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Depressão: frescura ou realidade?

dezembro 28, 2009

(por calcinha florida)

A depressão é caracterizada na medicina  por ser uma doença que afeta o estado de humor  da pessoa, deixando-a com predomínio anormal de tristeza. Todas as pessoas, homens e mulheres de qualquer faixa etária podem ser atingidas, porém, as mulheres são duas vezes mais que os homens.

Entretanto, caros leitores, essa definição por si só é muito superficial, sou portadora deste mal e como uma servidora da saúde, apaixonada por psicofarmacologia, digo isso, mas sem definir nada.

Tentarei neste texto, de forma simples, até porque a doença não me permite escrever textos muito elaborados…

Imagine acordar e, aos poucos, ou, às vezes, subitamente perder o desejo. Você poderia me questionar, desejo de quê? Eu diria: não tenho desejos. Não é só uma tristeza constante sem motivo aparente, é uma ausência de si mesma. É como a morte! Na verdade, é uma morte, só que o corpo insiste em respirar. Em um primeiro momento, queremos nos convencer de que aquilo não passa de um dia ruim, um mal humor passageiro, uma TPM. O problema é que a sensação não passa… já não dá pra disfarçar. Então pensamos que o problema é o companheiro que não te dá mais tesão, ou o trabalho, ou a família. Enfim, buscamos diversas razões para toda aquela sensação gélida que não te deixa parar de chorar copiosamente.

Um dia uma amiga me disse que era depressão e marcou uma consulta com um psiquiatra. Que alívio, alguém que me entendia. Tomei os medicamentos, consegui dormir e voltei para o mundo real. Mas a depressão é traiçoeira, me pegou de novo e, mais uma vez, achava que era frescura. Aliás, na verdade, as pessoas mais importantes da minha vida diziam isso. Minha mãe dizia que eu estava gorda por causa dos remédios e que os médicos não sabiam de nada, que depressão era falta de fé, falta de Deus. E com essa linha de raciocínio eu quase morri! Ao contrário do que dizia minha mãe, Deus sabia da cruz que eu carregava. Não dava mais para negar a dor forte no peito, noites e noites sem dormir, mania de perseguição, visão distorcida da realidade, entre muitas outras dores.

Voltei a me consultar com mais quatro psiquiatras e muitas tentativas de medicações frustradas. Não pense que qualquer antidepressivo irá resolver seu problema… Achar um medicamento correto para cada indivíduo é uma saga. Entre essas tentativas que já duram dois anos, após cinco noites sem dormir, tive uma conversa muito séria com Nossa Senhora: ” Mãe, tu sabes o quanto sofro e sabes também que Deus só dá a cruz quando podemos carregar. Mãe, tu sabes que não consigo. Mãe, eu desisto. Quando me encontrares, não deixem me levar ao vale dos suicidas, defenda-me”. Tomei uma caixa de tranqüilizantes e me despedi de quem amava, com a certeza no coração de que no outro dia estaria em outro lugar, sem aquela dor que me deixou na cama inválida e também que minha família ficaria muito feliz, pois eu era um grande fardo. Enrolei meu terço na mão e dormi com a sua imagem para que ela pudesse me levar a um lugar sem dor.

Surpresa! Acordei no outro dia, que raiva! Mas os sintomas eram evidentes e fui levada ao hospital, lá encontrei pessoas sensíveis e insensíveis, achando que eu queria chamar atenção. Na verdade, queria fazer tudo de uma maneira bem discreta, morrer dormindo. Não vou negar que essa idéia é muito atraente até os dias de hoje. Enfim, depois de quase um ano de terapia e diversas tentativas medicamentosas a dor física passou. Sim, doía muito fisicamente. Às vezes, ainda dói. Mas hoje sei que a dor é real e tenho ferramentas para diminuí-la ou cessá-la. Bem, ao final disso tudo, aprendi que não fui fresca, mas muito forte e que o medicamento, a terapia, o exercício físico, até os óleos de lavanda e, sobretudo, Deus, são grandes ferramentas para essa guerra. Não subestime sua dor, muito menos a dor alheia, a depressão é real e perigosa. Por isso seja forte e corajosa, enfrente essa doença de frente e não abaixe sua cabeça, pois se você ainda não venceu a guerra é porque ela ainda não acabou.

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