Posts Tagged ‘seios’

Peito de silicone vai sair de moda

novembro 1, 2010

Próteses para aumentar os seios deformam o corpo e causam vários problemas de saúde. Em alguns anos, essa mania vai ficar para trás

Ellen Shing

Em nome da obsessão dos homens americanos por seios gigantescos, as mulheres já fizeram de tudo para aumentar suas mamas. Cirurgias prometiam a felicidade com injeções de parafina, bolas de vidro, borracha, cartilagem, alguns tipos de poliéster e gordura retirada de outras partes do nosso próprio corpo. Estima-se que só entre as décadas de 1950 e 1960, 50 mil mulheres dos EUA enxertaram algumas dessas substâncias nos seios, ou ainda as problemáticas próteses de silicone. Tudo isso está mudando. No prazo de uma década, os seios gigantes vão estar completamente fora de moda.

Todos os anos, 300 mil americanas ainda colocam implantes. No Brasil, foram mais de 140 mil somente em 2009. Mas esta é uma atitude que caminha para alcançar o auge que precede a queda — entre os americanos, o total de cirurgias plásticas desse tipo cresce menos a cada ano. A tendência, identificada pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos, é que o número de implantes atinja o auge em 2012, comece a cair a partir daí e cheguemos a 2020 com 150 mil implantes, metade do valor atual para uma população 9% maior. A venda de sutiãs já indica essa mudança. Em minha loja de lingerie, voltada para seios pequenos, as vendas aumentaram 45% em dois anos. Na Inglaterra, a consultoria Mintel identificou uma tendência ainda mais clara: a empresa prevê que o auge no número de cirurgias do tipo vai acontecer no ano que vem, e que o declínio começa já em 2012.

Seios siliconados são vulgares e deformam o corpo. Mesmo quando não causam efeitos colaterais por si só, grandes próteses causam dores nas costas, nos ombros, no pescoço e na cabeça. Nos Estados Unidos, 53% das mulheres que colocam silicone registram algum problema desse tipo depois de seis meses de fazer a cirurgia. Em alguns casos, como o da atriz Heidi Montag, do seriado The Hills, provocam a perda de elasticidade da pele. Heidi, que tem 23 anos e já fez dez plásticas, colocou 800 cm3 de silicone. Se arrependeu, quer retirar os implantes, mas os médicos não sabem que marcas a nova cirurgia deixará. Enquanto isso, para suportar a dor nas costas, ela passava os dias à base de analgésicos, até que parou de tomá-los porque não faziam mais efeito.

Tenho observado que as mulheres, em especial as que estão na casa dos 20 e 30 anos, não se conformam mais com essa atitude submissa de carregar quilos extras só para se sentirem socialmente desejáveis. Em minha loja, encontro diariamente clientes que já fizeram implantes e acabaram por entender que chamar mais a atenção na rua não valia a pena. Essa nova cultura de valorização da mulher pelo que ela é chegou ao ponto de que tenho comercializado cada vez menos sutiãs com recheio de espuma, daqueles que dão a impressão de que quem a usa tem seios maiores do que na realidade. Do ano passado para cá, as vendas desse tipo de produto caíram 15%.

O lema “pequeno é lindo” já se difundiu em várias grifes de roupas da Califórnia. As vendas para outros estados, e mesmo países, via internet, crescem e algumas dessas lojas começam a abrir filiais de sucesso na costa oeste do país. É o caso da Eves Apples Lingerie, da Itty Bitty Bra, da Lailides e da Lula Lu. Na Inglaterra, a Little Women faz sucesso em Londres e já começa a exportar para o restante da Europa. Homens, preparem-se para uma nova realidade: nas próximas décadas, as mulheres vão ter a liberdade de serem bonitas do jeito que realmente são. Com ou sem peitões.

