de dólares em valores de 1990. Mademoiselle, como ficou conhecida ao longo de 88 anos de uma agitada existência, era uma personagem dinâmica e empreendedora, sujeita a tempestades de cólera e a alfinetadas venenosas, quando se sentia ameaçada. O paradoxo marcou sua vida: era uma dama de ferro sonhadora, revolucionária com estilo clássico, ousada apesar de alérgica às grandes extravagâncias. (ler mais em Superinteressante)

lu1228-cocoOrfã de mãe, foi abandonada pelo pai em um orfanato religioso, sendo educada por freiras. Mas seu passado de pobreza nunca foi comentado por Mademoiselle. Ela até pagava uma mesada para seus irmãos nunca aparecerem.

Em sua vida atribulada, enquanto erguia seu império, casou-se diversas vezes. Inclusive com um oficial nazista, pelo que foi exilada.

Sem dúvida, uma mulher incomum, mas que mostra que o talento para os negócios não é, de forma nenhuma, característica somente masculina.

Coco Chanel morreu aos 88 anos, ainda trabalhando.