Posts Tagged ‘tragédia’

Comédia = tragédia + tempo

outubro 9, 2012

Um amigo ouviu no rádio uma entrevista com a comediante americana Tig Notaro. Três dias depois de saber que estava com câncer em ambos os seios, ela resolveu contar isso num show de stand up comedy. “Isto é uma coisa muito pessoal, gente, relaxem. Eu tenho câncer, obrigado, eu tenho câncer”, disse ela ao som de gargalhadas. Ela contou que a ideia veio quando estava tomando banho e pensando em como contaria ao público. Quando se imaginou contando no meio da comédia, riu às gargalhadas. Então, sem pensar muito, resolveu que seria assim. “Fiz uma biópsia, uma terrível experiência, dolorosa, invasiva, cheguei em casa com muita dor, sem poder me mexer, e pensei: é melhor que seja câncer!” Novas gargalhadas, um pouco de constrangimento, algumas pessoas sérias. “Relaxem, pessoal, vai ficar tudo bem. Isto é, vai ficar tudo bem com vocês, comigo não sei o que vai acontecer”. Mais gargalhadas. Contando, não dá para entender como foi um show maravilhoso. Um trechinho dele pode ser ouvido aqui. E o show inteiro (áudio) pode ser comprado aqui.  Ela descobriu que estava com câncer um ano depois de perceber algo diferente nos seios, mas demorou para se submeter à mamografia. Ela conta que o médico a apalpou e disse “isso parece um caroço”, e ela respondeu “não doutor, isso é meu seio”. “Bom, parece que tem um outro caroço neste aqui também”. “Não doutor, isto é o meu outro seio”. Apesar da natureza agressiva do tumor, após a mastectomia dupla a comediante está confiante na recuperação e, aparentemente, o câncer não se espalhou.

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O preço da paixão

dezembro 1, 2009

Há momentos em que o preço da paixão é alto! Li a história de Anna de Assis e, mesmo admirando sua coragem e força, refleti que dosar decisões importantes, com sentimento e razão, pode amenizar as desilusões e mesmo as tragédias. Imagino que mulheres assim como Anna de Assis, que jogam tudo para o alto por uma paixão, são raridades hoje em dia. Será? Doce ilusão a minha, ainda temos moças muito românticas que são capazes de arriscar carreira, estabilidade, emprego, família e até a própria vida para serem felizes.

Vamos adentrar na história de Anna de Assis ou Anna da Cunha….

Anna de Assis foi ex-esposa de Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, engenheiro civil, jornalista e autor de Os Sertões (1902). Euclides da Cunha é considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa. Neste ano de 2009, comemoramos o centenário de sua morte.

A história do escritor tem um fim trágico, morre aos 43 anos de idade, em 1909, quando decide medir forças com um rival vinte anos mais moço, e além disso campeão de tiro. Euclides cai morto numa troca de tiros com o amante de sua mulher, numa casa da Estrada de Santa Cruz, junto à estação da Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro. O escritor até acertou alguns tiros no amante e no irmão deste, mas pela destreza de Dilermando, que era campeão de tiros no Exército, é ferido mortalmente. O amante não é condenado pela justiça por alegar legítima defesa.

Em razão de Euclides estar sempre ausente do lar – era engenheiro civil e jornalista-, sua esposa, à epoca com 30 anos, apaixona-se por Dilermando de Assis, um rapaz de 17 anos. O marido ao voltar para casa, depois de uma ausência de mais de um ano, encontra Anna grávida de alguns meses e sua casa frequentada pelos irmãos Dilermando e Dinorá de Assis, amigos de Solón, seu filho mais velho.  Sua reação a princípio é de fechar os olhos diante da evidência. Registra como seu o filho, mas impede que a mãe o amamente, matando-o por inanição depois de nascer. Mesmo casada com Euclides, Anna tem mais um filho de Dilermando, que também é registrado pelo marido.

Em 1916, Euclides da Cunha Filho, aos 19 anos de idade, decide vingar a morte de seu pai e mais uma tragédia ocorre na família, Dilermando de Assis alvejado pelas costas ao sair do Cartório do forum do Rio de Janeiro, reage mesmo ferido e mata o filho de Euclides. Mais uma vez sobrevive, alega legítima defesa e é absolvido.

Por sua paixão, Anna enfrentou todos, o marido, a sociedade e a família. Sua mãe escreve para a irmã de Euclides dizendo: “Você chora a morte de seu irmão e eu choro por ter tido essa infeliz”. Anna de Assis não se importou em ficar estigmatizada como adúltera. Para a época, é considerada uma mulher ousada. Depois da morte de Euclides da Cunha, ela casa-se com Dilermando e tem mais 5 filhos.

Anna, aos 50 anos, descobre que Dilermando a estava traindo e decide separar-se. Alerta os filhos que estava  indo embora e quem quisesse poderia ficar com o pai ou ir com ela. Os filhos logo estavam com suas malinhas prontas para seguirem ao seu lado. Sabe-se que Anna quando separou-se de Dilermando passou necessidade. Antes de sair definitivamente de casa, confessou sua desilusão ao marido, afirmando que depois de tudo que ela passou para viver ao seu lado, nunca imaginara que ele fosse traí-la. Ele tentou evitar a separação, mas não obteve sucesso. Sabe-se que antes de Anna morrer de câncer, ele foi visitá-la e pedir perdão. Saiu sem ouvir o que queria. Dizem que antes de ele morrer, pedia perdão à falecida, diante dos filhos.