Ellen Shing é socióloga e estilista. Abriu na Califórnia uma loja especializada em lingerie para mulheres com seios pequenos

(fonte: Revista Galileu)

Anúncios

De batom vermelho e sem medo

janeiro 19, 2010

(por calcinha de cristal)

Assisti no GNT a um filme chamado Lipstick. É baseado no livro de Geralyn Lucas, “Why I Wore Lipstick To My Mastectomy“, que conta a vida da autora, no período em que teve câncer nos seios com apenas 27 anos.

Várias coisas me chamaram atenção no filme. A primeira delas, que justifica obviamente o título do livro, é que a protagonista passava batom vermelho para sentir coragem. Usou durante a mastectomia e depois, superado o câncer, durante o parto.

Achei legal isso, porque o batom vermelho andou meio estigmatizado, tinha gente (ainda tem) que achava (ainda acha) vulgar ou muito erotizado e aí muitas mulheres acabaram optando pelos tons mais claros, pra não arriscar. Eu adoro batom vermelho. Acho  uma afirmação da feminilidade. Uso sem medo. Daí porque entendo perfeitamente que a autora use o batom para se sentir corajosa.

a foto é da atriz do filme, não da escritora

Ela também usa o batom para ter coragem de posar para fotos em que mostrará, numa revista, o seio mastectomizado. Na cirurgia foi preciso remover o mamilo. A frase junto com a foto é muito bonita: “eu coloquei a tatuagem no fim da cicatriz porque ela termina onde meu coração (a minha coragem) começa.”

Um dos momentos mais interessantes do filme vem dessa questão da ausência do mamilo. Ela se pergunta por que está tão incomodada. Se é por ela mesma ou se é pelos outros, principalmente o marido. Neste momento me lembro dos milhões de mulheres que colocam implantes de silicone para se sentirem bem. Elas deveriam fazer a mesma pergunta. Afinal, a quem se quer agradar?

O câncer de mama é um fantasma que nos assombra muito, por ser um dos mais freqüentes, mas também por ser um câncer que ameaça nossa aparência de fêmea. É um tipo de câncer que atinge principalmente as mulheres, embora possa afetar uma pequena parte dos homens (mas isso não tem nada a ver com ser gay, como sugeriu o idiota do Roberto Requião).

Parece, como muitos outros tipos de câncer, haver um fator genético. No ano passado repercutiu o caso da atriz  Christina Applegate – estrela da série de TV “Samantha Who?”, exibida no Brasil pelo canal por assinatura Sony –  que passou por uma mastectomia dupla depois de ter sido diagnosticada com um câncer em um dos seios. Sua mãe havia lutado contra o câncer e sofrido muito e ela mesma possui o gene relacionado, provavelmente, à doença. Por isso decidiu fazer uma mastectomia preventiva do seio que ainda não tinha apresentado sinais de câncer.

A mensagem geral do filme “Lipstick”, e possivelmente do livro, é de que a vida continua apesar das cicatrizes. Uma mensagem bonita, do tipo auto-ajuda, e que realmente foi válida no caso de Geralyn Lucas. Mas isso me lembra um outro livro, de uma pessoa que também sofreu e foi curado do câncer. Neste, o autor afirma que manter-se “positivo” pode ser extremamente penoso quando se tem a legítima vontade de chorar e ter pena de si mesmo.

A atitude do tipo “não tenho mais os bicos dos seios, e no lugar ficou uma enorme cicatriz, mas foda-se!” tem que ser conquistada, para chegar a isso precisa percorrer um caminho, apontado pelos vários anjos de que fala Geralyn. E não são psicólogos (podem ser também), mas gente comum, como a drag queen ou o tatuador que ela encontrou durante seu sofrimento.

A propósito da tatuagem, também foi legal ver que esta tem sido usada para compensar a remoção do mamilo. A recriação de um “mamilo”, por meio de tatuagem, ou outra técnica, tem sido rejeitada.

Mas procurando por imagens para ilustrar este post deparei-me com a dura realidade. Muitas cirurgias deixam cicatrizes bastante deformantes, nada comparáveis com a fotografia da atriz na revista.