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Mulheres supergolpistas

setembro 17, 2009
Dina Reis e sua cúmplice Suzanne Carico

Dina Reis e sua cúmplice Suzanne Carico

(por calcinha comestível)

Esta semana foi notícia a prisão de uma quadrilha formada só por mulheres. A líder, Dina Reis, foi presa em sua mansão avaliada em US$ 30 milhões. Nos corredores da casa, haviam obras de Modigliani e Andy Warhol no valor de US$ 35 milhões. Ela teria doado US$ 10 milhões a entidades beneficentes, inclusive para a assistência à saúde de órfãos e para a reforma de um hospital infantil.

Qual a arma delas? A inteligência contra a estupidez de executivos. Não se relacionavam sexualmente com as vítimas, mas os seduziam. Muitos acabavam percebendo algo errado e caiam fora. Mas alguns não resistiam.

A encenação era elaborada. Dina e suas cúmplices pareciam  mulheres muito bem sucedidas (na verdade, eram, mas pelo caminho do crime). Depois de muito  papo e sedução, as vítimas vendiam para as golpistas produtos da empresa para a qual trabalhavam a preços mínimos. Estes produtos eram revendidos pelo preço de mercado. Ou seja, os executivos participavam do golpe em suas empresas e, portanto, se percebiam ter sido enganados, não podiam denunciar.

Mas uma das mulheres sentiu-se humilhada após ser dispensada do grupo e denunciou as colegas. Após uma longa investigação, todo o esquema foi desvendado. Dina deve pegar pelo menos dez anos de prisão.

Mulheres criminosas mostram, pelo lado inverso, é claro, o mesmo que mulheres de sucesso. As mulheres são tão humanas quanto qualquer um e não há diferença nem para o bem nem para o mal.

Mas, com licença do eticamente correto, não consigo deixar de sentir uma espécie de simpatia por estas mulheres. Claro, claro, o crime não compensa, etc e tal. Mas os  crimes praticados por elas têm muitos atenuantes. Primeiro, não usaram da violência e nem mesmo do sexo concretizado para praticar os golpes. Os empresários enganados também foram desonestos e pensaram em se dar bem (aliás, a maioria das vítimas de estelionato é movido pela possibilidade de ganhar alguma coisa). Não roubaram as mercadorias, compraram barato. Distribuiram parte do lucro para instituições de caridade. Provaram como alguns homens agem como uns retardados anancefálicos quando recebem a atenção feminina. E, cá entre nós, seus crimes foram cinematográficos. Aliás, tenho certeza de que a história vai virar filme, com a Angelina Jolie fazendo papel de Dina Reis e Scarlet Johansson fazendo o papel de Suzanne Carrico. Os executivos bobões e babões poderão ser o George Clooney e o Brad Pitt.

Leia mais sobre o caso na revista Época ou, em inglês, na matéria original publicada na revista Fortune.

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